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Você vai se emocionar e chorar
com Fim de Caso
Isabela Boscov
Poucos
escritores do século XX tiveram uma biografia tão
inusitada quanto a de Graham Greene. Ele praticou regularmente
roleta-russa na adolescência, embrenhou-se pelas selvas
africanas na juventude, trabalhou como crítico de
cinema e espião da inteligência britânica,
além de se tornar um dos mais celebrados autores
ingleses contemporâneos. Nenhuma passagem de sua vida,
contudo, desafia mais os estudiosos do que sua conversão
ao mesmo tempo sofrida e apaixonada ao catolicismo, que
viria a influenciar toda a sua obra. Uma pista para entender
esse episódio está em Fim de Caso (The
End of the Affair, Estados Unidos/ Inglaterra, 1999),
que estréia nesta sexta-feira em São Paulo
e no Rio de Janeiro. No livro homônimo, Greene ficcionalizava
e romantizava passagens de sua própria vida, compondo
um drama devastador. Não seria o candidato mais fácil
para uma adaptação cinematográfica.
Mas o diretor Neil Jordan (o mesmo de Traídos
pelo Desejo) mostra-se integralmente à altura
da matéria-prima que escolheu.
O
protagonista de Fim de Caso é, claro, um escritor,
Maurice (interpretado por Ralph Fiennes). Na Londres da
II Guerra, ele se apaixona pela infeliz Sarah (Julianne
Moore), mulher de um alto burocrata do governo. A paixão
é fulminante e recíproca: Sarah jura que jamais
terá outro homem em sua vida. O romance, porém,
tem um fim abrupto. Dois anos depois, ainda corroído
pelo ciúme, Maurice suspeita que Sarah está
novamente traindo o marido. Põe um detetive no encalço
da ex-amante e depara com revelações torturantes,
que viram suas convicções pelo avesso.
Dessa trama, o diretor Jordan tira aquele tipo de filme
que chega a desautorizar comparações com o
original. Da música de Michael Nyman à reconstituição
de época, Fim de Caso é de uma beleza
embriagadora. E não há intérprete no
elenco que esteja menos do que ótimo. Alguns, como
Ian Hart (que faz o detetive) e Julianne Moore, atingem
o espetacular. Julianne, aliás, é um capítulo
à parte. Dona de um tipo físico singular,
com cabelos muito ruivos e pele quase translúcida,
ela é, no entanto, capaz de desaparecer em seus personagens.
Sarah é a composição mais tocante de
sua carreira. No momento em que ela assume a narração
da história, fica impossível acompanhar o
filme sem um lenço à mão.
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