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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Um avião com
tamanho de navio

A pedido do Pentágono, Boeing
projeta cargueiro para levar
dezessete tanques ou 3 000
homens por viagem

A Boeing, o maior fabricante mundial de aviões, só espera um sinal verde do Pentágono para tirar das pranchetas o projeto do maior avião já criado. Trata-se de uma aeronave colossal planejada para deslocar grande quantidade de soldados e armamento pesado rapidamente e por longas distâncias. Suas asas terão envergadura de 152 metros, e a fuselagem será do comprimento de um campo de futebol americano, ou 110 metros. Batizada como Pelican, poderá transportar 1.270 toneladas de carga, volume cinco vezes superior à capacidade do maior cargueiro do mundo, o avião ucraniano Antonov 225. Num único vôo, poderá carregar dezessete tanques ou 3.000 homens. Com todo esse tamanho, transformará em anões os maiores aviões comerciais atuais, mesmo aqueles que não saíram da fábrica ainda, como o Airbus A380, o megajato de 73 metros de comprimento, dois andares e capacidade para 550 pessoas.

O nome Pelican da aeronave não foi dado à toa. Seu vôo segue princípios aerodinâmicos semelhantes aos do pelicano, ave grande e pesada que voa em rasantes sobre a água. Nas viagens intercontinentais, quando estiver sobre o oceano, o avião voará a apenas 6 metros de altura, exatamente como faz o pássaro. Viajar tão perto da superfície causa o chamado efeito-solo, um fenômeno aerodinâmico que diminui a resistência do ar e permite uma economia de 35% de combustível. Isso fará com que o avião tenha autonomia de 18 500 quilômetros quando voar sobre as águas e de 12.000 quilômetros acima da terra firme. No continente, a altura de cruzeiro subirá para 6.000 metros.

O efeito-solo é conhecido pelos engenheiros há oitenta anos, e não é a primeira vez que tentam usá-lo para fins militares. A União Soviética testou vários protótipos de um avião chamado Ekranoplan, mas a idéia acabou engavetada porque os aparelhos não se comportavam bem sobre terra firme. O que torna o Pelican viável são os sistemas de navegação e controle do aparelho que não existiam no tempo dos aviões soviéticos. "Voando tão baixo e sendo tão grande, é impossível depender apenas da habilidade e perícia do piloto para desviar de um obstáculo que surja pela frente", avalia Paulo Soviero, professor de aerodinâmica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Para facilitar o vôo e as manobras em terra, o avião terá asas móveis. Elas podem ser tanto estendidas para baixo durante o vôo, para melhorar a aerodinâmica, como dobradas para cima quando o avião estiver parado no solo, para ocupar menos espaço nos hangares. Os 38 trens de pouso da aeronave serão dispostos em pontos estratégicos da fuselagem para distribuir o peso e permitir que o avião decole de pistas convencionais. Mas, por causa de seu tamanho gigantesco, o Pelican deve usar apenas bases militares, como a inglesa Diego Garcia, numa ilha no Oceano Índico e ponto de partida para os ataques americanos ao Afeganistão.

 

Divulgação

 

   
 
   
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