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Edição 1 785 - 15 de janeiro de 2003
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Capa premonitória


Última capa de VEJA: prevendo as cobranças
A capa de VEJA da semana passada, estampada ao lado, foi premonitória. Sob o título "Lula-de-mel", a revista afirmava: "A partir de agora, começa a cobrança". Pois a cobrança começou quando a edição de VEJA ainda estava fresca nas bancas. Nos primeiros dias de exercício do cargo, vários ministros de Lula anunciaram providências de alta repercussão na mídia que, no entanto, teriam de ser desmentidas horas depois. Um ministro, o da Ciência e Tecnologia, falou com simpatia a respeito de pesquisas brasileiras para a produção da bomba atômica. Causou escândalo e enfrentou um desmentido público do governo. O Ministério dos Transportes declarou que, na falta de verbas suficientes para obras rodoviárias, o Exército tinha capacidade para construir de 800 a 1 000 quilômetros de estradas por ano. Pois não se passaram 24 horas antes que o próprio comandante do Exército viesse a público declarar que não tem instrumentos para cumprir essa meta. E assim transcorreu a semana, entre lançamentos de factóides e desmentidos quase imediatos.

A despeito da derrapagem na largada, o governo do PT está acertando no essencial. Ao ser empossado na presidência do Banco Central, Henrique Meirelles reafirmou que seu papel é ser o guardião da moeda e manteve intacta a política de metas inflacionárias de seu antecessor. O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, adiantou que o governo vai atacar o coração do problema, produzindo uma reforma no instituto das aposentadorias já neste ano. E o ministro do Trabalho deixou claro que veio para modernizar a legislação trabalhista do período Vargas, que prejudica a geração de empregos no Brasil. Em menos de dez dias, a sucessão de discursos e medidas corretas do governo nas áreas vitais derrubou o dólar e cortou pela metade a taxa de risco de empréstimos internacionais para o Brasil.

Em seu período na Casa Branca, o presidente John Kennedy disse certa vez que procuraria "não gastar energia tentando consertar o que não está quebrado". A reflexão serve para o governo Lula.

 
 
   
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