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Animais O
que seu bicho precisa... Dica: não
é de roupinha, nem banho toda semana, nem fricotes mil. Comida,
exercício e atenção bastam para fazê-lo se sentir
bem  Laura
Ming Luludi/Ag.
Luz
 | | Frost,
o tetracampeão: vida de rei, que não deve ser imitada no dia-a-dia, por mais que
criaturinhas fofas convidem ao exagero |
O ser espetacularmente belo da foto
acima se chama "Frost", é um persa, tem 4 anos e uma vida de rei. Come
ração "super premium", aprecia cravo e carne crua e nada lhe é
proibido, desde que venha da mão mão mesmo, literalmente
do dono, Gerson Pereira ("Na tigela ele se suja e pode manchar o pêlo").
Só toma água mineral. Os olhos acobreados que contemplam o mundo
com felina superioridade são limpos três vezes ao dia. A branca e
fofa pelagem dá um trabalhão: é desembaraçada diariamente
com pente e lavada uma vez por semana com 1) musse desembaraçante; 2) xampu
e condicionador especiais ("Primeiro testo no meu cabelo", ressalta o dono); 3)
mais musse; 4) soprador (secador bem potente e morno); 5) secador normal, para
a "escova" final. Dorme numa bergère só sua, coberta com manta azul.
Nunca pisou a pata imaculadamente branca na rua. Quando sai para competições
no mês passado, foi eleito pela quarta vez o "Gato do Ano" no Brasil
pela Federação Internacional Felina Européia (Fife), em São
Paulo , vai dentro de uma caixinha. Pereira, 43 anos, solteiro, dono de
gatil, que trouxe Frost da Alemanha com 3 meses, confessa: deixa de sair e de
viajar para cuidar de seu tetracampeão. "O Frost é a minha diversão",
justifica. Frost pode, porque é
Frost um animal de competição, exceção das
exceções. Mas veterinários e psicólogos que estudam
o relacionamento entre humanos e bichos de estimação alertam: não
é saudável tratar (e vestir, e enfeitar, e alimentar, e mimar) animais
como gente, algo cada vez mais freqüente num mundo em que esse vínculo
se estreita e multiplicam-se as ofertas de produtos e serviços.
"Pessoas sem filhos, ou com filhos crescidos, transferem o afeto para o animal
de estimação. Isso é comum. O problema é quando exageram.
Vejo bichos que esqueceram que são bichos; quando encontram outros na rua,
se encolhem de medo", diz a veterinária Mirela Tinucci Costa, professora
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), quatro cachorros e um gato.
Basicamente, cães e gatos precisam de ração, carinho e companhia
(vacinas também, obviamente). Cães têm de tomar banho, mas
toda semana, como é costume dos exagerados, faz mal. "Muita limpeza remove
a oleosidade natural dos pêlos e pode trazer doenças dermatológicas",
alerta o veterinário Carlos Eduardo Larson, um cachorro, que recomenda
intervalo de no mínimo dez dias entre uma ducha e outra de água
fria. "Água quente amolece a queratina e pode aumentar a escamação
da pele", explica Larson. A tosa só é importante, por evitar parasitas
e facilitar a limpeza, para raças que perdem pouco pêlo, como os
poodles. Cachorros também precisam sair de casa pelo menos uma vez por
dia, tanto pelo exercício físico quanto pela socialização
com outros animais. Uma caminhada de cinco minutos até a esquina, puxando
o totó pela coleira, não adianta; ele tem de poder parar, cheirar
e explorar o ambiente. Mais imprescindível que o passeio, só mesmo
o convívio com o dono. "O cachorro prefere ficar dentro de uma bolsa com
sua dona a ficar sozinho num quintal enorme", afirma o psicólogo Alexandre
Rossi, três cães, especializado em animais. Roupas são completamente
dispensáveis em todos os casos só servem mesmo para brincar
de boneca com o animal. "Elas trazem mais problemas que benefícios. Além
de incomodarem, provocam reações alérgicas", garante Fernando
Bretas, quatro cachorros e 300 passarinhos, professor de veterinária da
Universidade Federal de Minas Gerais. "Se o frio é rigoroso, basta pôr
o animal em ambiente fechado", aconselha.
Gatos se limpam sozinhos e, a não ser que se encostem numa parede recém-pintada,
dispensam totalmente o banho. Mas precisam, sim, de estímulo, sobretudo
aqueles que moram em apartamento e por isso ficam confinados em espaço
limitado. Brincadeiras que simulem caça, com ratinhos e bolinhas, costumam
ser as preferidas. Outra providência menos conhecida é instalar um
aparador ou alguma "base", de certa altura, de onde o gato possa ficar olhando
a rua. "Eles gostam de ver o movimento", explica Rossi. Tédio e depressão
são problemas comuns em bichos que passam o dia sozinhos. Os sintomas são
desânimo, falta de apetite e dermatites causadas por excesso de lambidas.
Para combatê-los, o dono tem de brincar em dobro com seu cão ou gato
quando está em casa. Um passo bem maior pois aumentam as responsabilidades
é providenciar-lhe uma companhia animal. "Nunca exile o cachorro
na área de serviço ou no quintal, por exemplo. Quando a casa está
vazia, ele se conforta com os cheiros da família no sofá, em alguma
peça de roupa", ensina Rossi.
Rações são universalmente recomendadas. Caso sacrifiquem
o orçamento, a alternativa é comida balanceada, sem temperos. Quem
ganha ou compra um filhote fofinho deve ter em mente que ele ficará adulto
e chegará à terceira idade. Exigirá cuidados e atenção
por toda a vida por sinal, cada vez mais longa: em média, cerca
de quinze anos. Limpos, alimentados, exercitados e, vá lá, amados,
cães e gatos, mesmo confinados, terão as condições
certas para se sentir bem e retribuir à sua moda, com afeto incondicional
e companhia. Mais que isso, o cuidado vira exagero. "Pensamos que, quanto mais
próximos de nós, melhor estão os bichos. É um erro.
Animais só estão confortáveis se mantidos dentro da sua condição
de animais", diz Mirela.
...e o que é
totalmente inútil Aperta,
irrita a pele, custa caro, mas é difícil
de resistir ele fica tão bonitinho! Fotos
divulgação
 | Óculos
escuros: supérfluos para olhos que já contam com proteção natural contra a luz
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É quase Natal
hora de providenciar a roupinha vermelha e o gorro de Papai Noel (preço
médio: 20 reais) com que totó vai recepcionar a família na
hora da ceia. Antes disso, cãezinhos de coração corintiano
vestiram a camisa 10 do time para celebrar a conquista do Campeonato Brasileiro.
Isso, o guarda-roupa de festa. Há também o enxoval de todo dia,
que inclui sainhas, casaquinhos, chapéus de todos os tipos, bandanas e
calçados sapatos, tênis, botas. Tudo rigorosamente desnecessário
e até, potencialmente, prejudicial. "Vestir animais traz mais problemas
que benefícios", afirma o professor de veterinária Fernando Bretas.
Mas fazer o quê, se lulu fica fofo com um par de tênis (60 a 70 reais)
para proteger da sujeira das ruas e outro de pantufas (60 reais) para ficar em
casa? Se o companheiro humano encara o fato de que roupa e sapato são exagero,
não tem nenhum motivo para escapar das coleiras. Que se multiplicam: de
couro, de tecido, de corrente, de cristais (300 reais), de grife (400 reais uma
Harley-Davidson). Mais uma profusão de lacinhos, item barato que, além
de enfeitar, tira do olho o pêlo comprido da shih tzu pretexto perfeito
para empetecar o bicho. Por falar em olho: há proteção mais
garantida, nos dias de muito sol, que um bom par de óculos escuros (130
reais), muito parecidos com e provavelmente tão confortáveis
quanto o tipo que se usa para praticar natação? Há,
sim: olhos nus. "Eles têm proteção natural contra a luz",
informa o veterinário Carlos Eduardo Larson.
 | | Pantufas:
o sofá branco agradece, mas para o dono das patinhas é certeza de desconforto
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Em matéria de cosméticos
e estética, a lista de tratamentos faz inveja a spas (que também
existem, para cães que precisam emagrecer). Há xampus, condicionadores
e musses, tonalizantes para ressaltar o brilho dos pêlos e até uma
espécie de rímel para recuperar a cor mais "queimada" na área
em volta dos olhos. A sessão no cabeleireiro inclui escova e chapinha,
com o inevitável ressecamento dos pêlos, que recobram a maciez com
hidratação e banho de queratina. Em matéria de perfumes,
a prateleira das pet shops é lotada de marcas nacionais e estrangeiras
a francesa Dog Generation Paris lançou uma linha de perfumes para
cães e gatos que custa cerca de 130 reais o frasco de 50 mililitros. Nada
que faça falta aos bichos, muito pelo contrário: "O cheiro, por
exemplo, faz parte da identidade do animal", pondera Larson. Cachorrinhas podem
ter as unhas pintadas com esmalte (próprio para cachorros, antialérgico,
mais espesso e de secagem ultra-rápida, por motivos óbvios
10 reais a manicure); outra opção, para cães e gatos, são
as capinhas de silicone colorido para as unhas (200 reais o pacote com quarenta
unidades). Mal não faz, tampouco traz benefícios. Com um detalhe
extra: arrancar as tais capinhas, na maioria dos casos, é questão
de minutos. Apesar dos alertas contra os males da água quente em pêlos
e peles, lulus estressados (e qual não é, depois de tudo isso?)
dispõem de banhos de ofurô com flores, e mais aromaterapia, reiki
e massagens, a preços que variam entre 30 e 60 reais. Filhotinhos saudosos
da mamãe podem contar com uma almofada térmica de 65 reais, que
na versão mais completa, com barulho de coração batendo,
custa 90 reais.
 | | Carrinho
de 400 reais: para "consumidores" de quatro patas |
Isso
tudo ainda é pouco para a dona-de-casa Fernanda Federzoni, 22 anos, desvelada
dona dos shih tzus "Laura", 1 ano e 8 meses, e "Tobias", 8 meses. Moradora de
Jundiaí, viaja toda semana os 60 quilômetros até São
Paulo para tratamentos em uma pet shop da cidade, porque "só confio nela".
Fernanda penteia o pêlo dos cachorros duas vezes por dia, escova seus dentes
com pasta canina quando acordam e quando vão dormir e limpa os bichinhos
com lenço umedecido toda vez que, por assim dizer, vão ao banheiro.
Laura faz chapinha de quinze em quinze dias e hidratação toda semana.
Para passear, a dupla dispõe de carrinho (400 reais) parecido com o de
bebê. "Alguns shoppings não deixam cachorro andar no chão.
E na praia tenho medo que peguem doenças", explica Fernanda, que calcula
gastar cerca de 600 reais por mês com seus "filhinhos". Até a chegada
de Tobias, Laura não suportava se separar um minuto da dona. "Quando eu
saía, ela vomitava", conta Fernanda. De qualquer forma, na maior parte
do tempo os três são inseparáveis. "Se chego a um hotel e
ele não aceita cachorro, mudo de hotel", declara. | |
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