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Maiores e mais chiques

Salão de Detroit exibe uma incrível
safra de carros de luxo

 
Fotos divulgação

O símbolo da Rolls-Royce no capô (à dir.) pode ser recolhido ao toque de um botão instalado no luxuoso painel. Na parte de trás há muito couro, madeira e espaço para as pernas

ROLLS-ROYCE PHANTOM
• Tamanho: 5,8 metros
• Destaques: Desenho inspirado em modelos antigos, maçanetas que abrem ao toque e pneus capazes de rodar furados por 160 quilômetros a 80 quilômetros por hora
• Preço: 333 000 dólares


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Galeria de fotos: os lançamentos do Salão de Detroit

O Salão de Detroit, nos Estados Unidos, é a maior vitrine do automobilismo do mundo, com carrões que competem na ousadia de seus projetos. A edição deste ano, inaugurada na semana passada, trouxe uma novidade. Pela primeira vez, o salão teve uma área dedicada apenas aos lançamentos de luxo, carros que custam mais de 200.000 dólares. Nessa ala, a Rolls-Royce, famosa por fornecer automóveis às principais cabeças coroadas do planeta, lançou seu mais recente modelo, o Phantom. É um carro enorme, com quase 6 metros de comprimento e preço de 333 000 dólares, o equivalente a mais de 1 milhão de reais. O Phantom é o primeiro lançamento da marca inglesa desde que foi comprada pela BMW, em 1998. A poucos metros de distância, a General Motors expôs o protótipo do grandioso Cadillac Sixteen (dezesseis, em inglês), o primeiro projeto de carro americano de alto luxo, destinado a trazer de volta o prestígio do nome Cadillac, que se tornou mito nos anos 50. O preço estimado é de 250.000 dólares. Junto aos dois, a DaimlerChrysler exibiu seu Maybach, um automóvel de 322 000 dólares, tão luxuoso que oferece aos passageiros que vão na parte de trás poltronas do porte daquelas das primeiras classes dos aviões.

 

MAYBACH 57
Tamanho: 5,73 metros
Destaques: Teto de vidro com controle de luminosidade e banco traseiro que lembra uma poltrona de primeira classe de avião
Preço: 322 000 dólares

Os carros de alto luxo expostos em Detroit são uma aposta ousada das fábricas de automóveis. O mercado automobilístico americano, o maior e mais rico do planeta, enfrentou em 2002 seu segundo ano de queda nas vendas, e 2003 não deve ser diferente. As previsões de especialistas no mercado automobilístico apontam que neste ano devem ser vendidos 16,5 milhões de automóveis nos Estados Unidos, contra os 17,4 milhões de 2000. Outros países ricos, como Alemanha e Japão, estão em plena recessão, e a possibilidade de uma guerra no Iraque é uma ameaça a mais para a economia mundial. É um cenário que desaconselharia qualquer tipo de investimento em bens supérfluos, como carros de preço astronômico. Mas não é essa a lógica dos produtos destinados a milionários. "É um mercado regido pelo poder de sedução. Se você oferecer produtos suficientemente sedutores, haverá uma fila infinita de consumidores dispostos a comprá-los", avalia o presidente mundial da Volkswagen, Bernd Pischetsrieder. A empresa alemã, famosa pelos carros populares, comprou e praticamente ressuscitou nos últimos dois anos as marcas Lamborghini, Bugatti e Bentley, famosas por seus automóveis caríssimos.

 
AP

CADILLAC SIXTEEN
Tamanho: 5,76 metros
Destaques: Relógio Bulgari de cristal no painel, estofamento de couro italiano e motor com 1 000 cavalos de potência

Esse fenômeno atinge os carrões, bem como os barcões e os jatões. O mercado de grandes iates não conhece crise. São barcos feitos sob encomenda e pagos antecipadamente. Os preços começam em 4 milhões de dólares. A decoração é toda personalizada e normalmente conta com obras de arte caríssimas. Calcula-se que existam no mundo 1.000 iates de grande porte. Outros 520 estão em construção. Numa categoria mais exclusiva ainda, de barcos de mais de 150 milhões de dólares, estima-se que haja apenas seis, número que dobrará nos próximos dois anos, tomando-se como base as encomendas aos estaleiros. "Nos últimos três anos, o segmento cresceu pelo menos 20%, o que é surpreendente, levando em conta os ataques terroristas nos Estados Unidos e a crise econômica mundial", avalia James Gilbert, editor da revista americana ShowBoats International, especializada em barcos de luxo. Quanto aos aviões, esse filão é tão lucrativo que os fabricantes de jatos comerciais, como Boeing e Airbus, voltaram-se para os jatos privados de grande porte. O objetivo das gigantes é ocupar espaço num segmento bastante restrito dominado pelo G550, da Gulfstream, e pelo Global Express, da Bombardier. A Boeing possui dois modelos desse tipo à disposição dos compradores. O mais antigo, o BBJ, tem espaço interno de 75 metros quadrados, e o BBJ2, lançado em 2000, possui 93 metros quadrados. Estima-se que nos próximos dez anos sejam vendidos 600 jatos desse tipo. O preço desses aviões começa em 40 milhões de dólares.

 
Divulgação

Boeing BBJ, com cabine de 75 metros quadrados: 83 aviões vendidos em três anos

Uma das explicações para tamanha oferta de carros de alto luxo expostos nos salões internacionais está na estagnação pela qual esse segmento passou nos últimos anos. Modelos como o Rolls-Royce Corniche e os Bentley Arnage atravessaram décadas com o mínimo de mudanças. Empresas como DaimlerChrysler, BMW e Volkswagen acreditam que uma maior oferta de modelos repletos de chamarizes tecnológicos estimulará os milionários a comprar mais. O Rolls-Royce Phantom, por exemplo, renasce construído todo de alumínio, o que o torna mais leve e mais veloz. As portas traseiras se abrem para trás com um simples toque do motorista na maçaneta. Outro toque no dispositivo aciona um guarda-chuva embutido na porta. A carroceria lembra os modelos antigos da marca, mas tem pára-choques embutidos, o que lhe confere um visual mais moderno. No capô, a estatueta conhecida como Spirit of Ecstasy, o símbolo da marca, pode ser recolhida por meio de um dispositivo eletrônico. O Maybach, fabricado pela Mercedes-Benz, tem um compartimento traseiro que mais lembra a primeira classe de um avião. As poltronas – individuais – reclinam a ponto de ficar quase na horizontal. O teto é feito de um cristal especial que escurece ao ser acionado um botão. As mesmas regalias podem ser encontradas no protótipo do novo Cadillac, que ainda conta com um relógio fabricado pela joalheria italiana Bulgari no painel e bancos revestidos de couro produzido na região da Toscana, na Itália. A diferença é um motor V16 colossal com 1.000 cavalos de potência, o dobro dos concorrentes. De todos esses carrões, por enquanto apenas o Maybach está à disposição dos brasileiros. Basta procurar a Mercedes e assinar um cheque no valor de 2,5 milhões de reais.

   
 
   
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