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Genéricos
musicais
Eles
usam as mesmas fórmulas
de artistas consagrados, mas
custam menos e vendem mais

Sérgio
Martins
Fotos divulgação
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| Jorge
Vercilo: "Djavan foi o meu abc musical" |
Djavan:
até um filho o confundiu com Vercilo |
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Veja também |
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Em
meados do ano passado, um dos filhos de Djavan ouviu o que seria uma nova
canção do pai nas rádios de São Paulo. Quando
lhe telefonou para dar os parabéns, descobriu que Que Nem Maré
era de outro autor: o carioca Jorge Vercilo. A confusão tem sua
razão de ser. Versilo é uma espécie de genérico
de Djavan. Remédios genéricos usam a mesma fórmula
de medicamentos tradicionais, mas têm um custo de produção
menor e, assim, saem mais em conta nas farmácias. Artistas genéricos
têm cachê até 50% mais baixo do que o de seus modelos
e gravam discos com produção mais barata. Nas lojas, porém,
acabam vendendo mais.
Criar clones de um sucesso não é novidade nenhuma no mundo
das gravadoras. A novidade é ver a cópia dar mais certo
que o modelo. É um sintoma do período de marasmo por que
passa a música brasileira. As estrelas tradicionais da MPB já
não trazem surpresas. Quanto às bandas jovens, costumam
ter vida curta. Mantêm o fôlego por um ou dois discos e depois,
para quem quer se divertir numa balada de verão, tanto faz uma
quanto outra. Já as gravadoras querem baratear seus custos e conseguir
retorno rápido para seus investimentos. Embora 2002 tenha sido
um pouco melhor do que 2001 (45 milhões de CDs vendidos até
setembro, contra 41 milhões no mesmo período do ano anterior),
a indústria fonográfica se diz em crise por causa da pirataria
de discos e da ausência de sucessos realmente estrondosos. Para
elas, quanto mais genéricos houver, melhor.
"Djavan
foi o meu abc musical, como João Gilberto foi o abc de Caetano
Veloso", diz Jorge Vercilo. Por "abc musical" entenda-se que as canções
de Djavan preenchiam seus shows no começo dos anos 90, em botecos
e boates cariocas. Naquela época, contudo, a idéia de um
outro Djavan não colou e os discos com canções próprias
que Vercilo lançou deram em nada. Em 2000, ele voltou à
carga, gravando o CD Leve com dinheiro próprio. Dessa
vez, o público gostou e a EMI o contratou. A gravadora investiu
100.000 reais num novo disco, Elo, e o lucro foi inversamente proporcional.
Elo vendeu 190.000 cópias contra 100.000 de Milagreiro,
último CD de Djavan.
Adriana Pittigliani/divulgação
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Divulgação
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| LS
Jack: ex-roqueiros mudaram para a black music |
Jota Quest: ódio à comparação
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Ao
contrário de Vercilo, que sempre se espelhou em Djavan, os cariocas
do LS Jack deram uma guinada em direção a um modelo, o Jota
Quest. A princípio, o grupo tocava rock pesado. Com o estouro do
Jota Quest cujo vocalista, Rogério Flausino, é primo
de Marcus Menna, cantor do LS Jack , eles decidiram entrar na onda
da black music. Emplacaram a música mais tocada nas rádios
no ano passado, a balada Carla, e venderam 180.000 cópias
do disco V.I.B.E. O Jota Quest não chegou nem perto disso
com o CD Discotecagem Pop Variada. Seus integrantes se irritam
quando alguém confunde as bandas. "Carla não seria
nem sobra de um disco do Jota", afirma um dos integrantes do Quest.
Há outros genéricos. O Rastaclone é calcado no quarteto
O Rappa, e ameaça superá-lo em breve. E há o exemplo
curioso de Cláudio Zoli. Há vinte anos, o cantor carioca
fez algum sucesso com a balada Noite do Prazer ("Na madrugada a
vitrola rolando um blues..."). Depois sumiu. Recentemente, ele regravou
a velha canção e vendeu inacreditáveis 100.000 discos.
Virou genérico de si próprio.
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