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Educação
Já vale a pena fazer pós a distância
Boas universidades e tecnologia
dão credibilidade a cursos on-line 
Ruth Costas
Lailson Santos  | Miriam
Fichtner/Pluf Fotog  |
| A psicóloga Solange,
ao lado, mora em Viena, e o psiquiatra Alfredo, acima, em Pelotas: ambos estudam
em São Paulo |
Até o fim da década
passada, o ensino a distância era visto como educação de segunda
classe no Brasil. A oferta era limitada a cursos técnicos de nível
médio ou supletivos. A metodologia resumia-se ao envio de pilhas e pilhas
de apostilas ao aluno, para ser lidas na mais completa solidão. As dúvidas
eram resolvidas em breves ligações telefônicas e as provas,
feitas em casa e mandadas aos professores pelo correio. Duas mudanças alteraram
para melhor o conceito do ensino a distância. Em 2001, o Ministério
da Educação regulamentou o ensino de pós-graduação
a distância, e universidades de primeira linha passaram a oferecer cursos
de especialização semipresenciais isto é, o aluno
só vai à faculdade para fazer provas ou assistir a aulas práticas.
Entre as dezesseis faculdades de administração que receberam cinco
estrelas no Guia do Estudante Melhores Universidades 2006 (da Editora
Abril, que publica VEJA), três oferecem cursos de especialização
a distância. A outra mudança
está relacionada à metodologia. Hoje, a maior parte das faculdades
se vale da internet para ministrar aulas e combina formas de comunicação
variadas para tornar o ensino mais dinâmico e menos solitário. Algumas
escolas chegam a desenvolver jogos virtuais, que simulam situações
em que a teoria aprendida nas aulas pode ser testada. Como em um curso convencional,
os alunos são divididos em turmas, com a diferença de que as salas
de aula são de bate-papo on-line. Nelas, eles podem discutir uns com os
outros e fazer perguntas ao professor. Há também aulas transmitidas
ao vivo pela internet ou pela TV, via satélite, e fóruns de debate
por e-mail. A psicóloga Solange
Stevens, paulista que mora em Viena, na Áustria, é aluna de MBA
na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Dos tempos da faculdade,
ela sente falta do contato direto com os colegas, da conversa na hora do café
mas acha que as facilidades de estudar a distância compensam. "Como
a tecnologia permite aos alunos interagir uns com os outros, não falta
estímulo para continuar estudando", comenta Solange. O número de
estudantes brasileiros matriculados em programas de pós-graduação
semipresenciais ultrapassa 60.000, três vezes mais do que o existente em
2002. "A quantidade de interessados nos cursos on-line dobra cada vez que abrimos
novas turmas", diz Carlos Longo, coordenador do FGV On-line, programa de ensino
a distância da instituição no Rio de Janeiro. Só a
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que há
quatro anos oferece cursos a distância de especialização e
extensão em áreas como direito ambiental e psicologia, já
entregou diplomas a mais de 5 000 alunos.
Há também uma centena de cursos de graduação a distância
ou seja, o curso universitário completo , mas raros já
diplomaram a primeira turma. Por esse motivo ainda não usufruem a mesma
respeitabilidade conquistada pela pós on-line. Por enquanto, os cursos
existentes são apenas de pós-graduação lato sensu
valem como especialização, mas não como mestrado nem
doutorado. Uma mudança na legislação, à espera de
regulamentação, permitirá a formação de mestres
e doutores em cursos semipresenciais. O principal atrativo dessa modalidade de
ensino é a possibilidade de estudar em uma boa universidade sem mudar de
cidade ou viajar toda semana. "Não precisei modificar minha rotina e ainda
consigo estudar em uma instituição que é referência
na área em que estou me especializando", diz o psiquiatra Alfredo Lhullier,
que vive em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e faz curso sobre dependência
química na Universidade Federal de São Paulo. Os cursos semipresenciais
também costumam ser mais baratos que os convencionais. A versão
a distância da FGV de São Paulo custa 14.900 reais, metade do preço
cobrado no sistema convencional. A mesma lógica aplica-se aos cursos on-line
em universidades européias e americanas. Um mestrado a distância
na Universidade de Oxford, na Inglaterra, por exemplo, custa o equivalente a 50.000
reais. Os cursos no exterior, contudo, são pouco procurados por brasileiros
estima-se que os estudantes não passem de 300. A razão é
a legislação: o MEC dificulta o reconhecimento de diplomas obtidos
dessa forma lá fora. |