Edição 1943 . 15 de fevereiro de 2006

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Educação
Já vale a pena fazer
pós a distância

Boas universidades e tecnologia
dão credibilidade a cursos on-line


Ruth Costas

 
Lailson Santos
Miriam Fichtner/Pluf Fotog

A psicóloga Solange, ao lado, mora em Viena, e o psiquiatra Alfredo, acima, em Pelotas: ambos estudam em São Paulo


EXCLUSIVO ON-LINE
Quem oferece cursos

Até o fim da década passada, o ensino a distância era visto como educação de segunda classe no Brasil. A oferta era limitada a cursos técnicos de nível médio ou supletivos. A metodologia resumia-se ao envio de pilhas e pilhas de apostilas ao aluno, para ser lidas na mais completa solidão. As dúvidas eram resolvidas em breves ligações telefônicas e as provas, feitas em casa e mandadas aos professores pelo correio. Duas mudanças alteraram para melhor o conceito do ensino a distância. Em 2001, o Ministério da Educação regulamentou o ensino de pós-graduação a distância, e universidades de primeira linha passaram a oferecer cursos de especialização semipresenciais – isto é, o aluno só vai à faculdade para fazer provas ou assistir a aulas práticas. Entre as dezesseis faculdades de administração que receberam cinco estrelas no Guia do Estudante – Melhores Universidades 2006 (da Editora Abril, que publica VEJA), três oferecem cursos de especialização a distância.

A outra mudança está relacionada à metodologia. Hoje, a maior parte das faculdades se vale da internet para ministrar aulas e combina formas de comunicação variadas para tornar o ensino mais dinâmico e menos solitário. Algumas escolas chegam a desenvolver jogos virtuais, que simulam situações em que a teoria aprendida nas aulas pode ser testada. Como em um curso convencional, os alunos são divididos em turmas, com a diferença de que as salas de aula são de bate-papo on-line. Nelas, eles podem discutir uns com os outros e fazer perguntas ao professor. Há também aulas transmitidas ao vivo pela internet ou pela TV, via satélite, e fóruns de debate por e-mail.

A psicóloga Solange Stevens, paulista que mora em Viena, na Áustria, é aluna de MBA na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Dos tempos da faculdade, ela sente falta do contato direto com os colegas, da conversa na hora do café – mas acha que as facilidades de estudar a distância compensam. "Como a tecnologia permite aos alunos interagir uns com os outros, não falta estímulo para continuar estudando", comenta Solange. O número de estudantes brasileiros matriculados em programas de pós-graduação semipresenciais ultrapassa 60.000, três vezes mais do que o existente em 2002. "A quantidade de interessados nos cursos on-line dobra cada vez que abrimos novas turmas", diz Carlos Longo, coordenador do FGV On-line, programa de ensino a distância da instituição no Rio de Janeiro. Só a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que há quatro anos oferece cursos a distância de especialização e extensão em áreas como direito ambiental e psicologia, já entregou diplomas a mais de 5 000 alunos.

Há também uma centena de cursos de graduação a distância – ou seja, o curso universitário completo – , mas raros já diplomaram a primeira turma. Por esse motivo ainda não usufruem a mesma respeitabilidade conquistada pela pós on-line. Por enquanto, os cursos existentes são apenas de pós-graduação lato sensu – valem como especialização, mas não como mestrado nem doutorado. Uma mudança na legislação, à espera de regulamentação, permitirá a formação de mestres e doutores em cursos semipresenciais. O principal atrativo dessa modalidade de ensino é a possibilidade de estudar em uma boa universidade sem mudar de cidade ou viajar toda semana. "Não precisei modificar minha rotina e ainda consigo estudar em uma instituição que é referência na área em que estou me especializando", diz o psiquiatra Alfredo Lhullier, que vive em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e faz curso sobre dependência química na Universidade Federal de São Paulo. Os cursos semipresenciais também costumam ser mais baratos que os convencionais. A versão a distância da FGV de São Paulo custa 14.900 reais, metade do preço cobrado no sistema convencional. A mesma lógica aplica-se aos cursos on-line em universidades européias e americanas. Um mestrado a distância na Universidade de Oxford, na Inglaterra, por exemplo, custa o equivalente a 50.000 reais. Os cursos no exterior, contudo, são pouco procurados por brasileiros – estima-se que os estudantes não passem de 300. A razão é a legislação: o MEC dificulta o reconhecimento de diplomas obtidos dessa forma lá fora.

 

Montagem sobre foto Rubberball
 
 
 
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