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Internacional
Viagem ao circo de Chávez A
excentricidade de Chávez disfarça sua lenta e obstinada destruição
da democracia na Venezuela. O cotidiano do país mostra uma imensa
popularidade comprada com submissão, subsídios e ameaças
tudo pago com o lucro do petróleo

Diogo Schelp, de Caracas Fotos Paulo Vitale
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O SENHOR DA VENEZUELA Hugo
Chávez: no passado, ele liderou um fracassado golpe militar. Agora, usa
a democracia para acabar com a democracia | | | O presidente Hugo Chávez
completou na semana passada um ciclo em sua busca pelo poder absoluto na Venezuela.
Nas eleições de domingo 4, ele conquistou 100% das cadeiras na Assembléia
Nacional. Foi um momento extraordinário para um presidente que vive proclamando
as virtudes da "democracia participativa" sobre a democracia meramente "representativa",
pois o povo escolheu não participar. Visto que o governo iria ganhar de
qualquer jeito, apenas um em cada quatro eleitores se deu ao trabalho de comparecer
às urnas. Às vésperas da eleição, os partidos
de oposição decidiram boicotar o pleito em protesto contra a parcialidade
da Justiça Eleitoral. Completou-se o ciclo porque a Assembléia Nacional
era a derradeira instituição de governo em que a oposição
ainda dispunha de alguma influência. Eleito de forma democrática,
Chávez recorreu a golpes brancos e plebiscitos para se tornar senhor do
Judiciário, incluindo aí a Justiça Eleitoral e o Ministério
Público, e do Legislativo. Agora sem oposição parlamentar,
o presidente terá ainda mais liberdade para fazer o que quiser na Venezuela.
O que ele quer fazer pode ser medido pelo que já
fez. Nos últimos anos, em que já desfrutava maioria no Congresso,
ele aprovou algumas centenas de leis com o objetivo de aumentar o controle do
Estado sobre a economia e a vida privada dos venezuelanos. Também criou
instrumentos que permitiram que substituísse os funcionários públicos,
os juízes e os promotores por quadros de sua confiança. "Chávez
está usando os mecanismos democráticos para destruir a democracia",
entende o economista Gerver Torres, ex-conselheiro do Banco Mundial que dirige
uma ONG de formação de líderes políticos, em Caracas.
Veja como isso ocorre no dia-a-dia dos venezuelanos:
O Ministério Público é encarregado de processar os adversários
políticos ou qualquer um que se manifeste contra Chávez. Uma acusação
muito usada é a de "traição à pátria". A pátria,
no caso, é representada pela figura do presidente.
Oitenta por cento dos magistrados têm contratos
temporários, muitos de apenas três meses. Se algum deles toma uma
decisão que desagrade ao governo, seu contrato não é renovado.
Os nomes dos mais de 20.000
trabalhadores demitidos da PDVSA, a estatal do petróleo, depois de uma
greve contra Chávez, estão numa lista negra. Não podem trabalhar
em nenhum órgão público. Também não encontram
trabalho na iniciativa privada, pois as empresas temem represálias do governo.
Metade deles já emigrou em busca de oportunidades no exterior.
Empresários que se envolvem
em atividade política de oposição são submetidos a
uma devassa fiscal. Em geral, a empresa é fechada por 48 horas para que
a papelada seja examinada. Os oposicionistas também costumam ser impedidos
de comprar dólares, moeda fundamental para os negócios, pois praticamente
tudo é importado na Venezuela.
Com o dinheiro do petróleo, Chávez montou uma rede de supermercados
a preços subsidiados, hoje a maior do país. O resultado foi uma
quebradeira geral de pequenas e médias empresas, sem condições
de competir com o governo.
O governo ampliou sua participação e intervenção não
apenas em setores econômicos importantes. Também criou mecanismo
de controle da cultura, dos esportes e dos sindicatos, substituídos por
entidades pelegas criadas pelo Estado.
Há desapropriações de empresas que o governo considera ociosas
ou improdutivas. Basta um galpão vazio para provar que a empresa deixou
de cumprir seu papel social. Neste ano, mais de uma dezena de empresas foram desapropriadas
só em Caracas. O Estado
organizou seu próprio MST. O governo também escolhe a fazenda a
ser invadida, transporta os invasores até o local e garante com antecedência,
em documento oficial, a desapropriação da área ocupada.
Não há censura direta
à imprensa. Jornais e emissoras de televisão criticam abertamente
o presidente. Mas Chávez já criou o instrumento que lhe permitirá
acabar com a liberdade de expressão caso enfrente uma crise política.
Trata-se da lei que prevê a suspensão da concessão pública
de rádios e TVs que atentem contra a segurança nacional um
conceito vago muito usado pela ditadura militar brasileira.
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 | "HONOR
AL JEFE" Hugo Chávez adotou um culto
à personalidade ao estilo stalinista. Sua imagem está por toda parte,
e só ele é responsável pelos sucessos do governo. Os erros,
por sua vez, são atribuídos aos ministros e deputados. Todo domingo,
o presidente chega a passar cinco horas falando de tudo na TV. Seu tema predileto
é xingar a oposição. |
Hugo Chávez tem em seu currículo uma tentativa sangrenta de tomar
o poder pelas armas, em 1992. Hoje, ele pode dispensar o golpe de Estado para
se transformar em ditador. As ferramentas estão todas em sua mão.
Estima-se que tenha o apoio de metade dos venezuelanos exatamente a parte
mais pobre, que ele cativa com um discurso populista e uma ampla ação
assistencialista. Seu poder foi cimentado por plebiscito em que conseguiu maioria
esmagadora. Plebiscitos podem ser instrumentos democráticos legítimos
e dessa forma são usados em muitos países com objetivos específicos.
Chávez lançou mão deles de forma antidemocrática,
para atropelar a representação popular e recriar o Estado de acordo
com sua vontade. O uso da democracia para destruir a democracia não é
original. Adolf Hitler era líder de uma bancada parlamentar eleita com
33% dos votos quando foi escolhido chanceler da Alemanha. Um ano depois, ele acumulou
o posto de presidente, deixado vago pela morte do marechal Hindenburg, obtendo
para isso a aprovação dos alemães em plebiscito. Nos anos
seguintes, fechou os sindicatos, calou a imprensa livre e suprimiu, pela violência
diária, os demais partidos. Entre 1933 e 1939, quando invadiu a Polônia
e expôs sua brutalidade ao mundo, Hitler usufruiu a neutralidade e até
a boa vontade da comunidade internacional. Há
semelhanças entre a trajetória de Hitler e a de Chávez. Sobretudo
num aspecto: como ocorreu com Hitler nos primeiros anos, a comunidade internacional
não está dando a devida atenção à forma sistemática
com que Chávez vem corroendo a liberdade na Venezuela. Na semana passada,
seu país foi aceito no Mercosul, apesar de a participação
estar condicionada pela chamada "cláusula democrática". A Venezuela
tem uma feia história de partidos e presidentes corruptos. Chávez
apresenta-se como o representante dos pobres ele se diz um deles, que conseguiu
superar a adversidade graças ao esforço pessoal e agora se dedica
a punir a elite corrupta e a ajudar os mais pobres. Todo o arrocho é feito
em nome da democracia e do bem-estar dos pobres. É um paradoxo, visto que
seu governo multiplicou o número de pobres. Em
seu programa de televisão dominical, um monólogo de cinco horas
no qual comenta desde políticas econômicas até o tamanho de
sua orelha, Chávez costuma vender a idéia de que o lucro é
imoral e que o sistema capitalista é contra o povo. Em suas contas, existem
700 empresas improdutivas na Venezuela e mais de 1.000 que operam com menos de
50% de sua capacidade. Para que sejam desapropriadas, basta que o presidente as
declare "de utilidade pública". Chávez joga sujo para não
dar chance a seus adversários em campanhas eleitorais. A Constituição
bolivariana, de 1999, aboliu o financiamento público dos partidos políticos.
Em compensação, o presidente usa toda a estrutura de comunicação
do Estado para fazer propaganda política do governo e dos partidos que
o apóiam e para atacar a oposição. O presidente pode entrar
em cadeia nacional de rádio e TV a qualquer instante, no meio da programação,
sem aviso prévio. Ele utiliza esse instrumento com prodigiosidade. Entre
janeiro e setembro deste ano, Chávez entrou 177 vezes em cadeia nacional.
Falou, no total, durante 37.000 minutos. No mesmo período, todos os partidos
de oposição juntos tiveram 800 minutos de exposição
na mídia eletrônica. As circunstâncias
da vitória esmagadora dos chavistas nas eleições legislativas
da semana passada dão uma boa idéia do clima de autoritarismo e
desconfiança que predomina na Venezuela. Dois fatores explicam a alta taxa
de abstenção. O primeiro é o caráter personalista
do governo venezuelano, centralizado na figura de Hugo Chávez. O presidente
desperta a admiração de 49% da população. "Já
os intermediários de Chávez, deputados e ministros, não atraem
mais do que apatia, como revelou o desinteresse por essas eleições",
diz o analista político Alberto Garrido, de Caracas. O segundo motivo para
a abstenção foi a falta de confiança dos eleitores no árbitro
do processo. As pesquisas de opinião mostram que apenas 53% dos venezuelanos
confiam no Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Não é à toa.
Dos cinco juízes que compõem o órgão eleitoral, quatro
foram colocados no cargo por Chávez e são aliados declarados do
presidente.
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| UM ÚNICO
FREGUÊS Manifestante em marcha chavista,
acima, à esquerda, e cooperativa têxtil em Caracas: as costureiras
estão recebendo uma antecipação mensal de 250 reais, de crédito
do governo, enquanto não conseguem lucro. Quando isso acontecer, também
será com dinheiro do Estado: as únicas encomendas consistem em camisas
vermelhas com propaganda do governo e dos programas sociais. Próximo da
cooperativa têxtil, há uma de calçados em que o princípio
é o mesmo: os fregueses são o governo, a PDVSA e Cuba. Assim, Chávez
garante a dependência dos cooperativistas em relação ao governo
indefinidamente | Muitos
eleitores não foram votar por medo. Na semana anterior à votação,
o CNE viu-se obrigado a suspender o uso de uma máquina de identificação
dos eleitores com impressão digital, depois que uma auditoria independente
revelou que o mecanismo permitiria ao governo saber em quem cada eleitor votou.
Os venezuelanos têm seus motivos para acreditar que o governo se interessa
em saber como cada um vota e temer que isso seja usado contra eles. Uma
prova de que o segredo do voto virou pó na Venezuela é um CD, cujas
cópias acabaram vazando, com os dados de 12 milhões de eleitores,
em que consta também a orientação política do cidadão
e como ele votou no referendo do ano passado. Por suas dimensões e grau
de intrusão, o arquivo contido no CD só pode ter sido produzido
por agentes do governo com acesso às urnas eleitorais eletrônicas.
A lista de nomes é chamada de "Maisanta", em homenagem ao bisavô
do presidente. A informação é usada pelo governo venezuelano
para perseguir os adversários: quem votou contra o presidente tem dificuldade
para tirar passaporte e não consegue emprego público. Em um país
em que 15% dos postos de trabalho estão no setor público, essa é
uma punição e tanto. E a perseguição política
vai mais longe. É comum os burocratas pedirem a lista de empregados de
uma empresa privada antes de fechar um contrato de prestação de
serviço ou compra de produtos. Se algum funcionário consta como
antichavista na lista Maisanta, a empresa corre o risco de perder o negócio
se não o demitir. Isso criou uma situação inusitada: algumas
companhias estão se valendo de empresas de fachada que têm
apenas funcionários politicamente "limpos" na folha de pagamento
para fechar os contratos com o governo. Josef Stalin fazia o mesmo que Chávez.
Era um pouco mais difícil, sem computador. Mas o objetivo era o mesmo.
Uma boa maneira de entender quais são as
armas de Chávez no seu projeto de destruir a democracia venezuelana é
percorrer as ruas de Caracas. Dois fenômenos marcam a paisagem da capital
da Venezuela. O primeiro é a frota de carros americanos dos anos 70 que
abarrotam as ruas da cidade, a maioria caindo aos pedaços e consumindo
1 litro de gasolina a cada 3 quilômetros. Só o quinto maior exportador
de petróleo do planeta, como é o caso da Venezuela, poderia se dar
ao luxo de ter tantos carros gastadores, alimentados por gasolina subsidiada ao
preço de 11 centavos de real o litro. O segundo fenômeno é
a profusão de gigantescos murais, grafites, cartazes e outdoors protagonizados
pelo presidente Hugo Chávez. Em todos, Chávez aparece como o pai
dos pobres e como o comandante que vai levar os venezuelanos a uma revolução
socialista do século XXI. Em muitos, o presidente é colocado ao
lado do ícone revolucionário Che Guevara ou de Fidel Castro, um
amigo do peito. Petróleo e populismo. Essa é a fórmula que
permitiu a Chávez concentrar poder e iniciar o controle da sociedade venezuelana
em diversos setores, da economia à cultura. Antes de Chávez, o país
era controlado por dois partidos da elite venezuelana que por décadas se
restringiram a criar uma estrutura estatal perdulária, ineficiente e corrupta.
O lucro do petróleo permitia à elite manter a paz social com subsídios,
como o da gasolina. Com a queda no preço do combustível fóssil,
em 1979, o país arrastou-se por duas décadas de crises econômicas
e políticas. Os partidos tradicionais ainda estão desmoralizados
pelos fracassos do passado. A oposição a Chávez é
fragmentada e ainda não se recuperou da derrota no plebiscito convocado
para tirar o presidente do poder.
 | A
FÉ DAS AVÓS BOLIVARIANAS "Chávez
é o meu comandante", diz Vilma Torres, de 59 anos, moradora do barrio
Manicomio, um dos mais antigos de Caracas. Estima-se que metade dos moradores
da capital viva nos barrios, o equivalente venezuelano às favelas.
Vilma é uma veterana militante socialista e admiradora de primeira hora
do presidente da Venezuela. "Graças a Chávez, consegui me naturalizar
venezuelana depois de anos e agora posso votar nele", diz Vilma, que nasceu no
Peru. Ela se orgulha de participar de quase uma dezena de grupos chavistas, como
a Organização das Avós Solidárias e a Frente Bolivariana
de Mulheres, e não sai de casa sem levar consigo uma pilha de jornais de
movimentos sociais para distribuir na rua. |
Quando Chávez assumiu a Presidência da Venezuela, em 1999, eleito
democraticamente, o preço internacional do barril do petróleo estava
em 10 dólares. Hoje está em 50 dólares. O preço do
combustível ajudou a economia venezuelana a crescer 17% no ano passado.
O lucro da PDVSA, a estatal do petróleo, teve aumento de mais de 50%, de
4,23 bilhões para 6,5 bilhões de dólares por ano, mesmo com
a redução na produção por falta de investimentos.
Chávez transformou a PDVSA em uma máquina de comprar apoio político
dentro e fora do país. Parte do lucro com a exportação de
petróleo é dedicada a sustentar uma colossal rede assistencialista
que torna a metade mais pobre da população dependente do governo,
mas não cria condições estruturais para melhorar a vida dos
cidadãos a longo prazo. Chávez tira 3,7 bilhões de dólares
por ano da estatal petroleira para sustentar os programas sociais. Para os pobres
venezuelanos, que sempre foram negligenciados pelas políticas públicas
dos governos anteriores, os projetos sociais de Chávez, chamados de misiones,
são um alento. As misiones tiveram
o efeito de encher o serviço público venezuelano de cubanos. A alfabetização
de adultos é feita com a supervisão de professores cubanos e se
vale de um método cubano de ensino. O atendimento médico primário
nos bairros pobres é feito por médicos cubanos que moram em casas
dentro das próprias comunidades. Todos mobilizados por Fidel Castro para
compensar o petróleo de graça com que Chávez deu novo alento
à combalida economia de Cuba. Depois de passar três anos sem nada
fazer pelos pobres que defendia em discurso, Chávez criou as misiones
em 2003 por sugestão de Fidel. "Ele vivia então seu pior momento
no governo e corria o risco de ser derrubado por um referendo, segundo indicavam
as pesquisas", diz Luis Christiansen, presidente da Consultores 21, um instituto
de pesquisas de opinião de Caracas. Com
os programas sociais, Chávez criou uma rede assistencialista que deixou
milhões de venezuelanos dependentes de seu governo. Só pelo programa
de alfabetização passou 1 milhão de pessoas, muitas ganhando
incentivos de até 20 dólares mensais para participar. Trata-se de
uma indústria de votos para Chávez, totalmente bancada por dinheiro
público e que cria uma melhoria de vida efêmera para os participantes.
É o caso das 270 sócias de uma cooperativa têxtil de Caracas
que funciona em um terreno da PDVSA. A cooperativa foi criada e financiada pelo
Estado. O aprendizado do ofício das costureiras foi pago pelo Estado. E
é o Estado, claro, quem compra os produtos feitos por elas em geral
camisetas de divulgação dos programas sociais, mais uma vez, bancadas
pelo Estado. "Quando o preço do petróleo cair, todo o sistema de
apoio popular montado por Chávez vai desabar e jogar o país em uma
crise econômica e social mais grave do que a vivida pela Argentina em 2001",
prevê Elsa Cardozo, cientista política da Universidade Central da
Venezuela, de Caracas. A herança econômica de longo prazo que Chávez
está deixando para o país são o desmonte do já pequeno
parque industrial, reduzido pela metade em sete anos, e a destruição
de postos de trabalho formais. Desde que assumiu, Chávez criou mais de
trinta companhias estatais, de empresa de aviação a redes de televisão.
A rede de supermercados do governo, Mercal, que vende produtos 40% mais baratos,
já é a maior do país. Quem sofre com a concorrência
são os pequenos e médios comerciantes de alimentos. A conta que
os pequenos comerciantes fazem é a de que, a cada novo Mercal, fecham as
portas cinco mercearias das imediações. Chávez está
destruindo a economia de mercado, a democracia e a justiça venezuelanas.
Não existe democracia sem instituições funcionais. Chávez
as despreza. Por enquanto, o mundo o ignora. Quando acordar, pode ser tarde demais.
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"OBRIGADO,
SENHOR PRESIDENTE" Na prova final do curso que
alfabetiza um adulto em sete semanas, mantido pelo governo venezuelano, pede-se
aos alunos que escrevam uma carta a Hugo Chávez. "Eu agradeci ao presidente
a oportunidade que ele me deu", diz Yulibia Serrano, de 43 anos, que agora participa
da segunda fase do curso e está se preparando para fazer parte de uma cooperativa
de costureiras montada pelo governo. "Ele é o único político
que se preocupa com os pobres." Yulibia e seu marido, que está desempregado,
sustentam os seis filhos alugando duas peças de sua casa, no barrio
La Pastora. Eles vivem com o equivalente a 270 reais por mês. "Nossa situação
está pior do que antes, mas a culpa não é de Chávez,
é do meu marido, que não consegue emprego", diz Yulibia.
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A CONCORRÊNCIA DESLEAL
DO ESTADO As vendas do atacadista Luis Hernandez,
de 53 anos, abaixo, na cidade de San Felipe caíram 20% desde que o governo
começou a expandir a rede Mercal, a estatal de supermercados, com produtos
da cesta básica 40% mais baratos, graças aos subsídios. "Os
pequenos comerciantes não resistem quando abre um Mercal próximo
de seus estabelecimentos", diz Luis, que viu três em cada dez de seus antigos
clientes fechar as portas. Acima, fila em caixa do supermercado estatal, em Caracas,
e embalagem de produto do Mercal com propaganda eleitoral. |
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INVASÃO GARANTIDA PELO
GOVERNO A fazenda de Alfonso Puche, de 32 anos
(à esq.) foi invadida em julho por um grupo de 230 sem-terra com
apoio do governador do Estado, aliado de Chávez. Puche apresentou documentos
de 1832 provando a propriedade das terras no estado de Yaracuy. Quatro juízes
que lhe deram ganho de causa foram demitidos pelo governo chavista. "Tivemos cursos
de técnicas agrícolas durante um ano, antes de sermos chamados para
'independentizar' essas terras", diz Javier Duran, de 24 anos (de boné
azul), presidente da cooperativa que ocupa a fazenda de Alfonso. "Estávamos
desempregados e o governo baixou um decreto para podermos ficar aqui." |

 | SOB
O CERCO DO FISCO "O governo atual concentrou poder
demais e exagera na pressão fiscal", diz Victor Maldonado, diretor executivo
da Câmara de Comércio de Caracas. "Está certo cobrar impostos,
mas fechar uma empresa por dois dias apenas por uma irregularidade burocrática
é exagero e às vezes cheira a perseguição política."
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 | UM
PREFEITO NA CADEIA Henrique Capriles, prefeito
de um distrito de Caracas, ficou quatro meses preso, acusado de ter participado
da invasão da Embaixada de Cuba, em 2002. Na verdade, ele foi à
embaixada para evitar uma invasão de manifestantes. O caso foi reaberto
neste ano pelo Supremo Tribunal de Justiça. |
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O PETRÓLEO EMPOBRECE
O litro da gasolina custa 11 centavos, mas a frota de carros é tão
velha que lembra a de Cuba |
 | A
FORÇA DA LEI CONTRA A OPOSIÇÃO
Alejandro Plaz e outros três diretores da ONG Súmate, crítica
ao sistema eleitoral venezuelano, estão sendo processados por conspiração.
O crime foi ter aceito 30 000 dólares de doação de uma ONG
americana. "Estou pessimista com meu julgamento, porque o juiz é chavista",
diz Plaz. |
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O BIG BROTHER DO CHAVISMO
O programa de computador acima, conhecido como Lista Maisanta, contém informações
eleitorais e a posição política de 12 394 109 venezuelanos.
Ali, com uma simples busca por nome e sobrenome ou pelo número da carteira
de identidade, descobre-se, entre outros dados, se o eleitor assinou contra ou
a favor de Chávez no referendo de 2004. O governo usa a lista para negar
emprego público ou passaporte aos eleitores que votaram contra o presidente.
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 | CONDENADO
A SER DESEMPREGADO Demitido da PDVSA durante
a greve de 2002, Salvador Arrieta, então um alto executivo da estatal,
entrou para a lista negra do governo e nunca mais conseguiu emprego. Ele e sua
família vivem das economias feitas quando ele tinha trabalho. "Minha filha
já saiu do país e meus outros dois filhos pensam em fazer o mesmo",
diz Salvador. | |