Edição 1 640 - 15/3/2000

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Religião

Erros do passado

Papa lista e pede perdão pelos pecados da Igreja

 
Reuters
João Paulo II: 21 anos separando
a fé da política

O Vaticano anunciou na quarta-feira passada a maior demonstração de expiação pública da história do catolicismo: um documento de noventa páginas pedindo perdão por uma série de pecados cometidos em seus 2.000 anos de existência. Desde que foi escolhido para o trono de São Pedro, em 1978, por quase uma centena de vezes o papa João Paulo II mencionou erros históricos cometidos pela Igreja Católica e pediu o perdão divino para a culpa que a instituição e seus seguidores acumularam ao longo dos tempos. Pela primeira vez, contudo, todos esses pecados do passado foram citados em conjunto, aproveitando o início da Quaresma do ano 2000. O documento atende mais ao desejo de contrição dos autores do que à necessidade de reparação das vítimas. Criada para ser uma mensageira do amor entre os homens, a Igreja, levada por seu crescente poder temporal, deu mostras de intolerância, opressão e corrupção. Esses episódios do passado são hoje um peso na consciência do catolicismo e é por eles que o papa não se cansa de se desculpar. "A Igreja hoje é mais livre para confessar seus pecados e convidar os outros a fazê-lo", disse o cardeal Joseph Ratzinger, que presidiu a comissão designada para colocar no papel as bases históricas e doutrinárias para o mea-culpa.

O documento, intitulado "Memória e Reconciliação: a Igreja e as Culpas do Passado", agrupou as incorreções em blocos que abrangem praticamente toda a história da Igreja:
pecados cometidos a serviço da verdade: intolerância com os dissidentes e guerras religiosas. Compreendem as cruzadas e a Inquisição.
pecados que comprometeram a unidade dos cristãos. Abrangem os grandes cismas, que afastaram os católicos dos ortodoxos e dos protestantes, principalmente.
.pecados contra os judeus. Referem-se à campanha de depreciação contra o povo judeu e de certa forma ao papel ambíguo da Santa Sé durante a perseguição nazista aos judeus na II Guerra Mundial.
pecados contra os direitos dos povos e o respeito à diversidade cultural e religiosa. Aqui o alvo é a evangelização forçada colocada a serviço da colonização de povos dominados.

O documento lembra ainda os deslizes de ordem geral da Igreja contra a dignidade humana e a justiça social. Além de aplacar a própria consciência, a atitude da Igreja significa uma iniciativa importante em direção à reconciliação e à convivência com outros grupos religiosos. O ato de humildade é também uma demonstração de coragem. A Igreja não errou mais do que as outras grandes instituições que, como ela, desempenharam um papel determinante na História da humanidade. Suas falhas devem ser vistas e entendidas dentro do contexto da época em que aconteceram. O papado de João Paulo II foi marcado pela separação entre fé e política, e o pedido de perdão não foge à regra. Os erros do passado estiveram sempre relacionados à atuação terrena da Igreja. E é desse mal que o papa se empenha em livrá-la.

 
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