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Apague
já o cigarro
Você
passou a fumar menos, porque
acha que
isso é suficiente para
manter
a saúde? Esqueça.
Uma pesquisa dinamarquesa mostra que
diminuir
o consumo
de tabaco não reduz
os riscos de morte
Karina
Pastore

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Fumar
menos está entre suas promessas para 2003? Bem, é melhor
rever seus planos para o ano novo. Foi publicado na revista científica
American Journal of Epidemiology o primeiro estudo sobre o impacto
da redução no consumo de cigarros nas taxas de mortes associadas
ao tabaco. Ao contrário do que se supunha, reduzir as tragadas
não faz ninguém viver mais. O que faz a diferença
é abandonar o vício para sempre. Pesquisadores da Universidade
de Copenhague, na Dinamarca, acompanharam por quinze anos quase 20.000
homens e mulheres de 55 anos, em média. Fumantes com no mínimo
trinta anos de baforadas, eles consumiam de oito a vinte cigarros por
dia. Ao término dos trabalhos, os médicos dinamarqueses
constataram que os índices de óbito entre os fumantes que
cortaram pela metade o número de cigarros diários equivaliam
aos dos fumantes que não alteraram seus hábitos. Já
entre aqueles que largaram de vez o tabaco os riscos de morte em geral
por doenças cardiovasculares e respiratórias, por
exemplo caíram 35%. Os de morte por câncer, 64%.
Quanto
maior a quantidade de cigarros e quanto mais longa a dependência,
maiores são os danos à saúde e mais difícil
é largar o tabagismo. O risco de surgir um câncer de pulmão
numa pessoa que fuma três cigarros por dia é quatro vezes
maior do que em um não-fumante. Em quem consome um maço
diário, a probabilidade de desenvolver um tumor pulmonar é
24 vezes maior. O que não se imaginava é que apenas um cigarro
por dia pudesse causar danos. A explicação é que
os malefícios causados pelas 4.700 substâncias contidas em
um único cigarro são cumulativos. Se o hábito de
fumar não é totalmente interrompido, a agressão contra
o organismo continua e ele não tem chance de se recuperar. "Além
disso, quem passa a fumar menos tende a fumar diferente", afirma a cardiologista
Jaqueline Scholz Issa, do Instituto do Coração, de São
Paulo. "Para satisfazer a dependência, as tragadas costumam ser
mais profundas." Ou seja, mais fumaça por mais tempo dentro do
organismo.
No Brasil, há cerca de 30 milhões de fumantes. Deles, 78%
dizem ter vontade de se livrar da dependência. Menos de 5%, no entanto,
atingem seu objetivo ao fim de um ano. Até conseguir parar, um
fumante faz, em média, cinco tentativas. O vício da nicotina
é comparável aos da cocaína e da heroína.
A maioria precisa de ajuda terapêutica para abandonar o cigarro.
O tratamento-padrão dura de oito a doze semanas, período
em que os problemas acarretados pela abstinência são mais
acentuados. Os resultados mais promissores são obtidos a partir
da combinação de adesivos cutâneos de nicotina com
um antidepressivo à base de bupropiona, que age nas mesmas regiões
do cérebro atingidas pela nicotina. Um ano depois de largar o vício,
a probabilidade de um ex-fumante ter uma doença do coração
causada pelo tabagismo cai para a metade. Dez a vinte anos depois, o risco
de ele ter câncer é equivalente ao de um não-fumante.
Como se vê, leva tempo para o organismo ficar limpo.
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