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O bicho pegou
O rebanho
e os lucros da
criação de búfalos aumentam
do Norte ao Rio Grande do Sul
José
Edward
Fotos Nelio Rodrigues/1º Plano
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| O
criador Maurício Guerra: búfalas que dão até 22 litros de leite por
dia |
A mussarela
de búfala, que era um exotismo de bufê de churrascaria, já
aparece até em cobertura de pizza. O búfalo, que só
se via em fotografias da Ilha de Marajó, tornou-se comum no interior
de Minas Gerais, Goiás e até Rio Grande do Sul. Em cinco
anos, o rebanho brasileiro cresceu quatro vezes, alcançando 3 milhões
de cabeças, e o faturamento desse ramo da pecuária saltou
de 80 milhões de reais para meio bilhão por ano. Num mundo
cada vez mais preocupado com a qualidade do que se come, sobram razões
para explicar esse crescimento de popularidade. A mussarela de búfala,
cujo preço chega a ser 400% maior que o do produto feito com leite
de vaca, não é apenas mais macia e branquinha que a original.
Tem também pouco mais de metade da quantidade de colesterol contida
na mussarela de vaca e o fabricante consome bem menos leite para
produzir a mesma quantidade de queijo. Na carne, a diferença também
é notável. A de búfalo tem um quarto do total de
gorduras encontrado num bife de boi, perto da metade das calorias, muito
menos colesterol e a mesma quantidade de proteína. Pesquisadores
da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, defendem a teoria
de que o filé do animal jovem dispõe das mesmas propriedades
nutritivas da carne branca.
Para a alegria
dos fazendeiros, o bicho, bastante rústico, não exige os
cuidados que muitas linhagens de gado requerem e prolifera nas novas pastagens
com a mesma velocidade que se vê nos alagados marajoaras. Além
de uns poucos cuidados contra doenças, tudo de que ele precisa
é pasto e muita sombra ou água, para se proteger do sol.
Em 1998, os donos da Fazenda Betel, de São Paulo, aplicaram meio
milhão de reais na compra de 150 búfalos e na montagem de
um laticínio. No ano passado, a empresa atingiu a marca de 1.000
animais e faturou 1,2 milhão de reais com a venda de crias e derivados
de leite. O pecuarista mineiro Maurício Guerra investiu em seleção
genética e hoje tem búfalas que produzem até 22 litros
de leite por dia o triplo da média nacional. A venda de
mussarela de seu laticínio, localizado em Esmeraldas, a 50 quilômetros
de Belo Horizonte, alcançou 60 toneladas em 2002.
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| Bicho
rústico: pouco cuidado e muita água |
A paulista
Wilma Penteado Ferreira foi uma das pioneiras na fabricação
de mussarela de búfala no Brasil. Aprendeu a fazer o produto com
um amigo italiano, vinte anos atrás. "Comecei a trabalhar em casa,
e hoje não dou conta de atender à demanda", diz ela. No
ano passado, produziu 120 toneladas de mussarela. No sul do país,
alguns criadores estão lucrando também com a venda do couro
do animal, que é exportado para vários países pelo
Curtume Krumenauer, de Portão, a 45 quilômetros de Porto
Alegre. O produto é utilizado na confecção de cintos,
bolsas, arreios, correias industriais e estofamentos de carros de luxo,
como os da marca BMW. "Além de ser mais espesso e resistente, o
couro de búfalo não tem marcas, pois os animais não
são atacados por parasitas como o carrapato", diz o pecuarista
Erizolei Oliveira, um dos fundadores da Cooperativa dos Criadores de Búfalo
do Rio Grande do Sul (Cooperbúfalo). Formada há quatro anos,
a entidade já congrega 36 criadores.
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