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É horrível,
mas eles gostam
Pesquisa
mostra que os americanos
gostam de pegar a estrada para
conhecer monumentos kitsch
Monica Weinberg
AP
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Skowhegan Area Chamber of Commerce

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A
elefanta Lucy e
o maior índio do mundo, no Maine:
o
que não se faz para
vender mais
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A Associação
da Indústria do Turismo dos Estados Unidos encomendou uma pesquisa
para conhecer um pouco melhor os americanos que viajam de férias
com a família, de carro. Queria saber o que mais os atrai na hora
de decidir o destino da viagem. Três respostas se destacaram. Uma
fatia de entrevistados, que gosta de fazer compras, declarou escolher
o lugar levando em conta a oferta de lojas existentes no local. Outro
grupo disse selecionar o destino considerando as facilidades para a prática
de atividades ao ar livre. A terceira resposta chamou a atenção
dos entrevistadores. Uma parte dos turistas disse preferir locais onde
possa admirar monumentos. A associação foi verificar que
monumentos são esses e localizou estátuas "pré-históricas",
caubóis tamanho-família e marcianos a bordo de naves espaciais,
entre outras inúmeras esculturas espetadas às margens de
estradas americanas ou na entrada de minúsculas cidades dos Estados
Unidos.
Tais monumentos
foram construídos por comerciantes locais com o objetivo de atrair
clientela para postos de gasolina e lanchonetes no acostamento ou fisgar
a atenção de turistas para cidades sem atrativo nenhum.
Foi com essa filosofia que ganhou vida, na cidade de Dothan, no Alabama,
um colossal amendoim banhado em ouro, único chamariz em um lugarejo
cujo maior orgulho é sediar o concurso Miss Amendoim. Em Margate,
no Estado de Nova Jersey, a estrela é Lucy, uma elefanta
de latão e madeira que pesa 90 toneladas e mede 20 metros. Os turistas
podem passear pelo interior de Lucy e subir a seu dorso, de onde
se aprecia uma visão panorâmica da cidadezinha, que tem apenas
8.200 habitantes. Esse conjunto de "obras"
se enquadra com precisão no gênero kitsch, sinônimo
de brega, cafona, excessivo, exagerado.
Tais obras
não foram construídas com o propósito de integrar
o acervo do Metropolitan Museum, em Nova York. A idéia de seus
autores é que só sejam o mais espalhafatosas possível
para aumentar o comércio na região. E o expediente tem funcionado.
Afinal, se não fosse por um meganovelo de barbante de 8 toneladas,
por que alguém se deslocaria até a pequenina Cawker City,
no interior do Kansas? Só com a ajuda de um monumento kitsch, Collinsville,
no Illinois, consegue alguma badalação. É lá
que se localiza a auto-intitulada "maior garrafa de ketchup do mundo".
Uma coleção kitsch de centenas de bonecões com quase
10 metros de altura, os Muffler Men, é prova viva da força
dessas estátuas. Construídas para anunciar a presença
de uma rede especializada em silenciadores para automóveis da Califórnia,
as esculturas foram abandonadas à própria sorte quando a
companhia fechou as portas. Isso até recentemente. No embalo da
onda de popularidade kitsch, algumas apareceram para ser vendidas. O preço?
Até 10.000 dólares. Os americanos
estão adorando pegar o carro só para conferir. Monumentos
kitsch vêm sendo construídos nos Estados Unidos há
anos. A maioria data das décadas de 50 a 70. Mas agora eles voltaram
a despertar o interesse dos americanos.
Como toda
moda, a onda de visitação já se tornou alvo de estudos
acadêmicos, e o resultado é uma série de teorias para
explicar o fenômeno. Sim, nos Estados Unidos, onde se estuda de
tudo, discute-se até mesmo o porquê da popularidade de índios
e elefantes gigantes. A autora do livro A América Excêntrica,
Jan Friedman, dedicou 320 páginas ao assunto. "Os americanos
gostam de ser os maiores do mundo, e as esculturas de beira de estrada
fazem tanto sucesso porque são a síntese disso", ensaia
sua explicação. Outra, com excesso de verniz intelectual,
diz que os monstrengos de estrada ganharam popularidade no encalço
de uma maré nostálgica. Os americanos estariam com saudade
de um período dourado perdido entre os anos 50 e 70, e as estátuas
ajudam a reviver o passado. São leituras possíveis, mas
a preocupação dos comerciantes é investir no bizarro
para extrair dele o maior retorno possível inclusive teorias
acadêmicas que aumentem ainda mais o interesse das pessoas pelos
monumentos kitsch.
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