Edição 1 640 - 15/3/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Duas obras de Charles Darwin chegam ao Brasil
Uma história do estupro
Denzel Washington, o favorito do Oscar
Estréia Fim de Caso, baseado em livro de Graham Greene
As estrelas de um sucesso só
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Pegue o lenço

Veja também
Trechos do filme

Você vai se emocionar – e chorar – com Fim de Caso

Isabela Boscov

Poucos escritores do século XX tiveram uma biografia tão inusitada quanto a de Graham Greene. Ele praticou regularmente roleta-russa na adolescência, embrenhou-se pelas selvas africanas na juventude, trabalhou como crítico de cinema e espião da inteligência britânica, além de se tornar um dos mais celebrados autores ingleses contemporâneos. Nenhuma passagem de sua vida, contudo, desafia mais os estudiosos do que sua conversão ao mesmo tempo sofrida e apaixonada ao catolicismo, que viria a influenciar toda a sua obra. Uma pista para entender esse episódio está em Fim de Caso (The End of the Affair, Estados Unidos/ Inglaterra, 1999), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro. No livro homônimo, Greene ficcionalizava e romantizava passagens de sua própria vida, compondo um drama devastador. Não seria o candidato mais fácil para uma adaptação cinematográfica. Mas o diretor Neil Jordan (o mesmo de Traídos pelo Desejo) mostra-se integralmente à altura da matéria-prima que escolheu.

O protagonista de Fim de Caso é, claro, um escritor, Maurice (interpretado por Ralph Fiennes). Na Londres da II Guerra, ele se apaixona pela infeliz Sarah (Julianne Moore), mulher de um alto burocrata do governo. A paixão é fulminante e recíproca: Sarah jura que jamais terá outro homem em sua vida. O romance, porém, tem um fim abrupto. Dois anos depois, ainda corroído pelo ciúme, Maurice suspeita que Sarah está novamente traindo o marido. Põe um detetive no encalço da ex-amante e depara com revelações torturantes, que viram suas convicções pelo avesso.

Dessa trama, o diretor Jordan tira aquele tipo de filme que chega a desautorizar comparações com o original. Da música de Michael Nyman à reconstituição de época, Fim de Caso é de uma beleza embriagadora. E não há intérprete no elenco que esteja menos do que ótimo. Alguns, como Ian Hart (que faz o detetive) e Julianne Moore, atingem o espetacular. Julianne, aliás, é um capítulo à parte. Dona de um tipo físico singular, com cabelos muito ruivos e pele quase translúcida, ela é, no entanto, capaz de desaparecer em seus personagens. Sarah é a composição mais tocante de sua carreira. No momento em que ela assume a narração da história, fica impossível acompanhar o filme sem um lenço à mão.

 
Saiba mais
Entrevistas, críticas em inglês
Site oficial