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Cartas
 | "Antigamente,
dizia-se que política, futebol e religião não se discutem.
Hoje, vemos a falta de tolerância quando o assunto é religião."
Ademir Ferreira Brandão Lagoa
Formosa, MG | Choque
de culturas A reação violenta
à publicação de charges sobre Maomé me fez lembrar
de O Nome da Rosa. No magistral livro de Humberto Eco, cujo enredo se passa
na Idade Média, diversos monges são sucessivamente assassinados
pelo superior de um convento, simplesmente por terem lido o então proibido
Livro do Riso, de Aristóteles. O potencial revolucionário
do riso, por questionar dogmas, paradigmas, valores e nos fazer ver quão
obtusos nós somos às vezes, está causando mortes em pleno
século XXI. É preocupante que o nosso mundo, em decorrência
do fundamentalismo religioso, esteja cada vez mais mal-humorado. Túllio
Marco Soares Carvalho Belo Horizonte, MG
As caricaturas de Maomé, assim como as que se fazem do Cristo, não
podem ser confundidas com liberdade de imprensa, pois não são
são, na verdade, libertinagem, que só leva a mais guerra. As guerras
começam assim. A liberdade de imprensa não pode virar um fundamentalismo
cego. Alexandre Bastos Salvador, BA
O desafio de que nos fala VEJA, que é fazer com que o abismo entre o Islã
e o Ocidente pare de crescer, é inalcançável. O mundo islâmico
é ressentido com o Ocidente. Friedrich Hayek, Nobel de Economia, um dos
maiores pensadores liberais do século XX, dizia em seu livro The Constitution
of Liberty que "as realizações de nossa civilização
chegaram a ser objeto de inveja e desejo de todo o resto do mundo". Helga
Maria Saboia Bezerra Oviedo, Astúrias, Espanha
O sentimento de religiosidade é uma das coisas mais profundas e antigas
no ser humano: todos os povos o possuem. É o fato civilizador mais profundo
que temos. Os ideais religiosos são a base normativa do funcionamento social
e é através deles que todo o sistema legal escrito ou oral
dos povos é estruturado. Quando se faz uma caricatura do profeta
Maomé, o que é estritamente proibido pela religião muçulmana,
ofende-se a todos os muçulmanos, e não apenas àqueles que,
sob nosso ponto de vista, se comportam inadequadamente no seio da sociedade humana
os fanáticos e os terroristas. Magdalena Souto da Silva
Florianópolis, SC O exercício
do bom jornalismo não se limita a relatar e a analisar os fatos, mas também
a antecipá-los. Parabéns a VEJA pela profética matéria
"Choque de culturas". Além dos nossos olhares, as saias da tenista indiana
Sania Mirza (foto na pág. 70) atraíram uma fatwa dos mulás,
cujo significado é qual mesmo? Aristides de La Plata Cury São
Paulo, SP Em tempos de conflitos
mundiais, as charges de Maomé deveriam ser evitadas. Fico imaginando qual
seria a reação dos cristãos com a publicação
de um eventual desenho de Jesus Cristo caricaturado com o nariz de Pinóquio
na cena da multiplicação dos pães. Ricardo Geribello
Anders Curitiba, PR Tive
a curiosidade de olhar as tais charges na internet e não vi nada de mais
nelas. Pobre chargista. No fundo, só está sendo espezinhado em praça
pública porque ousou criticar, com seu traço, o fanatismo religioso
que impera pelas bandas do Oriente Médio. Quanto retrocesso. Gustavo
Henrique de Brito Alves Freire Recife, PE Como
católico, obviamente eu não incitaria a violência, mas também
não gostaria de ver piadas maldosas em charges sobre Nossa Senhora Aparecida.
Liberdade de expressão está sendo confundida com outra coisa.
Guido José Denipotti Ilha Solteira, SP
Impossível acreditar num Deus que exija veneração constante,
fanática, cega e, em nome de seu ego, pregue o sacrifício da tolerância,
da vida e principalmente da paz. Cleylton Mendes Passos Linhares,
ES Os cartunistas europeus que desenharam
charges satirizando o profeta Maomé, mesmo não sendo muçulmanos,
desrespeitaram o dogma islâmico, que não permite a reprodução
de imagens do profeta, o que atiçou a ira dos fundamentalistas de plantão.
Desse infeliz episódio, fica a lição de que o direito à
livre expressão artística e de opinião deve ser exercido
respeitando-se credos, etnias, opções sexuais e convicções
políticas e filosóficas. Otto Carneiro de Lima Niterói,
RJ Se Deus realmente existe, duvido
que concorde com as manifestações radicais de religiosos que se
julgam seus seguidores. Marcelo Finkler Marau, RS
Apesar de condenar a violência dos protestos, solidarizo-me com os muçulmanos
em sua indignação ante as charges contra Maomé. Fernando
Cavalcanti Recife, PE Sou
favorável à liberdade de expressão. Pessoas inteligentes
sabem distinguir o que é ofensivo, dado que os fanáticos religiosos
não conseguem discernir. Não quero entrar na questão se o
Ocidente é melhor que o mundo muçulmano só que respeitamos
opiniões e sabemos conviver com as múltiplas diferenças.
Valter Goulart São Paulo, SP
O que falta no mundo é respeito. Nascemos diferentes, e isso não
é por acaso. Devemos respeitar todas as raças, todos os credos,
todas as pessoas. Esses episódios somente reforçam os atritos e
fazem explodir situações e sentimentos há muito tempo nutridos
com base na intolerância. Marcus Vinicius da Costa Moreira Florianópolis,
SC Nelson Jobim
A Carta ao leitor "Uma aliança suspeita" (8 de fevereiro)
denunciou o comportamento nada ortodoxo do presidente do STF. O texto relembra,
também, os recentes episódios vergonhosos no Congresso relacionados
com o chamado mensalão. Quanto a este, é interessante notar a presteza
com que a administração federal reagiu à época, orientando
os acusados para que explicassem os pagamentos como caixa dois para cobrir dívidas
de campanha. Essa estratégia foi insistentemente aplicada no intuito de
tentar reduzir o episódio a um crime menor, crime eleitoral, bem mais tolerado
por nossa cultura que a (im)pura e simples propina para enriquecimento pessoal
ilícito. E não é que a idéia pegou? Observo, no entanto,
um fato bastante curioso: ninguém se interessou, nem investigadores nem
acusados, em exigir ou exibir os comprovantes dessas dívidas e de seu pagamento.
Se na ocasião apropriada, nem mesmo até o momento, os acusados não
se apressaram em apresentar esses comprovantes, sou levado a firmar a convicção
de que tudo não passou mesmo de mensalão para enriquecimento ilícito.
Harley Paiva Martins João Pessoa, PB
Queremos cumprimentar VEJA pela Carta ao leitor da edição 1.942.
É preciso mesmo denunciar o aparelhamento partidário do Judiciário.
Agora queremos fazer um reparo. As reuniões que Jobim vem mantendo com
lideranças do PMDB, admitidas publicamente pelo presidente do Senado e
pelo presidente do PMDB, em busca da viabilização de sua candidatura
ou de sua aceitação pelo partido, são nítido exercício
de atividade político-partidária, que é expressamente vedado
aos juízes pelo artigo 95, parágrafo único da Constituição
da República. Como se não bastasse, a Lei Orgânica da Magistratura
Nacional também proíbe o exercício de atividade político-partidária
por parte dos magistrados em seu artigo 26, inciso II, alínea C. E, por
fim, o artigo 39, Lei nº 1079/1951, considera crime de responsabilidade o
exercício de atividade político-partidária pelo ministro
do Supremo Tribunal Federal. Portanto, tais movimentos do ministro Jobim violam
diretamente as leis do país, a começar pela Constituição
da República. Caramuru Afonso Francisco São Paulo,
SP Edson Vidigal
Sobre o quadro "Sou como jogador de futebol famoso" (8 de fevereiro), a assessoria
de comunicação social do Superior Tribunal de Justiça esclarece
que o ministro Edson Vidigal possui residência fixa em sua cidade natal,
Caxias, no sertão do Maranhão, e, em razão de seus deveres
na presidência do STJ, tem viajado por todos os estados, mas não
tem ido à sua terra com a freqüência que gostaria. No Maranhão
há mais de 5,5 milhões de habitantes. A Justiça Federal estava
apenas na capital e com uma Vara em Imperatriz, na Região Sul. A localização,
numa jurisdição de cerca de trinta municípios, da Justiça
Federal, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal,
da Receita Federal e outros órgãos da União Federal que ali
estão para dar garantias às comunidades desprotegidas e carentes
de segurança e justiça é mostrada como ação
negativa do ministro Vidigal. O projeto, batizado de Cidade Judiciária,
foi possível porque o estado, há mais de dois anos, desapropriou
a área e a entregou em lotes, plano diretor e obras de infra-estrutura
a cada órgão envolvido. A idéia está inspirando projetos
idênticos em outros estados. Quanto aos livros, o título Assim
Falou Vidigal remonta ao movimento estudantil no qual Edson Vidigal foi ativista
e, por isso, cassado quando vereador e preso em abril de 1964. Seu primeiro contato
com o tema reforma agrária se deu pela obra Assim Falou Julião,
coletânea de entrevistas de Francisco Julião, advogado das Ligas
Camponesas no Nordeste. O primeiro livro entregue ao editor foi Sem Segredo
de Justiça, destinado a estudantes de direito, já que o ministro
é também professor licenciado da UnB. Sabendo que havia mais material,
sugeriu separá-lo por temas, surgindo daí mais três livros.
Luiz Adolfo Pinheiro Assessoria de comunicação social
do STJ Brasília, DF Justiça
O novo presidente do Tribunal de Justiça
da Bahia, Benito Figueiredo, ao tomar posse, assinou portaria determinando que
todo servidor atingido pela Resolução nº 7 do CNJ declare essa
situação por escrito até o dia 10 de fevereiro. Quanto à
sua filha, funcionária de carreira do Tribunal Regional do Trabalho, foi
devolvida ao TRT no dia 30 de janeiro último. Carlos Navarro
Filho Assessor de Comunicação Social do TJ Bahia Salvador,
BA Lya Luft
Com relação ao texto "O gato comeu" (Ponto de vista, 8 de fevereiro),
pior do que ter a consciência de tudo o que o gato comeu, é saber
que o gato comilão está alojado nas dependências do Congresso
Nacional, protegido por aqueles que foram eleitos pelo povo, e com a colaboração
escancarada do presidente Lula, que se aliou ao presidente do STF, o ministro
Nelson Jobim, que deveria ser o guardião maior das leis e da ética
neste país, para acobertar, de forma vergonhosa, o desaparecimento do gato.
William Pereira da Silva Júnior Araguaína, TO
Os princípios de ética,
moral, honestidade, tudo aquilo que nos ensinaram está sendo devorado pelo
"gato" matreiro. As convenções e as normas não são
mais para ser cumpridas. Socorro Nunes Correia Fortaleza, CE
Incrível como Lya Luft fez
todas as perguntas que a gente se faz! Como pode tudo ficar por isso mesmo? E
o Lula subindo nas pesquisas. Eileen Mace Altmayer Rio Grande,
RS Dívida pública
A reportagem "Vai doer, mas não tem
jeito" (8 de fevereiro) retrata um quadro de falência do Estado provocado
por diversos fatores. A dívida pública precisa ser combatida, os
dispositivos de segurança quanto à aplicação dos recursos
devem ser melhorados e a punição dos responsáveis pela "gastança"
tem de ser implementada. Não creio que o Brasil possa sofrer tanto num
eventual ambiente de austeridade real e honesta, com a participação
de todos, pois nestes últimos anos temos sentido diversas "dores", sem
direito a anestesias. Elvio Antonio Gonçalves São
Paulo, SP Agora entendi o motivo da
histórica repulsa dos petistas ao FMI. É que o Fundo empresta dinheiro
e fiscaliza, rigorosamente, as contas do país devedor. Fica cada vez mais
claro que esse pessoal que está no governo gosta mesmo é de fazer
festa com dinheiro público. Adalberto Alves de Matos Barra
do Garças, MT No artigo
"Vai doer, mas não tem jeito" foi apresentado didaticamente o quadro "A
ilusão do superávit" e, ao lado, "Como o superávit vira déficit"
(páginas 56 e 57), mas, para que o leitor faça uma análise
mais produtiva, deveria ser subtraída do montante dos juros a receita de
mais de 20% obtida pelo governo sobre os mesmos. Assim, o superávit do
governo federal seria bem menor, cerca de 24 bilhões, e não 55,74.
Da mesma forma, os juros (líquidos) também seriam menores, cerca
de 125,40 bilhões, e não 157,14. O total do déficit, infelizmente,
não mudaria, mas os leitores perceberiam que, afinal, a economia produzida
pelo governo federal foi menos da metade do anunciado, e que é preciso
cortar os gastos, sem usar os "juros estratosféricos" como desculpa para
não fazê-lo. Márcio da Cruz Leite Itu, SP
Beijos
Faço parte do rol de profissionais que vêem na moda do beijo em série
motivo suficiente para se preocupar. Sabe-se hoje que a brincadeira e o jogo são
recursos importantes de aprendizagem. Beijar várias mulheres em uma noite
é exercitar a falta de respeito ao outro, é não dignificar
uma relação. Não se pode exigir depois de adulto que esses
adolescentes tenham um comportamento diferente, uma vez que não tiveram
oportunidade de viver nem de praticar uma relação de respeito ("Vinte
beijos numa noite...", 8 de fevereiro). Maria da Fátima Pires
Carneiro da Cunha Maringá, PR
Paixão Estava lendo o artigo "Prazo
de validade da paixão: 2 anos" (8 de fevereiro), que dizia que pesquisa
publicada por uma revista científica britânica prova que a paixão
tem prazo de validade. Pensei na hora: "Não é à toa que foi
lá na Inglaterra; queria ver se tivessem feito lá em casa". Neste
ano faço dez anos de casado e tenho orgulho de ser uma exceção
estar casado e continuar apaixonado. Ilson Schames Por
e-mail Paul Ehrlich
Congratulo-me com a revista VEJA pela importante
e oportuna entrevista com o demógrafo Paul Ehrlich (Amarelas, 8 de fevereiro).
Se entrevistarmos a população sobre as prioridades nacionais, as
divergências serão enormes, variando entre educação,
segurança, saúde, fome, justiça, emprego etc. Segundo projeções
do IBGE, em 2020 seremos 220 milhões de brasileiros. Mais 33 milhões
em ação, dos quais, acredito, pelo menos 20 milhões engrossarão
as fileiras dos famintos, assaltantes, sem-terra, sem-teto. Para planejar o atendimento
às verdadeiras prioridades nacionais teremos de limitar o universo a ser
considerado e o controle da natalidade torna-se prioridade absoluta. Ana
Lucia Cunha Ferraz de Paiva Geógrafa da Secretaria Estadual
de Educação São Paulo, SP Fantástica
a entrevista com o demógrafo Paul Ehrlich, que nos traz um alerta coerente
e consistente sobre o crescimento da população mundial. Com o planeta
cada vez mais desigual, onde as classes sociais se distanciam cada vez mais e
a natureza é explorada sem limites, só existirá uma solução:
o controle da população para que todos possam ter uma vida e um
mundo melhores. Marcelo Ribeiro Lisboa Itajubá, MG
Mozart
Como estudiosa e admiradora de Mozart, desejo expressar meu ponto de vista acerca
das alegações do crítico inglês Norman Lebrecht. Enquanto
Mozart ocupar o mais alto lugar no pódio da genialidade musical, sempre
surgirá algum medíocre que queira destituí-lo desse posto
("O lado B do gênio", 8 de fevereiro). Léa Picelli
Mogi das Cruzes, SP
Tales Alvarenga Fiquei chocado ao tomar conhecimento
do falecimento de Tales Alvarenga. Pesaroso, meu primeiro pensamento foi: "Mas
logo agora, Tales, quando o Brasil e todos os que têm vergonha na cara precisávamos
tanto de você? Justo no momento em que o país atravessa a maior crise
moral de sua história, você se vai? Logo você, que era um dos
principais guerreiros que lutavam brava e destemidamente em favor da moralidade,
da decência e da ética na condução dos assuntos de
Estado e que tinha, aliado ao seu brilhante pensamento e à sua imensa capacidade
de discernimento, um extraordinário talento para transformar em artigos
de fácil compreensão aquilo que os homens de bom caráter,
integridade moral e sensibilidade gostam de ler, nos deixa? Você nos deixou,
Tales, num momento crucial, quando mais precisávamos de você. Vai
ser duro, difícil mesmo, aceitar sua ausência. Otacílio
M. Guimarães Salvador, BA
Tales Alvarenga lançava em VEJA uma lucidez de escassas comparações.
A cada edição, a revista fazia avançar o jornalismo brasileiro
em direção ao que é feito de mais sofisticado no mundo. A
prosa afiada de Tales denunciava as retóricas rasteiras com a elegância
de quem jamais desce ao nível do oponente. Estava em sintonia com a vanguarda
do pensamento liberal sem abandonar a solidez do bom senso. Espero que VEJA siga
seu legado, para que continuemos a dizer por muitos anos: obrigado, Tales. Diogo
Costa Petrópolis, RJ
Num trecho da poesia de Carlos Drummond de Andrade, Morte do Leiteiro,
encontramos nos primeiros versos: "Há pouco leite no país, é
preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é
preciso entregá-lo cedo". Tales Alvarenga era um verdadeiro leiteiro, um
dos meus prediletos. Sua crítica consciente e bem tecida sobre a atual
conjuntura política do país e do mundo nos alimentava de todos os
nutrientes para uma boa saúde mental, neste país de muitos alienados.
Antonio Elirio Souza Barreto Feira de Santana, BA
Os fundadores do Jornal da Tarde, que completou quarenta anos, fizeram
um encontro de confraternização no último dia 28. Tales desculpou-se
pela ausência e nos mandou uma carinhosa mensagem, calculando uma internação
hospitalar por três dias. Falou em saudades da velha turma, da qual muitos
saíram para VEJA. Agora as saudades são todas nossas. Percival
de Souza São Paulo, SP
Tales Alvarenga acaba de se transformar em nosso mais novo, e confiável,
correspondente no céu. Alfredo Stoianov Ribeirão
Preto, SP
CORREÇÕES:
O principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido
de carbono (CO2), e não o monóxido de carbono ("O ano mais quente",
8 de fevereiro). • É Jaqueline Mourão, e não Isabel
Clark, a atleta olímpica brasileira casada com um canadense ("Carnaval
na neve", 8 de fevereiro).
| Reforma fiscal e dor de dente
Dezenas
de cirurgiões-dentistas escreveram para a redação para reclamar
da foto que ilustra a matéria "Vai doer, mas não tem jeito" (8 de
fevereiro), sobre o doloroso e necessário corte de gastos governamentais
para diminuir a dívida pública no Brasil. "Realmente doeu, pois
a foto estampada na reportagem é do século passado. Hoje, as extrações
são feitas como último recurso na odontologia e são indolores,
com o uso de anestésicos potentes e outros recursos. O boticão repousa
no Museu de Odontologia de São Paulo", escreveu o paulistano Sebastião
Rios Pinto Filho. Para Marco Aurélio Veiga de Melo, de Juiz de Fora, a
publicação da foto "contribui de forma negativa para aumentar o
medo dos pacientes". Segundo ele, os profissionais da odontologia tentam a todo
custo acabar com esse medo associado aos tratamentos dentários. "A reportagem
seria mais bem ilustrada com imagem do Leão da Receita Federal. Este, sim,
dói no nosso bolso, e dele não tem jeito de fugir", escreveu Veiga
de Melo. | |
| O direito ao silêncio
O
artigo "No país dos decibéis" (Ponto de vista, 1º de fevereiro),
de Claudio de Moura Castro texto mais comentado da edição
1.941 , recebeu mais de uma centena de manifestações de apoio
dos leitores. O carioca José Luiz de Jesus Salgado escreveu para indicar
o endereço de internet www.chegadebarulho.com,
"o site para quem está cansado de ser incomodado", cujo objetivo é
"facilitar a solução dos problemas de quem vive às voltas
com barulhos indesejáveis". "No dia 7 de maio, Dia do Silêncio, organizaremos
um grande movimento para alertar pessoas e autoridades sobre esse mal que atinge
todos nós", diz Salgado. Em Pernambuco, o deputado Augusto Coutinho criou
a Lei do Ruído. "Nela estão previstas multas, apreensão de
aparelhos e interdição de estabelecimentos para quem ultrapassar
os limites sonoros recomendados pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas. A Polícia Militar do estado, já devidamente aparelhada,
é responsável por atender às queixas, fiscalizar e coibir
infrações." | |
| O celular do ministro
Na
última edição de VEJA, a coluna Radar publicou o número
do telefone celular do ministro das Cidades, Márcio Fortes. A maioria dos
ocupantes de cargos públicos ficaria furiosa com a divulgação
de seu celular. O ministro, que passou a semana inteira atendendo ligações,
adorou a experiência. "Virei o ouvidor-geral do ministério", diz
Fortes, que até a semana passada havia recebido 700 chamadas. Oficialmente,
a função, destinada a atender o público em geral, não
existe em sua pasta. A bateria de telefonemas começou na tarde de sábado
e se estendeu até o início da madrugada de domingo. Fortes não
deixou de atender o celular nem mesmo durante seu passeio de fim de tarde na Praia
do Leblon, no Rio de Janeiro. Enquanto respondia a uma ligação,
sua mulher, Elma, anotava as chamadas que não eram atendidas. Em seguida,
o ministro as retornava: "Aqui é Márcio Fortes. Queria saber em
que posso ajudar". Nas ligações, prefeitos, vereadores e cidadãos
comuns reclamaram verbas para projetos municipais, queixaram-se de falta de asfalto,
do preço do azulejo e até de árvores que invadiam a casa
deles. Outros telefonemas tiveram caráter pessoal. Uma senhora lhe deu
sugestões sobre como aparecer na TV. Outra queria saber se ele é
casado. Às 7h20 da segunda-feira, um cidadão ligou para o ministro
apenas para confirmar se o número (61) 9994-5527 era dele de fato e para
checar a credibilidade da revista. Quem quiser entrar em contato com Fortes também
pode escrever para o e-mail marcio.fortes@cidades.gov.br.
Ele responde. | | |