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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Um emprego para Itamar

O ex-governador ia para a Itália,
mas mudou de idéia. Agora quer
ir para Buenos Aires

O ex-governador Itamar Franco dedicou os últimos dias para tratar de um tema importante: emprego. Não emprego, em tese, mas emprego para amigos seus e também para ele. Na semana passada, Itamar esteve em Brasília para conversar com o presidente Lula. No encontro, manifestou o desejo de ocupar a embaixada em Buenos Aires. De quebra, apresentou alguns nomes que poderiam ocupar postos no governo federal. A conversa não foi o que o ex-presidente esperava. Segundo relato de um assessor palaciano, Lula teria dito a Itamar que o posto na Argentina já foi prometido a outro. Mas relembrou que o compromisso feito durante a campanha estava mantido. Itamar poderia assumir a embaixada em Roma na hora que bem entendesse.

J. B. Perillo
O ex-presidente Campos Salles: sua missão na Argentina era passear todas as tardes


Até a conversa da semana passada, tudo parecia certo para que Itamar se mudasse para Roma, mas ele alterou seus planos — o que não é propriamente um traço desconhecido de sua personalidade. Ele teria mudado de idéia nas últimas semanas, depois que amigos o aconselharam a ficar mais perto do Brasil. Como em política os nãos e os sins não têm prazo de validade, nada impede que Itamar atinja seu objetivo. Até a semana passada, no entanto, o governo do PT achava mais apropriado mandar para a Argentina um profissional das relações exteriores, e não alguém que procura um posto para se alojar. Em razão do volume de negócios que o Brasil mantém com a Argentina, Buenos Aires é uma das duas representações mais importantes no exterior. Na hierarquia dos postos do Itamaraty, está no mesmo nível de Washington. O último ex-presidente nomeado para a função foi Campos Salles, no começo do século passado. Foi com a missão de ser visto passeando por ruas elegantes de Buenos Aires, para marcar a presença brasileira no país. Ficou apenas três meses no cargo.

Itamar Franco ocupou os postos mais importantes da política. Foi senador, governador e presidente da República. Chegou ao topo da carreira. Poderia montar uma ONG, escrever livros ou fazer palestras. Mas Itamar demonstra gostar genuinamente do dia-a-dia da política, das trocas de favores e dos pedidos de emprego. Quando deixou a Presidência e passou a faixa para Fernando Henrique, conseguiu uma nomeação para a embaixada em Lisboa. Só que ele passava muito tempo em Minas Gerais e não se sentia na obrigação de seguir as orientações do Itamaraty. Diante dos desdobramentos, amigos seus ouvidos por VEJA prometem tentar convencê-lo a aceitar o cargo na Itália. O salário é de cerca de 12.000 dólares, com casa, comida e roupa lavada.

 
 
   
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