Edição 1 640 - 15/3/2000

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Belgrado

Uma nova guerra para salvar o ditador

Toda vez que se sente acuado, o líder sérvio Slobodan Milosevic começa a dar tiros. Com essa tática, fez as guerras da Croácia, da Bósnia e de Kosovo e se mantém presidente da Iugoslávia. Suspeita-se que esteja preparando nova guerra. O inimigo escolhido é Montenegro, sócia da Sérvia na Federação Iugoslava. Há movimentos de tropas sérvias, a fronteira foi fechada e o comércio suspenso. Por que Milosevic faria isso? Porque sem Montenegro a Iugoslávia deixa de existir e ele perde o emprego. O primeiro tiro depende apenas das conveniências do ditador.

 

Londres

Papéis trocados

A Scotland Yard, famosa por sua eficiência e civilidade, está em baixa. Um estudo constatou que a população considera os policiais ingleses desonestos e negligentes. Já a polícia de Los Angeles, atordoada por um avassalador escândalo de violência e corrupção, está de bem com o povo. Os moradores garantiram, numa pesquisa, que a vida seria impossível nos bairros mais pobres sem os guardas.

 

Paris

O apetite do presidente

A fama de sedutor de François Miterrand foi reforçada com o lançamento do livro de memórias de seu motorista, Pierre Tourlier. O presidente francês, que morreu em 1996, era capaz de visitar três damas na mesma noite, conta o chauffeur. Numa ocasião, dividiu os lençóis com uma rainha que visitava a França. Para justificar tamanho apetite, Mitterrand dizia encarar a noite como um menu, com entrada, prato principal e sobremesa.

 

 

Jerusalém

O general que avançou o sinal

O general israelense Yitzhak Mordechai era uma estrela em ascensão. Ex-candidato a primeiro-ministro e ministro dos Transportes do atual governo, era tido como um cidadão acima de qualquer suspeita. Não é mais assim. Sua empregada, de 23 anos, o acusa de assédio sexual. Ela diz ter sido atacada pelas costas e que o general só recuou depois que começou a chorar. Mordechai nega, mas se afastou do ministério enquanto é investigado.


Quem será o próximo?

O general Augusto Pinochet está de volta ao Chile, mas sua detenção na Inglaterra deixou com as barbas de molho outros
ex-ditadores, que fugiram para escapar da Justiça de seus países

 
Claudio Rossi

Alfredo Stroessner (ditador do Paraguai de 1954 a 1989) – O general manteve-se por 35 anos à frente do governo graças à repressão contra os opositores e à corrupção institucionalizadas. Exilou-se em Brasília desde o golpe que o derrubou, em 1989.

Idi Amin Dada (ditador de Uganda de 1971 a 1979) – Ao ser derrubado por um golpe, refugiou-se na Arábia Saudita, que nega seguidamente os pedidos de extradição da Justiça ugandense. É responsabilizado pela morte de 300.000 pessoas.

Hissène Habré (ditador do Chade de 1982 a 1990) – Acusado de 40 000 assassinatos e 200 000 casos de tortura, Habré vivia foragido desde 1990 em Dacar, capital do Senegal. Ele foi preso, a pedido do governo do Chade, no início do mês passado.

Mengistu Haile Mariam (ditador da Etiópia de 1976 a 1991) – Responsável pela morte de 10 000 pessoas – entre elas toda a família real – durante a ensandecida tentativa de implantação de um regime comunista, Mariam vive no Zimbábue.