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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


PREÇOS

A pressão não acabou 1
Atenção, atenção ministro Palocci: o dólar caiu, a bolsa subiu, o otimismo está nas ruas, mas a pressão inflacionária não arrefeceu como se imaginava — pelo menos para alguns gigantes. Neste mês, Unilever, Parmalat, Nestlé, Kraft, Quaker e Danone estão apresentando aos supermercados uma lista de reajustes de preços entre 10% e 15% em suas linhas de produtos.

A pressão não acabou 2
Aliás, o único cargo da equipe de Antônio Palocci que continua vago é exatamente o de secretário de Acompanhamento Econômico, que monitora e pune os eventuais abusos nos reajustes de preços.

 

Travessuras nos Transportes virão à tona

Ivaldo Cavalcante/Hoje em Dia/AE
Lula e o ministro Adauto: devassa localizada

Não há no presidente Lula a intenção de promover devassas espetaculosas nos atos da era FHC. A idéia geral é olhar para a frente. Há, no entanto, uma exceção: o Ministério dos Transportes antes comandado pelo PMDB. Até o fim de janeiro, devem surgir histórias concretas da gestão peemedebista nos Transportes. Casos antigos — e cabeludos, segundo se comenta nos arraiais petistas — estão sendo cuidadosamente colecionados pelo ministro Anderson Adauto. Acabarão vindo à tona e não devem ajudar muito na consolidação de qualquer acordo do PT com o PMDB.

 

  GOVERNO

Freio de arrumação
Miro Teixeira mal assumiu e já prepara um poderoso pente-fino no Ministério das Comunicações. Edita nesta semana uma portaria que, na prática, servirá para reavaliar (e cassar, se for o caso) as concessões de rádio e televisão dadas no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso.

Amigos de infância
Têm sido quase diárias as conversas telefônicas entre Antônio Palocci e Delfim Netto.

O poder é doce
Na quarta-feira passada, Guido Mantega e o ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga tomaram em Brasília o vôo 5041 da Varig com destino a São Paulo, mas não puderam conversar. Mantega foi recebido na classe executiva. Pimenta da Veiga na econômica. Há dois meses, acontecia o contrário.

Uma no cravo, outra na ferradura
O governo ainda não admitiu publicamente, mas Lula vai, sim, ao Fórum Econômico Mundial, na Suíça, no fim do mês — uma autêntica reunião de demônios, na visão da ala mais à esquerda do PT. Claro que Lula dará uma passadinha também no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que se realiza na mesma semana, para que os velhos companheiros não se sintam órfãos...

Um aliado muy amigo
Aos interlocutores mais próximos, Garotinho tem dito que vai despejar contra o petista João Paulo Cunha a dúzia de votos que possui, na disputa pela presidência da Câmara. Já está conversando com seus deputados mais fiéis.

Entre paredes
A reforma que Carlos Lessa quer implantar no BNDES deverá ser arquitetônica também. Lessa pretende que toda a diretoria e a presidência voltem a ocupar confortáveis salas individuais. Há dois anos, quando Francisco Gros comandava o banco, as salas foram para o espaço: os seis diretores, o vice e o presidente se transferiram para um grande salão sem divisórias, como é comum nos bancos de investimentos ou no Bradesco, por exemplo.

Longe do poder
O PFL caminha para completar duas semanas na oposição. Um recorde notável.

 

ECONOMIA

Lógicas distintas
Veja um exemplo eloqüente de como são diferentes as lógicas que guiam as políticas salariais nos setores público e privado. Luiz Tarquínio assume na segunda-feira o comando da Fundição Tupy. Receberá um salário de 47.000 reais mensais, fora um polpudo bônus. Para presidir a Previ, cargo que deixou na semana passada, ganhava 16.000 reais mensais. Na Previ, ele era responsável por gerir um patrimônio de 39 bilhões de reais. No novo emprego vai tocar uma empresa que fatura 580 milhões de reais por ano.

Só no mês que vem
Em fevereiro, a Net (ex-GloboCabo) apresentará aos credores sua proposta de renegociação da dívida.

 

Especialista em aposentadoria

Alaor Filho/AE
Pinguelli: trajetória peculiar no serviço público


Luiz Pinguelli Rosa, que assume na terça-feira a presidência da Eletrobrás, tem em seu currículo uma trajetória singular na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1990, aposentou-se como professor titular da pós-graduação da UFRJ. Três anos depois, certamente com saudade da academia, prestou um concurso. Adivinhe para onde. Para professor titular da pós-graduação da mesma UFRJ — e, claro, somou aposentadoria e salário. Uma soma, na ocasião, maior que o salário do presidente da República. Pinguelli é físico, mas talvez esteja no lugar errado. Deveria ter sido nomeado para algum cargo no Ministério da Previdência Social. Pelo visto, ele é um especialista em aposentadoria...

 

FUTEBOL

Au revoir, França
Antes de bater o martelo com a CBF para voltar à seleção, Carlos Alberto Parreira estava — com toda a discrição que lhe é peculiar — em início de negociações com o Paris Saint-Germain.

 

SAÚDE

As bebidas na mira da OMS
O setor de bebidas do mundo inteiro deve botar as barbas de molho. Depois de uma longuíssima e bem-sucedida guerra ao cigarro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está esquentando as turbinas para atacar o álcool. Convocou as dezessete maiores indústrias de bebidas do mundo para uma reunião na Suíça em fevereiro — a AmBev irá.

 

TELEVISÃO

Sobe o ibope da Globo
Apesar do fracasso de Esperança, o balanço final da audiência de 2002 sorriu para a Globo. Fechadas as contas do Ibope, a emissora alcançou uma média de 22 pontos entre 7 horas da manhã e meia-noite — 2 pontos a mais que em 2001. Tanto o SBT quanto a Record caíram de 10 para 9 pontos e de 4 para 3 pontos, respectivamente, no mesmo período. Se computada apenas a audiência do horário nobre, os números da Globo também melhoraram.


Colaborou: Felipe Patury

 
 




Foto Daniela Picoral


   
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