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Um
emprego para Itamar
O ex-governador
ia para a Itália,
mas mudou de idéia. Agora quer
ir para Buenos Aires
O ex-governador Itamar Franco dedicou os últimos dias para tratar
de um tema importante: emprego. Não emprego, em tese, mas emprego
para amigos seus e também para ele. Na semana passada, Itamar esteve
em Brasília para conversar com o presidente Lula. No encontro,
manifestou o desejo de ocupar a embaixada em Buenos Aires. De quebra,
apresentou alguns nomes que poderiam ocupar postos no governo federal.
A conversa não foi o que o ex-presidente esperava. Segundo relato
de um assessor palaciano, Lula teria dito a Itamar que o posto na Argentina
já foi prometido a outro. Mas relembrou que o compromisso feito
durante a campanha estava mantido. Itamar poderia assumir a embaixada
em Roma na hora que bem entendesse.
J. B. Perillo
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| O
ex-presidente Campos Salles: sua missão na Argentina era passear
todas
as tardes |
Até a conversa da semana passada, tudo parecia certo para que Itamar
se mudasse para Roma, mas ele alterou seus planos o que não
é propriamente um traço desconhecido de sua personalidade.
Ele teria mudado de idéia nas últimas semanas, depois que
amigos o aconselharam a ficar mais perto do Brasil. Como em política
os nãos e os sins não têm prazo de validade, nada
impede que Itamar atinja seu objetivo. Até a semana passada, no
entanto, o governo do PT achava mais apropriado mandar para a Argentina
um profissional das relações exteriores, e não alguém
que procura um posto para se alojar. Em razão do volume de negócios
que o Brasil mantém com a Argentina, Buenos Aires é uma
das duas representações mais importantes no exterior. Na
hierarquia dos postos do Itamaraty, está no mesmo nível
de Washington. O último ex-presidente nomeado para a função
foi Campos Salles, no começo do século passado. Foi com
a missão de ser visto passeando por ruas elegantes de Buenos Aires,
para marcar a presença brasileira no país. Ficou apenas
três meses no cargo.
Itamar Franco ocupou os postos mais importantes da política. Foi
senador, governador e presidente da República. Chegou ao topo da
carreira. Poderia montar uma ONG, escrever livros ou fazer palestras.
Mas Itamar demonstra gostar genuinamente do dia-a-dia da política,
das trocas de favores e dos pedidos de emprego. Quando deixou a Presidência
e passou a faixa para Fernando Henrique, conseguiu uma nomeação
para a embaixada em Lisboa. Só que ele passava muito tempo em Minas
Gerais e não se sentia na obrigação de seguir as
orientações do Itamaraty. Diante dos desdobramentos, amigos
seus ouvidos por VEJA prometem tentar convencê-lo a aceitar o cargo
na Itália. O salário é de cerca de 12.000 dólares,
com casa, comida e roupa lavada.
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