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Vítima
da indecisão
Planeta
do Tesouro quer agradar
a crianças
e adolescentes. Faltou
combinar com eles
Isabela Boscov
Divulgação
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| O
garoto Jim com o vilão Silver: erro de estratégia condenou
o filme ao fracasso |

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Dirigir
um estúdio de animação é como manobrar um
desses petroleiros gigantes: toma-se uma decisão agora e só
quilômetros mais adiante se verão os efeitos da alteração
de curso. É esse o mal de que padece Planeta do Tesouro (Treasure
Planet, Estados Unidos, 2002), desde sexta-feira em cartaz no país.
O novo desenho da Disney é fruto de uma idéia surgida no
final da década passada, de ampliar o público do filão
mirando ao mesmo tempo nas crianças e nos adolescentes e
em especial nos garotos. O problema é que essa estratégia
já foi responsável por pelo menos dois desastres. Em 2000,
Titan levou ao fechamento da divisão de animação
da Fox, e Atlantis, da própria Disney, também deixou
de se pagar no ano seguinte. Mas não é que o estúdio
esteja insistindo deliberadamente no fiasco. Desenhos animados levam no
mínimo três anos em fase de produção. Quando
as más notícias chegam, muitas vezes já é
tarde demais para reagir a elas.
Planeta
do Tesouro, na verdade, conta com vários aspectos positivos.
Tem uma história bem amarrada, animação de boa qualidade
e pelo menos um bom personagem, o simpático vilão Silver.
Mas não é o bastante para obscurecer uma falha grave: o
fato de que o filme não sabe com quem quer falar. Planeta do
Tesouro é uma adaptação de A Ilha do Tesouro,
de Robert Louis Stevenson, talvez o maior entre os clássicos da
literatura infanto-juvenil. Aqui, porém, os galeões não
navegam no oceano, e sim no espaço, onde Jim, um rapaz impetuoso,
procura o butim escondido por um pirata. Como esse último, a Disney
atira para todos os lados. O enredo inclui drama familiar, animais antropomorfizados
e a criatura engraçadinha de praxe aqui, uma bolha cor-de-rosa
capaz de assumir qualquer forma. Esse é, por assim dizer, o departamento
infantil do filme. O protagonista, por outro lado, é um adolescente
que excede o limite de velocidade com seu skate a jato e volta e meia
chega em casa acompanhado pela polícia. Esse casamento conflituoso
se repete na ambientação, que combina elementos futuristas
e de época. Nessa tentativa de agradar a todos, o que se obteve
foi a rejeição em massa. Com apenas 38 milhões de
dólares acumulados na bilheteria até agora (contra 140 milhões
despendidos na produção), Planeta do Tesouro promete
ser a maior decepção da história recente da Disney.
Não deixa de ser uma injustiça. O filme está longe
de fazer jus à reputação do estúdio, mas é
infinitamente melhor do que Atlantis, que faturou mais do que o
dobro do novo lançamento.
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