O que digo ao chefe?
Como a gravidez interfere na vida
profissional da mulher
Anna Paula Buchalla
Ricardo Benichio
 |
| Yara Tertuliano
surpreendeu-se
com a reação
do chefe e dos colegas:
"Não sou discriminada" |
"Ele vai ficar desapontado."
"Vai pensar que já não me importo com o trabalho
como antes."
"Serei demitida."
"Adeus, futuras promoções."
Frases como essas, colecionadas em quantidade por psicólogos
e profissionais de recursos humanos, ajudam a explicar o
que passa pela cabeça da futura mãe que precisa
contar ao chefe que está grávida. Os homens
não costumam prestar muita atenção
nessas preocupações e se saem com frases do
tipo "isso é coisa de mulher". E é mesmo.
Ninguém, além dela, tem noção
do grau de ansiedade provocado pela necessidade de ter de
informar sobre a gravidez. A grande maioria acredita que
o relato decretará seu fim no mercado de trabalho.
"Há o temor de que a gravidez e a licença-maternidade
as coloquem em desvantagem no trabalho", afirma a psicanalista
Anna Correia, do Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade,
de São Paulo. Com o tempo, no entanto, fica mais
claro que, se há discriminação (e há),
ela é mais suave do que parece. "Até imaginei
que pudesse ser discriminada, mas não foi o que aconteceu",
conta a analista de crédito do BankBoston, Yara Tertuliano,
de 30 anos, grávida de sete meses. "A gente nunca
sabe como as pessoas vão reagir", diz. É natural
que as mulheres se questionem sobre as conseqüências
na carreira da interrupção do trabalho. E
a resposta não é nada animadora. "O crescimento
profissional será quase sempre adiado, o que não
favorece a carreira de ninguém", observa Ana Maria
Cadavez, da consultoria KPMG.
Embora algumas empresas deixem claro que avaliam a profissional
pelo desempenho e não pelo que deixará de
fazer temporariamente, é sempre bom definir qual
a melhor hora de engravidar. O conselho vale para as mulheres
que se preocupam em construir uma carreira disputando vagas
em pé de igualdade com os homens. "É recomendável
que a mulher tenha filhos quando estiver com a carreira
encaminhada", ensina Ana Maria Cadavez. Mas, quando isso
é inevitável, o assunto renderia um livro
de auto-ajuda cujo título bem poderia ser "Aprendendo
a Conviver com a Barriga no Ambiente de Trabalho".
Os estudos sobre o assunto mostram que as mulheres passam
por um processo de adaptação profissional
durante a gravidez que não guarda relação
com o desenvolvimento do bebê. Quando a gestação
é normal, podem ser observadas três fases básicas.
Há aquela fase em que a gestante tenta negar a gravidez,
como se tentasse provar que nada mudou em sua vida. "Muitas
exageram na jornada de trabalho apenas para tentar deixar
na firma a impressão de que não são
pessoas frágeis", diz a psicóloga Anna Correia.
Agem assim porque sentem necessidade de compensar a culpa
indevida oriunda da gravidez. "Nunca finja que não
está grávida", recomenda a especialista. A
segunda fase, a mais confortável, ocorre quando a
mulher está segura de que a gravidez vai bem e ela
volta a produzir como antes. A terceira, normalmente nas
últimas semanas da gestação, é
exaustiva. Movimentar-se produz cansaço, e ficar
sentada também. Alguns conflitos pessoais se agravam
nesse momento. Afinal, como fingir que nada está
acontecendo e que é possível trabalhar normalmente?
Convém lembrar que a era da globalização
é a era da qualidade total. Dificilmente um chefe
torcerá o nariz a uma funcionária exemplar
só porque ela engravidou. Até algum tempo
atrás, um homem certamente roubaria a vaga de uma
candidata grávida em potencial. "Hoje, a empresa
prefere ficar com o mais competente", diz o vice-presidente
de recursos humanos do BankBoston, Marcelo Santos. Se ambos
estiverem em pé de igualdade, no entanto, é
quase certo que o homem levará a melhor. São
percalços a que todas as mulheres que querem ser
mãe estão sujeitas.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho,
o número de mulheres que trabalham no Brasil aumentou
180% nos últimos vinte anos. São milhares
de profissionais do sexo feminino que lutam por paridade
no mercado de trabalho. Se elas estão conseguindo?
"Sob o aspecto legal, ainda não atingimos a igualdade",
responde a professora de direito do trabalho Sônia
Mascaro Nascimento, de São Paulo. Na França,
por exemplo, a legislação dá ao casal
que vai ter filho o direito de optar se é o pai ou
a mãe quem vai tirar a licença-maternidade.
Estranho? "Eu diria que é justo. Nunca se sabe se
naquele momento a mãe pode ausentar-se por tanto
tempo do trabalho", afirma Sônia.
|
O
INSS paga
|
|
Um dos grandes focos de angústia
da mulher durante a licença-maternidade
é continuar a receber salário
sem precisar trabalhar. O que a maioria das
mulheres não sabe (os homens também
não) é que quem arca com essa
despesa não é a empresa, mas a
Previdência Social.
Até o mês de dezembro, essa transferência
de responsabilidade era feita sem burocracia.
A empresa pagava o salário e depois recebia
do governo o reembolso. Agora, para evitar fraudes,
a Previdência exige que a mulher vá
pessoalmente a um dos postos do INSS para provar
que a gravidez é para valer.
|
|

João Ávila
 |
Pagando excesso de bagagem, podem-se embarcar
todas as malas que se quiser no vôo?
Nem sempre. A empresa pode alegar falta de espaço
se o avião estiver lotado. Para evitar o problema,
o ideal é conferir com antecedência o
sistema de cobrança de extras da companhia.
Isso porque, recentemente, cada empresa foi autorizada
a cobrar a tarifa pelos critérios que escolher.
A quantia varia também entre os países.
As companhias americanas costumam cobrar por volume
extra de bagagem e as européias, por quilo.
Existe diferença entre gripe e resfriado?
Sérgio de Divinittis
 |
Sim, gripe e resfriado são diferentes. A gripe
se caracteriza por um quadro de mal-estar, dor no
corpo, dor de cabeça e febre, além de
complicações no sistema respiratório,
como coriza e nariz entupido. O resfriado se restringe
a tosse, irritação e congestão
nasal e dor de garganta. Apesar de ambos terem a mesma
forma de transmissão pelas vias respiratórias,
no contato com pessoas contaminadas , os vírus
causadores não são os mesmos. Os da
gripe são conhecidos como influenza, e os mais
comuns do resfriado são o rinovírus
e o adenovírus.
|