Edição 1 640 - 15/3/2000

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Eleita: a maior celebridade do mundo a atriz Julia Roberts, 32 anos. Elaborada pela revista americana Forbes, a lista dos dez artistas mais poderosos dos Estados Unidos não leva em conta apenas quanto cada um ganhou durante o ano, mas sua presença na mídia. Se o dinheiro fosse a única referência, Julia estaria em 12º lugar, com 50 milhões de dólares. A primeira posição seria do diretor e produtor de cinema George Lucas, com 400 milhões de dólares, pela última versão de Guerra nas Estrelas. Lucas, no entanto, apareceu em apenas uma reportagem de capa importante, conforme os critérios da Forbes. Julia, em sete. No ano passado, a atriz estrelou Um Lugar Chamado Notting Hill e Noiva em Fuga. Participou ainda do filme Erin Brockovich, com o qual se transformou na primeira mulher a ultrapassar a barreira dos 20 milhões de dólares de cachê. Dia 3, em Nova York.

 

Acidentou-se: o apresentador de televisão Gugu Liberato, 40 anos. Durante um banho de mar em uma praia baiana, ele foi pego de surpresa por uma onda e, ao ser jogado contra a areia, fraturou o ombro direito. Gugu deve ficar com o braço imobilizado por três semanas. Dia 6, em Caraíva, na Bahia.

 

Requisitados: pelo Ministério Público federal os documentos de compra de um apartamento de luxo no Rio de Janeiro, em nome da cineasta Norma Bengell, adquirido pouco depois de ela ter captado dinheiro para a produção do filme O Guarani. Os documentos foram revelados por VEJA, em reportagem publicada na edição passada. O próximo passo será a quebra de sigilo bancário e fiscal da cineasta. O Ministério Público quer saber se Norma Bengell tinha, na época, recursos próprios para comprar um apartamento avaliado em mais de 1 milhão de reais. A cineasta também está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União por ter emitido notas frias no valor de 1,3 milhão de reais. As notas serviram para justificar parte dos gastos com o filme. Dia 10, no Rio de Janeiro.

 
Gal Oppido

Alexandre Pires: homicídio culposo

Indiciado: por homicídio culposo o pagodeiro Alexandre Pires, 24 anos, do grupo Só pra Contrariar. No início de fevereiro, na cidade mineira de Uberlândia, o jipe Cherokee do cantor bateu na motocicleta do vendedor José Alves Sobrinho. Poucos dias depois, Sobrinho morreu. Pelo laudo da perícia, Pires dirigia acima do limite de velocidade permitido no local. Dia 9, em Uberlândia.

 

Pedido: pelo juiz chileno Juan Guzmán a suspensão da imunidade parlamentar do ex-ditador Augusto Pinochet, 84 anos. O general voltou ao Chile no último dia 3 depois de mais de um ano e meio em prisão domiciliar na Inglaterra. Hoje, ele ocupa o cargo de senador vitalício, posição criada por ele próprio quando detinha o poder, entre 1973 e 1990. Encarregado de examinar as 66 ações existentes no Chile contra Pinochet, Guzmán diz já ter provas suficientes para processar o general por crimes cometidos durante seu governo. O resultado da solicitação, estima-se, deve sair em dois meses. Dia 6, em Santiago.

 

Nasceu: de parto normal, com 52 centímetros e 3,9 quilos, Miguel Borges. O menino é o primeiro filho da atriz Julia Lemmertz, 36 anos, e do ator Alexandre Borges, 34 anos, juntos desde 1993. Do primeiro casamento, com o produtor de TV Álvaro Osório, Julia teve Luiza, hoje com 11 anos. Dia 3, no Rio de Janeiro.

 
Luis Humberto

Lucy Geisel, em 1974:
morte em acidente


Morreram:
Lucy Markus Geisel, viúva do general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979. Nascida no Rio Grande do Sul, Lucy foi uma das primeiras-damas mais discretas que o país já conheceu. Primos em primeiro grau, Lucy e Geisel se casaram em 1940, quando o ex-presidente tinha 32 anos. Tiveram dois filhos: Orlando, morto em 1957, aos 16 anos, atropelado por um trem, e Amália Lucy, hoje com 55 anos. Dia 3, aos 82 anos, em um acidente de carro, no Rio de Janeiro.

.o radialista Benjamin Wright. Um dos fundadores da Rádio Nacional, Wright foi um dos mais premiados comentaristas esportivos das décadas de 50 e 60. É de sua autoria a célebre frase: "O futebol é uma caixinha de surpresas". Dia 4, aos 80 anos, de falência múltipla dos órgãos, no Rio de Janeiro.

 

Condenado: a 45 anos de prisão o general croata Tihomir Blaskic, 39 anos. A pena foi a maior já determinada pelo tribunal criado pela ONU para julgar os crimes de guerra na ex-Iugoslávia, entre 1992 e 1994. Blaskic é acusado de ter participado pessoalmente de vários massacres, como o da aldeia de Ahmici, em 1993, em que morreram mais de 100 muçulmanos. Dia 3, em Haia, na Holanda.

 

Recusado: pelo presidente francês Jacques Chirac o pedido de perdão ao colaborador nazista Maurice Papon, de 89 anos. Em 1998, ele foi condenado a dez anos de prisão acusado de crimes contra a humanidade. Funcionário no governo de Vichy na cidade de Bordeaux, ele ajudou na deportação de 1.590 judeus para o campo de extermínio de Auschwitz. Depois da condenação, ele chegou a fugir para a Suíça, mas acabou preso e extraditado no ano passado. Dia 7, em Paris.

 

Doutor em futebol

O médico e cartola Arnaldo Santiago morreu na última terça, 7, aos 63 anos, vítima de um infarto fulminante enquanto jogava basquete com um grupo de amigos no clube Caiçara, no Rio de Janeiro. Ele tornou-se uma figura conhecida no futebol brasileiro depois de integrar a comissão técnica da seleção em 1985 e presidir o Fluminense entre 1993 e 1995, pouco antes da decadência do clube. Sob seu comando, o time ganhou o último título importante, o campeonato estadual carioca de 1995. A conquista ficou celebrizada na memória dos torcedores por ter ocorrido contra o arqui-rival Flamengo nos minutos finais da partida, graças a um gol de barriga do artilheiro Renato Gaúcho. Nascido em Araçatuba, no interior de São Paulo, Santiago formou-se médico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e iniciou carreira como ortopedista no Bangu, um pequeno clube do interior do Estado. Em seguida, já no final da década de 60, transferiu-se para o Vasco, onde ficou até 1972. Deixou o emprego depois de tentar barrar a escalação de um dos craques do time na época, o meio-campista Tostão. O médico era contra a liberação do jogador por causa dos problemas na retina que o incomodavam desde a Copa de 1970. Perdeu a briga e mudou-se para o Fluminense, onde fez carreira até chegar ao posto de presidente.



Mártires e beatos

Em 1645, durante o domínio holandês no Nordeste, os vilarejos de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, foram palco de duas chacinas pavorosas. Holandeses e seus aliados indígenas mataram 150 católicos. Mais de três séculos depois, no domingo 5, trinta deles foram beatificados pelo papa João Paulo II. São os primeiros beatos mártires do Brasil. Essa é a última etapa antes de se iniciar o processo de canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu. Os 28 colonos e dois padres foram beatificados porque se conseguiu provar — por documentos e relatos históricos — que a morte deles foi em defesa da fé católica, violenta, imposta por ódio e aceita pela vítima. O processo de beatificação dos mártires do Rio Grande do Norte corria no Vaticano desde 1993.