Edição 1 640 - 15/3/2000

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O que digo ao chefe?

Como a gravidez interfere na vida
profissional da mulher

Anna Paula Buchalla

 

Ricardo Benichio
Yara Tertuliano surpreendeu-se com a reação do chefe e dos colegas: "Não sou discriminada"

 

"Ele vai ficar desapontado."
"Vai pensar que já não me importo com o trabalho como antes."
"Serei demitida."
"Adeus, futuras promoções."

Frases como essas, colecionadas em quantidade por psicólogos e profissionais de recursos humanos, ajudam a explicar o que passa pela cabeça da futura mãe que precisa contar ao chefe que está grávida. Os homens não costumam prestar muita atenção nessas preocupações e se saem com frases do tipo "isso é coisa de mulher". E é mesmo. Ninguém, além dela, tem noção do grau de ansiedade provocado pela necessidade de ter de informar sobre a gravidez. A grande maioria acredita que o relato decretará seu fim no mercado de trabalho. "Há o temor de que a gravidez e a licença-maternidade as coloquem em desvantagem no trabalho", afirma a psicanalista Anna Correia, do Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade, de São Paulo. Com o tempo, no entanto, fica mais claro que, se há discriminação (e há), ela é mais suave do que parece. "Até imaginei que pudesse ser discriminada, mas não foi o que aconteceu", conta a analista de crédito do BankBoston, Yara Tertuliano, de 30 anos, grávida de sete meses. "A gente nunca sabe como as pessoas vão reagir", diz. É natural que as mulheres se questionem sobre as conseqüências na carreira da interrupção do trabalho. E a resposta não é nada animadora. "O crescimento profissional será quase sempre adiado, o que não favorece a carreira de ninguém", observa Ana Maria Cadavez, da consultoria KPMG.

Embora algumas empresas deixem claro que avaliam a profissional pelo desempenho e não pelo que deixará de fazer temporariamente, é sempre bom definir qual a melhor hora de engravidar. O conselho vale para as mulheres que se preocupam em construir uma carreira disputando vagas em pé de igualdade com os homens. "É recomendável que a mulher tenha filhos quando estiver com a carreira encaminhada", ensina Ana Maria Cadavez. Mas, quando isso é inevitável, o assunto renderia um livro de auto-ajuda cujo título bem poderia ser "Aprendendo a Conviver com a Barriga no Ambiente de Trabalho".

Os estudos sobre o assunto mostram que as mulheres passam por um processo de adaptação profissional durante a gravidez que não guarda relação com o desenvolvimento do bebê. Quando a gestação é normal, podem ser observadas três fases básicas. Há aquela fase em que a gestante tenta negar a gravidez, como se tentasse provar que nada mudou em sua vida. "Muitas exageram na jornada de trabalho apenas para tentar deixar na firma a impressão de que não são pessoas frágeis", diz a psicóloga Anna Correia. Agem assim porque sentem necessidade de compensar a culpa indevida oriunda da gravidez. "Nunca finja que não está grávida", recomenda a especialista. A segunda fase, a mais confortável, ocorre quando a mulher está segura de que a gravidez vai bem e ela volta a produzir como antes. A terceira, normalmente nas últimas semanas da gestação, é exaustiva. Movimentar-se produz cansaço, e ficar sentada também. Alguns conflitos pessoais se agravam nesse momento. Afinal, como fingir que nada está acontecendo e que é possível trabalhar normalmente?

Convém lembrar que a era da globalização é a era da qualidade total. Dificilmente um chefe torcerá o nariz a uma funcionária exemplar só porque ela engravidou. Até algum tempo atrás, um homem certamente roubaria a vaga de uma candidata grávida em potencial. "Hoje, a empresa prefere ficar com o mais competente", diz o vice-presidente de recursos humanos do BankBoston, Marcelo Santos. Se ambos estiverem em pé de igualdade, no entanto, é quase certo que o homem levará a melhor. São percalços a que todas as mulheres que querem ser mãe estão sujeitas.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o número de mulheres que trabalham no Brasil aumentou 180% nos últimos vinte anos. São milhares de profissionais do sexo feminino que lutam por paridade no mercado de trabalho. Se elas estão conseguindo? "Sob o aspecto legal, ainda não atingimos a igualdade", responde a professora de direito do trabalho Sônia Mascaro Nascimento, de São Paulo. Na França, por exemplo, a legislação dá ao casal que vai ter filho o direito de optar se é o pai ou a mãe quem vai tirar a licença-maternidade. Estranho? "Eu diria que é justo. Nunca se sabe se naquele momento a mãe pode ausentar-se por tanto tempo do trabalho", afirma Sônia.

 

 
O INSS paga

Um dos grandes focos de angústia da mulher durante a licença-maternidade é continuar a receber salário sem precisar trabalhar. O que a maioria das mulheres não sabe (os homens também não) é que quem arca com essa despesa não é a empresa, mas a Previdência Social.

Até o mês de dezembro, essa transferência de responsabilidade era feita sem burocracia. A empresa pagava o salário e depois recebia do governo o reembolso. Agora, para evitar fraudes, a Previdência exige que a mulher vá pessoalmente a um dos postos do INSS para provar que a gravidez é para valer.


 

João Ávila

Pagando excesso de bagagem, podem-se embarcar todas as malas que se quiser no vôo?

Nem sempre. A empresa pode alegar falta de espaço se o avião estiver lotado. Para evitar o problema, o ideal é conferir com antecedência o sistema de cobrança de extras da companhia. Isso porque, recentemente, cada empresa foi autorizada a cobrar a tarifa pelos critérios que escolher. A quantia varia também entre os países. As companhias americanas costumam cobrar por volume extra de bagagem e as européias, por quilo.

 

Existe diferença entre gripe e resfriado?

 
Sérgio de Divinittis

Sim, gripe e resfriado são diferentes. A gripe se caracteriza por um quadro de mal-estar, dor no corpo, dor de cabeça e febre, além de complicações no sistema respiratório, como coriza e nariz entupido. O resfriado se restringe a tosse, irritação e congestão nasal e dor de garganta. Apesar de ambos terem a mesma forma de transmissão – pelas vias respiratórias, no contato com pessoas contaminadas – , os vírus causadores não são os mesmos. Os da gripe são conhecidos como influenza, e os mais comuns do resfriado são o rinovírus e o adenovírus.