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Esta mulher vende
tudo
A eBay,
dirigida por Meg Whitman,
começou com CDs e fotos autografadas
de ídolos. Agora leiloa aviões, ilhas
e até cidades
Divulgação
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| Meg:
seu site de leilões on-line é uma relíquia da
nova economia |
Cerca de
1 500 empresas pontocom dos Estados Unidos fecharam o ano passado com
lucro. Uma surpresa depois da explosão da bolha da internet. Nenhuma
delas, no entanto, conseguiu a proeza da eBay, o portal de leilões
comandado pela já lendária Meg Whitman. Meg, como é
chamada por todos, inclusive seus subalternos, vende de tudo. Até
uma cidade. Bridgeville, no norte da Califórnia, tem 32 hectares,
área equivalente a duas vezes um estádio de futebol. Com
treze casas e 25 habitantes, é uma espécie de condomínio
fechado que não perdeu o título de cidade por uma liberalidade
da lei estadual da Califórnia. Bridgeville manteve até código
postal próprio. Para o casal Elizabeth e Joe Lapple, os proprietários
do terreno da cidade, a manutenção do lugar se tornou insustentável.
Foi então que Elizabeth decidiu colocar Bridgeville à venda
no eBay, site que já usava compulsivamente. O terreno e as casas
do vilarejo acabaram arrematados há poucas semanas por 1,8 milhão
de dólares. O comprador, um milionário californiano, preferiu
ficar no anonimato.
Fotos AP
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| Bridgeville,
a cidade vendida pelo eBay: de 300 habitantes, sobraram 25 |
Meg, da eBay,
comercializa desde cidades e aviões até um par de meias
e um conjunto de guardanapos. Os valores vão de alguns poucos dólares
a quase 5 milhões de dólares. No ano passado, vendeu um
antigo silo de mísseis no Estado de Nova York por 2,1 milhões
de dólares. Na semana passada, o site anunciava a ilha caribenha
de Thatch Cay, localizada no território americano das Ilhas Virgens.
Em uma conferência na semana passada, Meg tinha tudo para estar
orgulhosa. Quem apostou nas ações da empresa nos últimos
anos não perdeu dinheiro. Os valores estão longe do recorde
registrado em 2000, quando uma ação chegou a ser cotada
a 127 dólares. Mas a valorização foi considerável.
Em 1999, o preço da ação estava em 5 dólares.
Na semana passada ela era vendida a 71 dólares. O lucro líquido
cresce a uma taxa anual de 30% e deve ter fechado 2002 na casa dos 115
milhões de dólares. O valor dos produtos e serviços
vendidos no site no ano passado chegou a cerca de 15 bilhões de
dólares, o equivalente a 18% das vendas do varejo on-line em todo
o mundo. Perto de companhias da velha economia, como Wal-Mart, que está
no patamar de 260 bilhões em vendas, a eBay é nanica. Mas,
no ranking dos maiores varejistas americanos, incluindo os da economia
real, não faz feio. Está em trigésimo lugar. No ramo
dos leilões on-line, não tem para ninguém. A empresa
é líder na Alemanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos,
onde controla cerca de 90% do mercado.
Como se
explica tamanho sucesso depois da crise da internet? "A eBay ficou imune
à crise porque é uma empresa considerada transparente e
objetiva", disse a VEJA Jeff Fieler, analista de internet do Bear Stearns,
o banco de investimentos americano. Meg criou um ambiente seguro para
evitar fraudes, uma das maiores ameaças à credibilidade
de um site de leilões, e investiu pesado em marketing. Como os
custos de unir vendedores e compradores é baixo na internet, os
preços são bastante competitivos. Depois do acerto, a eBay
deixa que ambas as partes acertem o envio do produto. Não há
custos com estocagem e transporte. Meg conhece bem os vários perfis
dos usuários do site. Basicamente, o que une caçadores de
barganha e empresários é a comodidade, a possibilidade de
comprar e vender sem sair de casa ou do escritório.
Fotos divulgação
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A
grande oferta do site agora é uma ilha: paraíso caribenho
à venda |
Casada com
o neurocirurgião Griffith Harsh, professor nas universidades Stanford
e Harvard, Meg abriu sua primeira conta particular de e-mail há
cerca de cinco anos. Formada em Princeton e com MBA em Harvard, Meg trabalhou
longos anos na velha economia e passou por empresas do porte da Procter
& Gamble e da Disney. Em 1997, atuava como chefe da divisão
da multinacional americana Hasbro, que fabrica brinquedos para bebês
e crianças em idade pré-escolar. Tinha cerca de 600 empregados,
gerenciava vendas anuais de 600 milhões de dólares e estava
contente com o que fazia. Foi então que recebeu o telefonema de
um headhunter oferecendo a direção da eBay. Meg não
quis nem conversa. A idéia de tirar os dois filhos da escola, nos
arredores de Boston, e fazer o marido mudar de emprego era terrível.
No segundo telefonema, ficou mais receptiva. Nunca tinha ouvido falar
da empresa fundada em 1995 pelo francês naturalizado americano Pierre
Omydiar. Foram três semanas de negociação até
Meg, já encantada com o desafio da internet, aceitar o emprego.
Na eBay,
nem tudo depende de Meg. O teste aconteceu em 11 de setembro de 2001,
quando os principais diretores da empresa estavam fora dos Estados Unidos,
em viagens de negócios. Diante do choque causado pelos ataques
terroristas, o segundo escalão agiu com rapidez e eficiência.
Cuidou para que o site não saísse do ar e montou um leilão
para ajudar as famílias das vítimas. Na volta da Ásia,
Meg elogiou o desempenho dos auxiliares dizendo que não teria feito
melhor. A humildade é outra característica sua. Clientes
insatisfeitos já receberam e-mails da número 1 com pedidos
de desculpa. A presidente da eBay também é conhecida como
uma chefe acessível, uma raridade num setor em que o ego dos poderosos
parece não ter limites.
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