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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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CINEMA


Fotos divulgação
Amores: um Resnais sem hermetismos


Amores Parisienses
(On Connaît la Chanson, Inglaterra/França/Suíça, 1997. Em cartaz desde sexta-feira em São Paulo) – Um dos figurões do cinema experimental francês dos anos 60 – por exemplo, com Hiroshima Mon Amour –, o diretor Alain Resnais fez aqui uma comédia romântica que tem muito de original, mas nada de hermético. A história gira em torno de personagens que só conhecem o desejo mais básico do seu coração – apaixonar-se. Todo o resto (ou seja, apaixonar-se por quem, quando e por quê) é motivo de perplexidade e engano. Volta e meia, os protagonistas irrompem em canções tiradas do repertório popular francês dos anos 30 aos 80 e cantam com as vozes de Sylvie Vartan, Maurice Chevalier ou Johnny Hallyday. De início, o efeito dessas intervenções é desconcertante. Pouco a pouco, elas ganham sentido: as pessoas de que o filme trata (ou qualquer outra, a bem da verdade) não sabem como dar forma a seus sentimentos e precisam tomar de empréstimo fórmulas alheias para expressá-los. Entre os ótimos atores, destacam-se Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, que também assinam o roteiro e que pouco depois de fazer Amores Parisienses retrabalhariam esses temas em O Gosto dos Outros.



Thornberrys: no mundo animal

Os Thornberrys – O Filme (The Wild Thornberrys Movie, Estados Unidos, 2002) – Um dos desenhos mais populares do canal animado Nickelodeon, os Thornberrys são uma mistura de Mundo Animal com Doutor Doolittle. Os pais Nigel e Marianne produzem documentários sobre a vida selvagem. Debbie, a filha mais velha, é uma "aborrescente" que prefere o shopping center à vida na selva, enquanto Eliza, a filha mais nova, adora conviver com os animais. Ela possui o dom de conversar com todos os bichos (seu melhor amigo é um chimpanzé batizado de Darwin). Thornberrys – O Filme agradará mesmo a quem nunca assistiu à série. Os roteiristas se preocuparam em explicar a origem de cada personagem antes de a ação engrenar. A trama bem urdida mostra os esforços de Eliza para evitar que caçadores dizimem uma manada de elefantes africanos. Assista ao trailer.

 

DISCOS

Greatest Hits, Björk (Universal) – Eis o disco com o qual os fãs da cantora islandesa sempre sonharam. Em agosto do ano passado, Björk, por meio de seu website, convocou as pessoas a votar nas músicas prediletas de sua carreira-solo. As vencedoras seriam incluídas numa compilação. Greatest Hits demonstra que mesmo os admiradores ferrenhos de Björk preferem as gemas pop às músicas da fase experimental da artista. O CD tem faixas singelas, como Isobel e Venus as a Boy – em que Björk flerta com a música oriental –, além de irrecusáveis convites para a pista de dança (Human Behaviour, Hyperballad e Big Time Sensuality). Como brinde, uma faixa rara, Play Dead, lançada anteriormente apenas no Japão, e a belíssima e inédita It's in Your Hands.

 
Divulgação
Saint Etienne: pop elegante  

Finisterre, Saint Etienne (Sum) – Para os integrantes desse grupo inglês, o mundo se resume a dois gêneros musicais: as canções charmosas de artistas como Burt Bacharach e os ruídos da música eletrônica. Eles rezam por essa cartilha desde 1991. Finisterre, seu mais recente lançamento, traz outro punhado de canções pop elegantes, entremeadas por falas do ator inglês Michael Jayston – um especialista em personagens shakespearianos. As dançantes Action e Shower Scene, as ternas baladas Stop and Think It Over e Soft Like Me (que tem participação da rapper Wildflower) e a eletrônica B92 são os destaques do álbum.

 

DVD

 
Minority Report: um disco de extras

Minority Report – A Nova Lei (Minority Report, Estados Unidos, 2002. Fox) – Num futuro próximo, uma divisão da polícia conta com três videntes, os precogs, para prever que assassinatos estão por acontecer e prender os criminosos antes que eles ajam. O DVD desse misto de ficção científica e suspense sai aqui num caprichado disco duplo – o segundo deles só com extras. Steven Spielberg, Tom Cruise e os outros principais nomes do elenco e da equipe relatam como o conto de Philip K. Dick foi transformado em filme. Há um capítulo sobre a fabulosa seqüência em que aranhas eletrônicas examinam a retina dos ocupantes de um cortiço, e não faltam as curiosidades de praxe. O diretor revela, por exemplo, que os precogs Agatha, Arthur e Dashiell foram batizados em homenagem a três grandes autores de mistério – Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Dashiell Hammett.

 

LIVROS

A Vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa (José Olympio; 458 páginas; 45 reais) – Lançada originalmente em 1952, essa continua sendo a mais celebrada biografia literária já feita no Brasil. O jornalista paulista Francisco de Assis Barbosa (1914-1991) dedicou cinco anos à sua realização. Construiu um retrato impecável do autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma e ainda reuniu dados preciosos sobre o Rio de Janeiro do começo do século XX, seu ambiente político e cultural. Mas o mérito do livro é ainda maior. Antes dele, Lima Barreto estava no limbo. O autor mulato, de origem humilde, que havia ousado descrever o país do ponto de vista dos pobres, raramente era mencionado. A biografia abriu caminho para que fosse reconhecido como um dos mais importantes e originais autores já surgidos no país. Leia trechos do livro.

Ronda da Meia-Noite, de Sylvio Floreal (Boitempo; 190 páginas; 26 reais) – Nas primeiras décadas do século XX, esteve em voga um certo tipo de literatura que procurava descrever a vida secreta das grandes cidades brasileiras. Benjamim Costallat e Théo Filho fizeram isso no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o trabalho coube, em boa parte, a Sylvio Floreal (pseudônimo do jornalista Domingos Alexandre). Nesse livro curiosíssimo, ele descreve os "vícios, misérias e esplendores" da cidade dos anos 10 e 20. Há passagens sobre o consumo de cocaína (o "olímpico veneno") na boemia, sobre a moral sexual no bairro japonês da Liberdade, sobre as feiras livres, e até as inconfidências de um motorista de praça. A linguagem, entre o rebuscado e o modernista, é uma graça à parte.

 

 

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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