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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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A Índia diz sim
aos transgênicos

Pânico no meio ecochato:
programa contra a fome
vai usar batata modificada
geneticamente

Veja também
Dos arquivos de VEJA
"Como alimentar
6 bilhões de pessoas?"
(dezembro/2002)
"O transgênico já é parte da sua vida" (9/8/2000)

O governo indiano deu um passo ousado para combater a desnutrição e a fome que atingem milhões de crianças no país. Cientistas e empresas da Índia estão testando uma batata produzida em laboratório que contém uma dose 30% maior de proteínas do que uma batata comum, incluindo aminoácidos essenciais para o crescimento infantil. A batata indiana é um transgênico, categoria de produto demonizada por ecologistas de todo o planeta. Para criá-la, os pesquisadores inseriram no DNA da batata um gene de amaranto, uma planta usada pelas antigas civilizações pré-colombianas como fonte de proteína e redescoberta nos últimos anos pelos adeptos das dietas naturalistas. Há três semanas, pesquisadores indianos foram a um congresso científico em Londres e pediram às entidades ambientalistas e filantrópicas que não satanizem a batata inventada por eles como fizeram dois anos atrás com o chamado "arroz dourado" – um tipo de arroz geneticamente enriquecido com beta-caroteno criado por uma indústria farmacêutica e destinado a pessoas que têm deficiência de vitamina A. Em decorrência da gritaria dos ecologistas, o arroz enfrenta uma moratória de cinco anos para poder ser testado em campos abertos de cultivo. "Nós queremos combater a fome em nosso país. Acho que seria moralmente indefensável ficar contra uma iniciativa desse porte", disse Govindarajan Padmanaban, bioquímico do Instituto Indiano de Ciência.


AFP
Protesto do Greenpeace: contra a alteração genética


Os transgênicos são provavelmente os produtos mais difamados da história. Já foram acusados de matar borboletas, de alterar o ambiente onde estão plantados e ameaçar de contaminação as variedades naturais. Também já se afirmou a respeito deles que poderiam provocar reações alérgicas e intoxicar quem os consome. Com base nessas suspeitas, a Zâmbia, país miserável da África, recusou uma doação de milho transgênico produzido nos Estados Unidos. O cereal foi enviado pela ONU em um programa de assistência a vítimas da seca que assola os países do sul do continente africano. Mas desde 1996, quando o primeiro produto geneticamente modificado foi lançado, não há nenhuma prova contra eles. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde divulgou documento em que atesta que as espécies de produtos transgênicos atualmente comercializadas (principalmente milho e soja) não oferecem risco à saúde e podem ser consumidas sem temor. A única advertência diz respeito às pesquisas de biossegurança desses produtos, que só podem ser concluídas quando não houver nenhuma dúvida sobre os resultados das alterações. Os argumentos da OMS não são suficientes para convencer os ambientalistas. "Ainda não temos certeza absoluta de que esses produtos não fazem mal à saúde nem contaminam o ambiente. Por isso, somos contra, mesmo em iniciativas de combate à fome", diz Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética da ONG ambientalista Greenpeace no Brasil. Pelo visto, os argumentos dos cientistas indianos não são fortes o suficiente para arrefecer a polêmica.


   
 
   
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