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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Genéricos musicais

Eles usam as mesmas fórmulas
de artistas consagrados, mas
custam menos e vendem mais

Sérgio Martins

 
Fotos divulgação
Jorge Vercilo: "Djavan foi o meu abc musical" Djavan: até um filho o confundiu com Vercilo

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Jorge Vercilo
Djavan
LS Jack
J. Quest

Em meados do ano passado, um dos filhos de Djavan ouviu o que seria uma nova canção do pai nas rádios de São Paulo. Quando lhe telefonou para dar os parabéns, descobriu que Que Nem Maré era de outro autor: o carioca Jorge Vercilo. A confusão tem sua razão de ser. Versilo é uma espécie de genérico de Djavan. Remédios genéricos usam a mesma fórmula de medicamentos tradicionais, mas têm um custo de produção menor e, assim, saem mais em conta nas farmácias. Artistas genéricos têm cachê até 50% mais baixo do que o de seus modelos e gravam discos com produção mais barata. Nas lojas, porém, acabam vendendo mais.

Criar clones de um sucesso não é novidade nenhuma no mundo das gravadoras. A novidade é ver a cópia dar mais certo que o modelo. É um sintoma do período de marasmo por que passa a música brasileira. As estrelas tradicionais da MPB já não trazem surpresas. Quanto às bandas jovens, costumam ter vida curta. Mantêm o fôlego por um ou dois discos e depois, para quem quer se divertir numa balada de verão, tanto faz uma quanto outra. Já as gravadoras querem baratear seus custos e conseguir retorno rápido para seus investimentos. Embora 2002 tenha sido um pouco melhor do que 2001 (45 milhões de CDs vendidos até setembro, contra 41 milhões no mesmo período do ano anterior), a indústria fonográfica se diz em crise por causa da pirataria de discos e da ausência de sucessos realmente estrondosos. Para elas, quanto mais genéricos houver, melhor.

"Djavan foi o meu abc musical, como João Gilberto foi o abc de Caetano Veloso", diz Jorge Vercilo. Por "abc musical" entenda-se que as canções de Djavan preenchiam seus shows no começo dos anos 90, em botecos e boates cariocas. Naquela época, contudo, a idéia de um outro Djavan não colou e os discos com canções próprias que Vercilo lançou deram em nada. Em 2000, ele voltou à carga, gravando o CD Leve com dinheiro próprio. Dessa vez, o público gostou e a EMI o contratou. A gravadora investiu 100.000 reais num novo disco, Elo, e o lucro foi inversamente proporcional. Elo vendeu 190.000 cópias contra 100.000 de Milagreiro, último CD de Djavan.

 
Adriana Pittigliani/divulgação
Divulgação
LS Jack: ex-roqueiros mudaram para a black music

Jota Quest: ódio à comparação

Ao contrário de Vercilo, que sempre se espelhou em Djavan, os cariocas do LS Jack deram uma guinada em direção a um modelo, o Jota Quest. A princípio, o grupo tocava rock pesado. Com o estouro do Jota Quest – cujo vocalista, Rogério Flausino, é primo de Marcus Menna, cantor do LS Jack –, eles decidiram entrar na onda da black music. Emplacaram a música mais tocada nas rádios no ano passado, a balada Carla, e venderam 180.000 cópias do disco V.I.B.E. O Jota Quest não chegou nem perto disso com o CD Discotecagem Pop Variada. Seus integrantes se irritam quando alguém confunde as bandas. "Carla não seria nem sobra de um disco do Jota", afirma um dos integrantes do Quest.

Há outros genéricos. O Rastaclone é calcado no quarteto O Rappa, e ameaça superá-lo em breve. E há o exemplo curioso de Cláudio Zoli. Há vinte anos, o cantor carioca fez algum sucesso com a balada Noite do Prazer ("Na madrugada a vitrola rolando um blues..."). Depois sumiu. Recentemente, ele regravou a velha canção e vendeu inacreditáveis 100.000 discos. Virou genérico de si próprio.

   
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