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A
nova turma da praia
As
mulheres dominam o Havaí
em A Onda dos Sonhos, um filme
de surfe para quem gosta e para
quem não gosta do esporte
Isabela Boscov
Divulgação
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| Sanoe,
Michelle, Kate e Mika: surfe de manhã e faxina à tarde
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Veja também |
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Diz
a piada que a razão do sucesso de títulos como National
Geographic e Playboy é que ambos mostram coisas que
as pessoas comuns nunca vão conseguir ver de perto. Pois se pode
incluir nessa categoria também o filme de surfe: quando a loirinha
Anne Marie (Kate Bosworth) abre caminho por dentro de uma onda da altura
de um prédio, enquanto toneladas de água desabam ao redor
dela, é inevitável que ela empreste à platéia
um pouco da sua excitação por ter tornado possível
o impossível, ao menos por um momento. Em A Onda dos Sonhos
(Blue Crush, Estados Unidos, 2002), que estréia
nesta sexta-feira no país, Anne Marie é a típica
protagonista dos filmes de esporte a atleta que tem de superar
seus limites, e um trauma do passado, para provar a si mesma que não
está destinada ao fracasso. Anne Marie tem cara de cheerleader
americana, mas é uma nativa do Havaí que divide uma casa
decrépita com duas amigas (Michelle Rodriguez e Sanoe Lake) e a
irmã menor (Mika Boorem). Antes de o sol nascer, elas já
estão na praia treinando. Durante o dia, limpam quartos de hotel.
O que Anne Marie quer é se tornar profissional e arrumar um patrocinador.
Para tanto, ela tem de se classificar no torneio Pipe Masters (versão
ficcionalizada do Pipeline Masters, em que só homens competem)
o que significa enfrentar ondas de pelo menos 6 metros de altura
que quebram sobre um fundo raso de coral. Anne Marie já sofreu
um acidente grave nessas circunstâncias e, cada vez que ela rema
sobre a prancha para subir numa onda, o fantasma volta à sua cabeça
e mina a sua coragem. A questão é se ela vai suplantá-lo
ou se vai aproveitar um romance de verão como pretexto para fugir
ao teste.
Não há quase nada em A Onda dos Sonhos, enfim, que
fuja à fórmula. Mas é nesse quase que está
a diferença. Que Anne Marie seja uma mulher tentando pôr
o pé na porta de um esporte eminentemente masculino (e chauvinista)
é tratado aqui como não mais do que um detalhe. Essa omissão
só trabalha em proveito do filme. Em vez de perder tempo com brigas
previsíveis entre eles e elas, o diretor John Stockwell investe
tudo no que de fato interessa, que é o misto de euforia e pavor
com que Anne Marie encara cada onda à sua frente. Como elas são
gigantescas, e como Stockwell sabe por onde filmá-las para mostrar
a razão dos sentimentos conflitantes de Anne Marie, o filme se
torna uma experiência deliciosa ainda que tenha o mesmo poder
de permanência de um surfista sobre a prancha.
Se o diretor Stockwell queria lançar uma moda, conseguiu. Desde
que A Onda dos Sonhos estreou nos Estados Unidos, em meados do
ano passado, os habitués de Pipeline vêm registrando
não sem preocupação um aumento sensível
no número de mulheres que se arriscam a surfar ali. Também
o número de matrículas nas escolas que ensinam o esporte
às garotas subiu consideravelmente, ajudando a consolidar a invasão
feminina no surfe. É claro que os exemplos mostrados no filme são
dos mais estimulantes. Embora a atriz Kate Bosworth tenha sido dublada
em todas as cenas mais difíceis, há várias campeãs
autênticas em cena, como Layne Beachley, Keala Kennelly e Kate Skarratt.
Só há um truque que nenhuma delas explica: como entrar e
sair de uma onda havaiana com a parte de cima do biquíni intacta.
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