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CINEMA
Fotos divulgação
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| Amores:
um Resnais sem hermetismos |
Amores Parisienses (On Connaît la Chanson, Inglaterra/França/Suíça,
1997. Em cartaz desde sexta-feira em São Paulo) Um dos figurões
do cinema experimental francês dos anos 60 por exemplo, com
Hiroshima Mon Amour , o diretor Alain Resnais fez aqui uma
comédia romântica que tem muito de original, mas nada de
hermético. A história gira em torno de personagens que só
conhecem o desejo mais básico do seu coração
apaixonar-se. Todo o resto (ou seja, apaixonar-se por quem, quando e por
quê) é motivo de perplexidade e engano. Volta e meia, os
protagonistas irrompem em canções tiradas do repertório
popular francês dos anos 30 aos 80 e cantam com as vozes de Sylvie
Vartan, Maurice Chevalier ou Johnny Hallyday. De início, o efeito
dessas intervenções é desconcertante. Pouco a pouco,
elas ganham sentido: as pessoas de que o filme trata (ou qualquer outra,
a bem da verdade) não sabem como dar forma a seus sentimentos e
precisam tomar de empréstimo fórmulas alheias para expressá-los.
Entre os ótimos atores, destacam-se Agnès Jaoui e Jean-Pierre
Bacri, que também assinam o roteiro e que pouco depois de fazer
Amores Parisienses retrabalhariam esses temas em O Gosto dos
Outros.
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| Thornberrys:
no mundo animal
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Os
Thornberrys O Filme (The Wild Thornberrys Movie,
Estados Unidos, 2002) Um dos desenhos mais populares do canal animado
Nickelodeon, os Thornberrys são uma mistura de Mundo Animal
com Doutor Doolittle. Os pais Nigel e Marianne produzem documentários
sobre a vida selvagem. Debbie, a filha mais velha, é uma "aborrescente"
que prefere o shopping center à vida na selva, enquanto Eliza,
a filha mais nova, adora conviver com os animais. Ela possui o dom de
conversar com todos os bichos (seu melhor amigo é um chimpanzé
batizado de Darwin). Thornberrys O Filme agradará
mesmo a quem nunca assistiu à série. Os roteiristas se preocuparam
em explicar a origem de cada personagem antes de a ação
engrenar. A trama bem urdida mostra os esforços de Eliza para evitar
que caçadores dizimem uma manada de elefantes africanos. Assista
ao trailer.
DISCOS
Greatest
Hits, Björk (Universal) Eis o disco com o qual os
fãs da cantora islandesa sempre sonharam. Em agosto do ano passado,
Björk, por meio de seu website, convocou as pessoas a votar nas músicas
prediletas de sua carreira-solo. As vencedoras seriam incluídas
numa compilação. Greatest Hits demonstra que mesmo
os admiradores ferrenhos de Björk preferem as gemas pop às
músicas da fase experimental da artista. O CD tem faixas singelas,
como Isobel e Venus as a Boy em que Björk flerta
com a música oriental , além de irrecusáveis
convites para a pista de dança (Human Behaviour, Hyperballad
e Big Time Sensuality). Como brinde, uma faixa rara, Play Dead,
lançada anteriormente apenas no Japão, e a belíssima
e inédita It's
in Your Hands.
Divulgação
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| Saint
Etienne: pop elegante |
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Finisterre,
Saint Etienne (Sum) Para os integrantes desse grupo inglês,
o mundo se resume a dois gêneros musicais: as canções
charmosas de artistas como Burt Bacharach e os ruídos da música
eletrônica. Eles rezam por essa cartilha desde 1991. Finisterre,
seu mais recente lançamento, traz outro punhado de canções
pop elegantes, entremeadas por falas do ator inglês Michael Jayston
um especialista em personagens shakespearianos. As dançantes
Action e Shower Scene, as ternas baladas Stop and Think
It Over e Soft Like Me (que tem participação
da rapper Wildflower) e a eletrônica B92 são os destaques
do álbum.
DVD
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| Minority
Report: um disco de extras |
Minority
Report A Nova Lei (Minority Report, Estados Unidos,
2002. Fox) Num futuro próximo, uma divisão da polícia
conta com três videntes, os precogs, para prever que assassinatos
estão por acontecer e prender os criminosos antes que eles ajam.
O DVD desse misto de ficção científica e suspense
sai aqui num caprichado disco duplo o segundo deles só com
extras. Steven Spielberg, Tom Cruise e os outros principais nomes do elenco
e da equipe relatam como o conto de Philip K. Dick foi transformado em
filme. Há um capítulo sobre a fabulosa seqüência
em que aranhas eletrônicas examinam a retina dos ocupantes de um
cortiço, e não faltam as curiosidades de praxe. O diretor
revela, por exemplo, que os precogs Agatha, Arthur e Dashiell foram batizados
em homenagem a três grandes autores de mistério Agatha
Christie, Arthur Conan Doyle e Dashiell Hammett.
LIVROS
A
Vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa (José
Olympio; 458 páginas; 45 reais) Lançada originalmente
em 1952, essa continua sendo a mais celebrada biografia literária
já feita no Brasil. O jornalista paulista Francisco de Assis Barbosa
(1914-1991) dedicou cinco anos à sua realização.
Construiu um retrato impecável do autor de Triste Fim de Policarpo
Quaresma e ainda reuniu dados preciosos sobre o Rio de Janeiro do
começo do século XX, seu ambiente político e cultural.
Mas o mérito do livro é ainda maior. Antes dele, Lima Barreto
estava no limbo. O autor mulato, de origem humilde, que havia ousado descrever
o país do ponto de vista dos pobres, raramente era mencionado.
A biografia abriu caminho para que fosse reconhecido como um dos mais
importantes e originais autores já surgidos no país. Leia
trechos do livro.
Ronda
da Meia-Noite, de Sylvio Floreal (Boitempo; 190 páginas;
26 reais) Nas primeiras décadas do século XX, esteve
em voga um certo tipo de literatura que procurava descrever a vida secreta
das grandes cidades brasileiras. Benjamim Costallat e Théo Filho
fizeram isso no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o trabalho coube,
em boa parte, a Sylvio Floreal (pseudônimo do jornalista Domingos
Alexandre). Nesse livro curiosíssimo, ele descreve os "vícios,
misérias e esplendores" da cidade dos anos 10 e 20. Há passagens
sobre o consumo de cocaína (o "olímpico veneno") na boemia,
sobre a moral sexual no bairro japonês da Liberdade, sobre as feiras
livres, e até as inconfidências de um motorista de praça.
A linguagem, entre o rebuscado e o modernista, é uma graça
à parte.
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