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Um avião com
tamanho de navio
A pedido
do Pentágono, Boeing
projeta cargueiro para levar
dezessete tanques ou 3 000
homens por viagem
A Boeing,
o maior fabricante mundial de aviões, só espera um sinal
verde do Pentágono para tirar das pranchetas o projeto do maior
avião já criado. Trata-se de uma aeronave colossal planejada
para deslocar grande quantidade de soldados e armamento pesado rapidamente
e por longas distâncias. Suas asas terão envergadura de 152
metros, e a fuselagem será do comprimento de um campo de futebol
americano, ou 110 metros. Batizada como Pelican, poderá transportar
1.270 toneladas de carga, volume cinco vezes
superior à capacidade do maior cargueiro do mundo, o avião
ucraniano Antonov 225. Num único vôo, poderá carregar
dezessete tanques ou 3.000 homens. Com todo
esse tamanho, transformará em anões os maiores aviões
comerciais atuais, mesmo aqueles que não saíram da fábrica
ainda, como o Airbus A380, o megajato de 73 metros de comprimento, dois
andares e capacidade para 550 pessoas.
O nome Pelican
da aeronave não foi dado à toa. Seu vôo segue princípios
aerodinâmicos semelhantes aos do pelicano, ave grande e pesada que
voa em rasantes sobre a água. Nas viagens intercontinentais, quando
estiver sobre o oceano, o avião voará a apenas 6 metros
de altura, exatamente como faz o pássaro. Viajar tão perto
da superfície causa o chamado efeito-solo, um fenômeno aerodinâmico
que diminui a resistência do ar e permite uma economia de 35% de
combustível. Isso fará com que o avião tenha autonomia
de 18 500 quilômetros quando voar sobre as águas e de 12.000
quilômetros acima da terra firme. No continente, a altura de cruzeiro
subirá para 6.000 metros.
O efeito-solo
é conhecido pelos engenheiros há oitenta anos, e não
é a primeira vez que tentam usá-lo para fins militares.
A União Soviética testou vários protótipos
de um avião chamado Ekranoplan, mas a idéia acabou engavetada
porque os aparelhos não se comportavam bem sobre terra firme. O
que torna o Pelican viável são os sistemas de navegação
e controle do aparelho que não existiam no tempo dos aviões
soviéticos. "Voando tão baixo e sendo tão grande,
é impossível depender apenas da habilidade e perícia
do piloto para desviar de um obstáculo que surja pela frente",
avalia Paulo Soviero, professor de aerodinâmica do Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA).
Para facilitar
o vôo e as manobras em terra, o avião terá asas móveis.
Elas podem ser tanto estendidas para baixo durante o vôo, para melhorar
a aerodinâmica, como dobradas para cima quando o avião estiver
parado no solo, para ocupar menos espaço nos hangares. Os 38 trens
de pouso da aeronave serão dispostos em pontos estratégicos
da fuselagem para distribuir o peso e permitir que o avião decole
de pistas convencionais. Mas, por causa de seu tamanho gigantesco, o Pelican
deve usar apenas bases militares, como a inglesa Diego Garcia, numa ilha
no Oceano Índico e ponto de partida para os ataques americanos
ao Afeganistão.
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Divulgação
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