
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Capa
premonitória
 |
| Última
capa de VEJA: prevendo as cobranças |
A
capa de VEJA da semana passada, estampada ao lado, foi premonitória.
Sob o título "Lula-de-mel", a revista afirmava: "A partir
de agora, começa a cobrança". Pois a cobrança começou
quando a edição de VEJA ainda estava fresca nas bancas. Nos
primeiros dias de exercício do cargo, vários ministros de
Lula anunciaram providências de alta repercussão na mídia
que, no entanto, teriam de ser desmentidas horas depois. Um ministro, o
da Ciência e Tecnologia, falou com simpatia a respeito de pesquisas
brasileiras para a produção da bomba atômica. Causou
escândalo e enfrentou um desmentido público do governo. O Ministério
dos Transportes declarou que, na falta de verbas suficientes para obras
rodoviárias, o Exército tinha capacidade para construir de
800 a 1 000 quilômetros de estradas por ano. Pois não se passaram
24 horas antes que o próprio comandante do Exército viesse
a público declarar que não tem instrumentos para cumprir essa
meta. E assim transcorreu a semana, entre lançamentos de factóides
e desmentidos quase imediatos.
A despeito da derrapagem na largada, o governo do PT está acertando
no essencial. Ao ser empossado na presidência do Banco Central,
Henrique Meirelles reafirmou que seu papel é ser o guardião
da moeda e manteve intacta a política de metas inflacionárias
de seu antecessor. O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini,
adiantou que o governo vai atacar o coração do problema,
produzindo uma reforma no instituto das aposentadorias já neste
ano. E o ministro do Trabalho deixou claro que veio para modernizar a
legislação trabalhista do período Vargas, que prejudica
a geração de empregos no Brasil. Em menos de dez dias, a
sucessão de discursos e medidas corretas do governo nas áreas
vitais derrubou o dólar e cortou pela metade a taxa de risco de
empréstimos internacionais para o Brasil.
Em seu período na Casa Branca, o presidente John Kennedy disse
certa vez que procuraria "não gastar energia tentando consertar
o que não está quebrado". A reflexão serve para o
governo Lula.
|
|
 |