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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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O bicho pegou

O rebanho e os lucros da
criação de búfalos
aumentam
do Norte ao Rio Grande do Sul

José Edward

 
Fotos Nelio Rodrigues/1º Plano
O criador Maurício Guerra: búfalas que dão até 22 litros de leite por dia

A mussarela de búfala, que era um exotismo de bufê de churrascaria, já aparece até em cobertura de pizza. O búfalo, que só se via em fotografias da Ilha de Marajó, tornou-se comum no interior de Minas Gerais, Goiás e até Rio Grande do Sul. Em cinco anos, o rebanho brasileiro cresceu quatro vezes, alcançando 3 milhões de cabeças, e o faturamento desse ramo da pecuária saltou de 80 milhões de reais para meio bilhão por ano. Num mundo cada vez mais preocupado com a qualidade do que se come, sobram razões para explicar esse crescimento de popularidade. A mussarela de búfala, cujo preço chega a ser 400% maior que o do produto feito com leite de vaca, não é apenas mais macia e branquinha que a original. Tem também pouco mais de metade da quantidade de colesterol contida na mussarela de vaca – e o fabricante consome bem menos leite para produzir a mesma quantidade de queijo. Na carne, a diferença também é notável. A de búfalo tem um quarto do total de gorduras encontrado num bife de boi, perto da metade das calorias, muito menos colesterol e a mesma quantidade de proteína. Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, defendem a teoria de que o filé do animal jovem dispõe das mesmas propriedades nutritivas da carne branca.

Para a alegria dos fazendeiros, o bicho, bastante rústico, não exige os cuidados que muitas linhagens de gado requerem e prolifera nas novas pastagens com a mesma velocidade que se vê nos alagados marajoaras. Além de uns poucos cuidados contra doenças, tudo de que ele precisa é pasto e muita sombra ou água, para se proteger do sol. Em 1998, os donos da Fazenda Betel, de São Paulo, aplicaram meio milhão de reais na compra de 150 búfalos e na montagem de um laticínio. No ano passado, a empresa atingiu a marca de 1.000 animais e faturou 1,2 milhão de reais com a venda de crias e derivados de leite. O pecuarista mineiro Maurício Guerra investiu em seleção genética e hoje tem búfalas que produzem até 22 litros de leite por dia – o triplo da média nacional. A venda de mussarela de seu laticínio, localizado em Esmeraldas, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, alcançou 60 toneladas em 2002.

 
Bicho rústico: pouco cuidado e muita água

A paulista Wilma Penteado Ferreira foi uma das pioneiras na fabricação de mussarela de búfala no Brasil. Aprendeu a fazer o produto com um amigo italiano, vinte anos atrás. "Comecei a trabalhar em casa, e hoje não dou conta de atender à demanda", diz ela. No ano passado, produziu 120 toneladas de mussarela. No sul do país, alguns criadores estão lucrando também com a venda do couro do animal, que é exportado para vários países pelo Curtume Krumenauer, de Portão, a 45 quilômetros de Porto Alegre. O produto é utilizado na confecção de cintos, bolsas, arreios, correias industriais e estofamentos de carros de luxo, como os da marca BMW. "Além de ser mais espesso e resistente, o couro de búfalo não tem marcas, pois os animais não são atacados por parasitas como o carrapato", diz o pecuarista Erizolei Oliveira, um dos fundadores da Cooperativa dos Criadores de Búfalo do Rio Grande do Sul (Cooperbúfalo). Formada há quatro anos, a entidade já congrega 36 criadores.

   
 
   
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