Edição 1943 . 15 de fevereiro de 2006

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André Petry
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Cartas

 
"Antigamente, dizia-se que política, futebol e religião não se discutem. Hoje, vemos a falta de tolerância quando o assunto é religião."
Ademir Ferreira Brandão
Lagoa Formosa, MG

Choque de culturas

A reação violenta à publicação de charges sobre Maomé me fez lembrar de O Nome da Rosa. No magistral livro de Humberto Eco, cujo enredo se passa na Idade Média, diversos monges são sucessivamente assassinados pelo superior de um convento, simplesmente por terem lido o então proibido Livro do Riso, de Aristóteles. O potencial revolucionário do riso, por questionar dogmas, paradigmas, valores e nos fazer ver quão obtusos nós somos às vezes, está causando mortes em pleno século XXI. É preocupante que o nosso mundo, em decorrência do fundamentalismo religioso, esteja cada vez mais mal-humorado.
Túllio Marco Soares Carvalho
Belo Horizonte, MG

As caricaturas de Maomé, assim como as que se fazem do Cristo, não podem ser confundidas com liberdade de imprensa, pois não são – são, na verdade, libertinagem, que só leva a mais guerra. As guerras começam assim. A liberdade de imprensa não pode virar um fundamentalismo cego.
Alexandre Bastos
Salvador, BA

O desafio de que nos fala VEJA, que é fazer com que o abismo entre o Islã e o Ocidente pare de crescer, é inalcançável. O mundo islâmico é ressentido com o Ocidente. Friedrich Hayek, Nobel de Economia, um dos maiores pensadores liberais do século XX, dizia em seu livro The Constitution of Liberty que "as realizações de nossa civilização chegaram a ser objeto de inveja e desejo de todo o resto do mundo".
Helga Maria Saboia Bezerra
Oviedo, Astúrias, Espanha

O sentimento de religiosidade é uma das coisas mais profundas e antigas no ser humano: todos os povos o possuem. É o fato civilizador mais profundo que temos. Os ideais religiosos são a base normativa do funcionamento social e é através deles que todo o sistema legal – escrito ou oral – dos povos é estruturado. Quando se faz uma caricatura do profeta Maomé, o que é estritamente proibido pela religião muçulmana, ofende-se a todos os muçulmanos, e não apenas àqueles que, sob nosso ponto de vista, se comportam inadequadamente no seio da sociedade humana – os fanáticos e os terroristas.
Magdalena Souto da Silva
Florianópolis, SC

O exercício do bom jornalismo não se limita a relatar e a analisar os fatos, mas também a antecipá-los. Parabéns a VEJA pela profética matéria "Choque de culturas". Além dos nossos olhares, as saias da tenista indiana Sania Mirza (foto na pág. 70) atraíram uma fatwa dos mulás, cujo significado é qual mesmo?
Aristides de La Plata Cury
São Paulo, SP

Em tempos de conflitos mundiais, as charges de Maomé deveriam ser evitadas. Fico imaginando qual seria a reação dos cristãos com a publicação de um eventual desenho de Jesus Cristo caricaturado com o nariz de Pinóquio na cena da multiplicação dos pães.
Ricardo Geribello Anders
Curitiba, PR

Tive a curiosidade de olhar as tais charges na internet e não vi nada de mais nelas. Pobre chargista. No fundo, só está sendo espezinhado em praça pública porque ousou criticar, com seu traço, o fanatismo religioso que impera pelas bandas do Oriente Médio. Quanto retrocesso.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

Como católico, obviamente eu não incitaria a violência, mas também não gostaria de ver piadas maldosas em charges sobre Nossa Senhora Aparecida. Liberdade de expressão está sendo confundida com outra coisa.
Guido José Denipotti
Ilha Solteira, SP

Impossível acreditar num Deus que exija veneração constante, fanática, cega e, em nome de seu ego, pregue o sacrifício da tolerância, da vida e principalmente da paz.
Cleylton Mendes Passos
Linhares, ES

Os cartunistas europeus que desenharam charges satirizando o profeta Maomé, mesmo não sendo muçulmanos, desrespeitaram o dogma islâmico, que não permite a reprodução de imagens do profeta, o que atiçou a ira dos fundamentalistas de plantão. Desse infeliz episódio, fica a lição de que o direito à livre expressão artística e de opinião deve ser exercido respeitando-se credos, etnias, opções sexuais e convicções políticas e filosóficas.
Otto Carneiro de Lima
Niterói, RJ

Se Deus realmente existe, duvido que concorde com as manifestações radicais de religiosos que se julgam seus seguidores.
Marcelo Finkler
Marau, RS

Apesar de condenar a violência dos protestos, solidarizo-me com os muçulmanos em sua indignação ante as charges contra Maomé.
Fernando Cavalcanti
Recife, PE

Sou favorável à liberdade de expressão. Pessoas inteligentes sabem distinguir o que é ofensivo, dado que os fanáticos religiosos não conseguem discernir. Não quero entrar na questão se o Ocidente é melhor que o mundo muçulmano – só que respeitamos opiniões e sabemos conviver com as múltiplas diferenças.
Valter Goulart
São Paulo, SP

O que falta no mundo é respeito. Nascemos diferentes, e isso não é por acaso. Devemos respeitar todas as raças, todos os credos, todas as pessoas. Esses episódios somente reforçam os atritos e fazem explodir situações e sentimentos há muito tempo nutridos com base na intolerância.
Marcus Vinicius da Costa Moreira
Florianópolis, SC

 

Nelson Jobim

A Carta ao leitor "Uma aliança suspeita" (8 de fevereiro) denunciou o comportamento nada ortodoxo do presidente do STF. O texto relembra, também, os recentes episódios vergonhosos no Congresso relacionados com o chamado mensalão. Quanto a este, é interessante notar a presteza com que a administração federal reagiu à época, orientando os acusados para que explicassem os pagamentos como caixa dois para cobrir dívidas de campanha. Essa estratégia foi insistentemente aplicada no intuito de tentar reduzir o episódio a um crime menor, crime eleitoral, bem mais tolerado por nossa cultura que a (im)pura e simples propina para enriquecimento pessoal ilícito. E não é que a idéia pegou? Observo, no entanto, um fato bastante curioso: ninguém se interessou, nem investigadores nem acusados, em exigir ou exibir os comprovantes dessas dívidas e de seu pagamento. Se na ocasião apropriada, nem mesmo até o momento, os acusados não se apressaram em apresentar esses comprovantes, sou levado a firmar a convicção de que tudo não passou mesmo de mensalão para enriquecimento ilícito.
Harley Paiva Martins
João Pessoa, PB

Queremos cumprimentar VEJA pela Carta ao leitor da edição 1.942. É preciso mesmo denunciar o aparelhamento partidário do Judiciário. Agora queremos fazer um reparo. As reuniões que Jobim vem mantendo com lideranças do PMDB, admitidas publicamente pelo presidente do Senado e pelo presidente do PMDB, em busca da viabilização de sua candidatura ou de sua aceitação pelo partido, são nítido exercício de atividade político-partidária, que é expressamente vedado aos juízes pelo artigo 95, parágrafo único da Constituição da República. Como se não bastasse, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional também proíbe o exercício de atividade político-partidária por parte dos magistrados em seu artigo 26, inciso II, alínea C. E, por fim, o artigo 39, Lei nº 1079/1951, considera crime de responsabilidade o exercício de atividade político-partidária pelo ministro do Supremo Tribunal Federal. Portanto, tais movimentos do ministro Jobim violam diretamente as leis do país, a começar pela Constituição da República.
Caramuru Afonso Francisco
São Paulo, SP

 

Edson Vidigal

Sobre o quadro "Sou como jogador de futebol famoso" (8 de fevereiro), a assessoria de comunicação social do Superior Tribunal de Justiça esclarece que o ministro Edson Vidigal possui residência fixa em sua cidade natal, Caxias, no sertão do Maranhão, e, em razão de seus deveres na presidência do STJ, tem viajado por todos os estados, mas não tem ido à sua terra com a freqüência que gostaria. No Maranhão há mais de 5,5 milhões de habitantes. A Justiça Federal estava apenas na capital e com uma Vara em Imperatriz, na Região Sul. A localização, numa jurisdição de cerca de trinta municípios, da Justiça Federal, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, da Receita Federal e outros órgãos da União Federal que ali estão para dar garantias às comunidades desprotegidas e carentes de segurança e justiça é mostrada como ação negativa do ministro Vidigal. O projeto, batizado de Cidade Judiciária, foi possível porque o estado, há mais de dois anos, desapropriou a área e a entregou em lotes, plano diretor e obras de infra-estrutura a cada órgão envolvido. A idéia está inspirando projetos idênticos em outros estados. Quanto aos livros, o título Assim Falou Vidigal remonta ao movimento estudantil no qual Edson Vidigal foi ativista e, por isso, cassado quando vereador e preso em abril de 1964. Seu primeiro contato com o tema reforma agrária se deu pela obra Assim Falou Julião, coletânea de entrevistas de Francisco Julião, advogado das Ligas Camponesas no Nordeste. O primeiro livro entregue ao editor foi Sem Segredo de Justiça, destinado a estudantes de direito, já que o ministro é também professor licenciado da UnB. Sabendo que havia mais material, sugeriu separá-lo por temas, surgindo daí mais três livros.
Luiz Adolfo Pinheiro
Assessoria de comunicação social do STJ
Brasília, DF

 

Justiça

O novo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Benito Figueiredo, ao tomar posse, assinou portaria determinando que todo servidor atingido pela Resolução nº 7 do CNJ declare essa situação por escrito até o dia 10 de fevereiro. Quanto à sua filha, funcionária de carreira do Tribunal Regional do Trabalho, foi devolvida ao TRT no dia 30 de janeiro último.
Carlos Navarro Filho
Assessor de Comunicação
Social do TJ Bahia
Salvador, BA

 

Lya Luft

Com relação ao texto "O gato comeu" (Ponto de vista, 8 de fevereiro), pior do que ter a consciência de tudo o que o gato comeu, é saber que o gato comilão está alojado nas dependências do Congresso Nacional, protegido por aqueles que foram eleitos pelo povo, e com a colaboração escancarada do presidente Lula, que se aliou ao presidente do STF, o ministro Nelson Jobim, que deveria ser o guardião maior das leis e da ética neste país, para acobertar, de forma vergonhosa, o desaparecimento do gato.
William Pereira da Silva Júnior
Araguaína, TO  

Os princípios de ética, moral, honestidade, tudo aquilo que nos ensinaram está sendo devorado pelo "gato" matreiro. As convenções e as normas não são mais para ser cumpridas.
Socorro Nunes Correia
Fortaleza, CE  

Incrível como Lya Luft fez todas as perguntas que a gente se faz! Como pode tudo ficar por isso mesmo? E o Lula subindo nas pesquisas.
Eileen Mace Altmayer
Rio Grande, RS

 

Dívida pública

A reportagem "Vai doer, mas não tem jeito" (8 de fevereiro) retrata um quadro de falência do Estado provocado por diversos fatores. A dívida pública precisa ser combatida, os dispositivos de segurança quanto à aplicação dos recursos devem ser melhorados e a punição dos responsáveis pela "gastança" tem de ser implementada. Não creio que o Brasil possa sofrer tanto num eventual ambiente de austeridade real e honesta, com a participação de todos, pois nestes últimos anos temos sentido diversas "dores", sem direito a anestesias.
Elvio Antonio Gonçalves
São Paulo, SP

Agora entendi o motivo da histórica repulsa dos petistas ao FMI. É que o Fundo empresta dinheiro e fiscaliza, rigorosamente, as contas do país devedor. Fica cada vez mais claro que esse pessoal que está no governo gosta mesmo é de fazer festa com dinheiro público.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT  

No artigo "Vai doer, mas não tem jeito" foi apresentado didaticamente o quadro "A ilusão do superávit" e, ao lado, "Como o superávit vira déficit" (páginas 56 e 57), mas, para que o leitor faça uma análise mais produtiva, deveria ser subtraída do montante dos juros a receita de mais de 20% obtida pelo governo sobre os mesmos. Assim, o superávit do governo federal seria bem menor, cerca de 24 bilhões, e não 55,74. Da mesma forma, os juros (líquidos) também seriam menores, cerca de 125,40 bilhões, e não 157,14. O total do déficit, infelizmente, não mudaria, mas os leitores perceberiam que, afinal, a economia produzida pelo governo federal foi menos da metade do anunciado, e que é preciso cortar os gastos, sem usar os "juros estratosféricos" como desculpa para não fazê-lo.
Márcio da Cruz Leite
Itu, SP

 

Beijos

Faço parte do rol de profissionais que vêem na moda do beijo em série motivo suficiente para se preocupar. Sabe-se hoje que a brincadeira e o jogo são recursos importantes de aprendizagem. Beijar várias mulheres em uma noite é exercitar a falta de respeito ao outro, é não dignificar uma relação. Não se pode exigir depois de adulto que esses adolescentes tenham um comportamento diferente, uma vez que não tiveram oportunidade de viver nem de praticar uma relação de respeito ("Vinte beijos numa noite...", 8 de fevereiro).
Maria da Fátima Pires Carneiro da Cunha
Maringá, PR

 

Paixão

Estava lendo o artigo "Prazo de validade da paixão: 2 anos" (8 de fevereiro), que dizia que pesquisa publicada por uma revista científica britânica prova que a paixão tem prazo de validade. Pensei na hora: "Não é à toa que foi lá na Inglaterra; queria ver se tivessem feito lá em casa". Neste ano faço dez anos de casado e tenho orgulho de ser uma exceção – estar casado e continuar apaixonado.
Ilson Schames

Por e-mail

 

Paul Ehrlich

Congratulo-me com a revista VEJA pela importante e oportuna entrevista com o demógrafo Paul Ehrlich (Amarelas, 8 de fevereiro). Se entrevistarmos a população sobre as prioridades nacionais, as divergências serão enormes, variando entre educação, segurança, saúde, fome, justiça, emprego etc. Segundo projeções do IBGE, em 2020 seremos 220 milhões de brasileiros. Mais 33 milhões em ação, dos quais, acredito, pelo menos 20 milhões engrossarão as fileiras dos famintos, assaltantes, sem-terra, sem-teto. Para planejar o atendimento às verdadeiras prioridades nacionais teremos de limitar o universo a ser considerado e o controle da natalidade torna-se prioridade absoluta.
Ana Lucia Cunha Ferraz de Paiva
Geógrafa da Secretaria Estadual de Educação
São Paulo, SP

Fantástica a entrevista com o demógrafo Paul Ehrlich, que nos traz um alerta coerente e consistente sobre o crescimento da população mundial. Com o planeta cada vez mais desigual, onde as classes sociais se distanciam cada vez mais e a natureza é explorada sem limites, só existirá uma solução: o controle da população para que todos possam ter uma vida e um mundo melhores.
Marcelo Ribeiro Lisboa
Itajubá, MG

 

Mozart

Como estudiosa e admiradora de Mozart, desejo expressar meu ponto de vista acerca das alegações do crítico inglês Norman Lebrecht. Enquanto Mozart ocupar o mais alto lugar no pódio da genialidade musical, sempre surgirá algum medíocre que queira destituí-lo desse posto ("O lado B do gênio", 8 de fevereiro).
Léa Picelli
Mogi das Cruzes, SP

 

Tales Alvarenga

Fiquei chocado ao tomar conhecimento do falecimento de Tales Alvarenga. Pesaroso, meu primeiro pensamento foi: "Mas logo agora, Tales, quando o Brasil e todos os que têm vergonha na cara precisávamos tanto de você? Justo no momento em que o país atravessa a maior crise moral de sua história, você se vai? Logo você, que era um dos principais guerreiros que lutavam brava e destemidamente em favor da moralidade, da decência e da ética na condução dos assuntos de Estado e que tinha, aliado ao seu brilhante pensamento e à sua imensa capacidade de discernimento, um extraordinário talento para transformar em artigos de fácil compreensão aquilo que os homens de bom caráter, integridade moral e sensibilidade gostam de ler, nos deixa? Você nos deixou, Tales, num momento crucial, quando mais precisávamos de você. Vai ser duro, difícil mesmo, aceitar sua ausência.
Otacílio M. Guimarães
Salvador, BA

Tales Alvarenga lançava em VEJA uma lucidez de escassas comparações. A cada edição, a revista fazia avançar o jornalismo brasileiro em direção ao que é feito de mais sofisticado no mundo. A prosa afiada de Tales denunciava as retóricas rasteiras com a elegância de quem jamais desce ao nível do oponente. Estava em sintonia com a vanguarda do pensamento liberal sem abandonar a solidez do bom senso. Espero que VEJA siga seu legado, para que continuemos a dizer por muitos anos: obrigado, Tales.
Diogo Costa
Petrópolis, RJ  

Num trecho da poesia de Carlos Drummond de Andrade, Morte do Leiteiro, encontramos nos primeiros versos: "Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-lo cedo". Tales Alvarenga era um verdadeiro leiteiro, um dos meus prediletos. Sua crítica consciente e bem tecida sobre a atual conjuntura política do país e do mundo nos alimentava de todos os nutrientes para uma boa saúde mental, neste país de muitos alienados.
Antonio Elirio Souza Barreto
Feira de Santana, BA  

Os fundadores do Jornal da Tarde, que completou quarenta anos, fizeram um encontro de confraternização no último dia 28. Tales desculpou-se pela ausência e nos mandou uma carinhosa mensagem, calculando uma internação hospitalar por três dias. Falou em saudades da velha turma, da qual muitos saíram para VEJA. Agora as saudades são todas nossas.
Percival de Souza
São Paulo, SP  

Tales Alvarenga acaba de se transformar em nosso mais novo, e confiável, correspondente no céu.
Alfredo Stoianov
Ribeirão Preto, SP

 

 

CORREÇÕES: O principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido de carbono (CO2), e não o monóxido de carbono ("O ano mais quente", 8 de fevereiro). É Jaqueline Mourão, e não Isabel Clark, a atleta olímpica brasileira casada com um canadense ("Carnaval na neve", 8 de fevereiro).

 

 

Reforma fiscal e dor de dente

Dezenas de cirurgiões-dentistas escreveram para a redação para reclamar da foto que ilustra a matéria "Vai doer, mas não tem jeito" (8 de fevereiro), sobre o doloroso e necessário corte de gastos governamentais para diminuir a dívida pública no Brasil. "Realmente doeu, pois a foto estampada na reportagem é do século passado. Hoje, as extrações são feitas como último recurso na odontologia e são indolores, com o uso de anestésicos potentes e outros recursos. O boticão repousa no Museu de Odontologia de São Paulo", escreveu o paulistano Sebastião Rios Pinto Filho. Para Marco Aurélio Veiga de Melo, de Juiz de Fora, a publicação da foto "contribui de forma negativa para aumentar o medo dos pacientes". Segundo ele, os profissionais da odontologia tentam a todo custo acabar com esse medo associado aos tratamentos dentários. "A reportagem seria mais bem ilustrada com imagem do Leão da Receita Federal. Este, sim, dói no nosso bolso, e dele não tem jeito de fugir", escreveu Veiga de Melo.

 

O direito ao silêncio

O artigo "No país dos decibéis" (Ponto de vista, 1º de fevereiro), de Claudio de Moura Castro – texto mais comentado da edição 1.941 – , recebeu mais de uma centena de manifestações de apoio dos leitores. O carioca José Luiz de Jesus Salgado escreveu para indicar o endereço de internet www.chegadebarulho.com, "o site para quem está cansado de ser incomodado", cujo objetivo é "facilitar a solução dos problemas de quem vive às voltas com barulhos indesejáveis". "No dia 7 de maio, Dia do Silêncio, organizaremos um grande movimento para alertar pessoas e autoridades sobre esse mal que atinge todos nós", diz Salgado. Em Pernambuco, o deputado Augusto Coutinho criou a Lei do Ruído. "Nela estão previstas multas, apreensão de aparelhos e interdição de estabelecimentos para quem ultrapassar os limites sonoros recomendados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. A Polícia Militar do estado, já devidamente aparelhada, é responsável por atender às queixas, fiscalizar e coibir infrações."

 

O celular do ministro

Na última edição de VEJA, a coluna Radar publicou o número do telefone celular do ministro das Cidades, Márcio Fortes. A maioria dos ocupantes de cargos públicos ficaria furiosa com a divulgação de seu celular. O ministro, que passou a semana inteira atendendo ligações, adorou a experiência. "Virei o ouvidor-geral do ministério", diz Fortes, que até a semana passada havia recebido 700 chamadas. Oficialmente, a função, destinada a atender o público em geral, não existe em sua pasta. A bateria de telefonemas começou na tarde de sábado e se estendeu até o início da madrugada de domingo. Fortes não deixou de atender o celular nem mesmo durante seu passeio de fim de tarde na Praia do Leblon, no Rio de Janeiro. Enquanto respondia a uma ligação, sua mulher, Elma, anotava as chamadas que não eram atendidas. Em seguida, o ministro as retornava: "Aqui é Márcio Fortes. Queria saber em que posso ajudar". Nas ligações, prefeitos, vereadores e cidadãos comuns reclamaram verbas para projetos municipais, queixaram-se de falta de asfalto, do preço do azulejo e até de árvores que invadiam a casa deles. Outros telefonemas tiveram caráter pessoal. Uma senhora lhe deu sugestões sobre como aparecer na TV. Outra queria saber se ele é casado. Às 7h20 da segunda-feira, um cidadão ligou para o ministro apenas para confirmar se o número (61) 9994-5527 era dele de fato e para checar a credibilidade da revista. Quem quiser entrar em contato com Fortes também pode escrever para o e-mail marcio.fortes@cidades.gov.br. Ele responde.

 
 
 
 
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