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Apague já o cigarro

Você passou a fumar menos, porque
acha
que isso é suficiente para manter
a saúde?
Esqueça. Uma pesquisa dinamarquesa mostra que diminuir
o
consumo de tabaco não reduz
os riscos de morte

Karina Pastore

Veja também
Teste: calcule a sua dependência do cigarro
Da internet
Site sobre tabagismo do Inca
Dos arquivos de VEJA
As armas contra o vício (6/11/2002)
"Homens e ricos têm mais chances" (14/8/2002)
"A química do vício" (17/4/2002)
Hollywood e o vício do tabaco (20/3/2002)
"O vício resiste a tudo" (27/2/2002)
Câncer de pulmão: o maior culpado é o cigarro (28/3/2001)
"A vida sem cigarro" (4/11/1998)

Fumar menos está entre suas promessas para 2003? Bem, é melhor rever seus planos para o ano novo. Foi publicado na revista científica American Journal of Epidemiology o primeiro estudo sobre o impacto da redução no consumo de cigarros nas taxas de mortes associadas ao tabaco. Ao contrário do que se supunha, reduzir as tragadas não faz ninguém viver mais. O que faz a diferença é abandonar o vício para sempre. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, acompanharam por quinze anos quase 20.000 homens e mulheres de 55 anos, em média. Fumantes com no mínimo trinta anos de baforadas, eles consumiam de oito a vinte cigarros por dia. Ao término dos trabalhos, os médicos dinamarqueses constataram que os índices de óbito entre os fumantes que cortaram pela metade o número de cigarros diários equivaliam aos dos fumantes que não alteraram seus hábitos. Já entre aqueles que largaram de vez o tabaco os riscos de morte em geral – por doenças cardiovasculares e respiratórias, por exemplo – caíram 35%. Os de morte por câncer, 64%.

Quanto maior a quantidade de cigarros e quanto mais longa a dependência, maiores são os danos à saúde e mais difícil é largar o tabagismo. O risco de surgir um câncer de pulmão numa pessoa que fuma três cigarros por dia é quatro vezes maior do que em um não-fumante. Em quem consome um maço diário, a probabilidade de desenvolver um tumor pulmonar é 24 vezes maior. O que não se imaginava é que apenas um cigarro por dia pudesse causar danos. A explicação é que os malefícios causados pelas 4.700 substâncias contidas em um único cigarro são cumulativos. Se o hábito de fumar não é totalmente interrompido, a agressão contra o organismo continua e ele não tem chance de se recuperar. "Além disso, quem passa a fumar menos tende a fumar diferente", afirma a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, do Instituto do Coração, de São Paulo. "Para satisfazer a dependência, as tragadas costumam ser mais profundas." Ou seja, mais fumaça por mais tempo dentro do organismo.

No Brasil, há cerca de 30 milhões de fumantes. Deles, 78% dizem ter vontade de se livrar da dependência. Menos de 5%, no entanto, atingem seu objetivo ao fim de um ano. Até conseguir parar, um fumante faz, em média, cinco tentativas. O vício da nicotina é comparável aos da cocaína e da heroína. A maioria precisa de ajuda terapêutica para abandonar o cigarro. O tratamento-padrão dura de oito a doze semanas, período em que os problemas acarretados pela abstinência são mais acentuados. Os resultados mais promissores são obtidos a partir da combinação de adesivos cutâneos de nicotina com um antidepressivo à base de bupropiona, que age nas mesmas regiões do cérebro atingidas pela nicotina. Um ano depois de largar o vício, a probabilidade de um ex-fumante ter uma doença do coração causada pelo tabagismo cai para a metade. Dez a vinte anos depois, o risco de ele ter câncer é equivalente ao de um não-fumante. Como se vê, leva tempo para o organismo ficar limpo.

 



   
 
   
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