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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Vítima da indecisão

Planeta do Tesouro quer agradar
a crianças
e adolescentes. Faltou
combinar com eles

Isabela Boscov

 
Divulgação
O garoto Jim com o vilão Silver: erro de estratégia condenou o filme ao fracasso

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Trailer
Site oficial do filme

Dirigir um estúdio de animação é como manobrar um desses petroleiros gigantes: toma-se uma decisão agora e só quilômetros mais adiante se verão os efeitos da alteração de curso. É esse o mal de que padece Planeta do Tesouro (Treasure Planet, Estados Unidos, 2002), desde sexta-feira em cartaz no país. O novo desenho da Disney é fruto de uma idéia surgida no final da década passada, de ampliar o público do filão mirando ao mesmo tempo nas crianças e nos adolescentes – e em especial nos garotos. O problema é que essa estratégia já foi responsável por pelo menos dois desastres. Em 2000, Titan levou ao fechamento da divisão de animação da Fox, e Atlantis, da própria Disney, também deixou de se pagar no ano seguinte. Mas não é que o estúdio esteja insistindo deliberadamente no fiasco. Desenhos animados levam no mínimo três anos em fase de produção. Quando as más notícias chegam, muitas vezes já é tarde demais para reagir a elas.

Planeta do Tesouro, na verdade, conta com vários aspectos positivos. Tem uma história bem amarrada, animação de boa qualidade e pelo menos um bom personagem, o simpático vilão Silver. Mas não é o bastante para obscurecer uma falha grave: o fato de que o filme não sabe com quem quer falar. Planeta do Tesouro é uma adaptação de A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, talvez o maior entre os clássicos da literatura infanto-juvenil. Aqui, porém, os galeões não navegam no oceano, e sim no espaço, onde Jim, um rapaz impetuoso, procura o butim escondido por um pirata. Como esse último, a Disney atira para todos os lados. O enredo inclui drama familiar, animais antropomorfizados e a criatura engraçadinha de praxe – aqui, uma bolha cor-de-rosa capaz de assumir qualquer forma. Esse é, por assim dizer, o departamento infantil do filme. O protagonista, por outro lado, é um adolescente que excede o limite de velocidade com seu skate a jato e volta e meia chega em casa acompanhado pela polícia. Esse casamento conflituoso se repete na ambientação, que combina elementos futuristas e de época. Nessa tentativa de agradar a todos, o que se obteve foi a rejeição em massa. Com apenas 38 milhões de dólares acumulados na bilheteria até agora (contra 140 milhões despendidos na produção), Planeta do Tesouro promete ser a maior decepção da história recente da Disney. Não deixa de ser uma injustiça. O filme está longe de fazer jus à reputação do estúdio, mas é infinitamente melhor do que Atlantis, que faturou mais do que o dobro do novo lançamento.

   
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