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Diogo
Mainardi
Observatório
da imprensa (2)
"Dines é pago para pontificar
a respeito
da imprensa. Ele acusa a imprensa de estar
tomada por jornalistas da Opus Dei, mas não
tem coragem de identificá-los.
É por isso que
tenho 'horror às esquerdas'. Porque elas
mentem. Porque elas enganam. Todas elas"
Dedurei um punhado de jornalistas
lulistas na coluna da semana passada. Um dos citados foi Alberto
Dines. Ele respondeu o seguinte:
"O pitoresco caçador
de bruxas [eu] tem horror às esquerdas. Mas já
que pretende denunciar o comprometimento político dos jornalistas
conviria que não perdesse de vista o avanço da Opus
Dei na imprensa. Inclusive onde ele próprio atua."
Mandei uma mensagem a Dines.
Pedi-lhe uma lista com o nome de todos os jornalistas ligados à
Opus Dei. Prometi publicá-la integralmente em minha coluna.
Ele me aconselhou a ler seus artigos sobre o tema. Eu li. Num deles,
Dines comete a ousadia de associar a Opus Dei ao símbolo
da loja Daslu. Mas não cita o nome de nenhum jornalista.
Insatisfeito, mandei-lhe outra mensagem, reiterando o pedido de
uma lista com nomes. Dines desapareceu. Ele é pago para pontificar
a respeito da imprensa na televisão pública, na rádio
pública, na internet, nas universidades. Ele acusa a imprensa
de estar tomada por jornalistas da Opus Dei, mas não tem
coragem de identificá-los. Eu apontei o nome de uns pelegos
lulistas na imprensa, e fui considerado um espertalhão leviano
em busca de reconhecimento.
É por isso que tenho "horror
às esquerdas". Porque elas mentem. Porque elas enganam. Todas
elas. Do stalinismo quercista de Fernando Morais ao onguismo endinheirado
de Gilberto Dimenstein, do comunismo de batina de Marcelo Beraba
ao populismo futebolístico de Juca Kfouri, do desbunde teatral
de Nelson de Sá ao lobismo piantellano de Mario Rosa. O lulismo
roubou muito mais do que o collorismo. Cláudio Humberto,
assessor de imprensa de Collor, até hoje é perseguido
por seus colegas. Os jornalistas que se subordinaram a Lula devem
receber o mesmo tratamento: André Singer, Ricardo Kotscho,
Eugenio Bucci.
Dines se atribuiu o papel de
autoridade em matéria de jornalismo, mas usa um critério
rasteiro para julgar meu trabalho: o número de cartinhas
que recebo semanalmente dos leitores. Como se eu fosse um galã
de telenovela. Quando recebo muitas cartinhas, ele me acusa de sensacionalismo.
Quando recebo poucas cartinhas, ele comemora, garantindo que minha
carreira está acabada. O principal argumento de Dines é
que, se eu continuar a falar mal do Lula, cairei no esquecimento.
É um jeito malandro de me aconselhar a mudar de assunto.
O recado intimidatório não vale só para mim,
mas para todo o resto da imprensa. Dines quer demonstrar aos jornalistas
que o público não agüenta mais seguir a cobertura
do mensalão, ou da propina da Leão & Leão,
ou do assassinato de Celso Daniel, ou do pagamento à Coteminas.
Claro que é mentira. Claro que é uma manobra desonesta
para abafar a crise. O que o público não agüenta
mais é o próprio Lula. Os leitores não estão
enjoados do noticiário político estão
enojados. Pouco tempo atrás, um artigo de um fanfarrão
como eu podia bastar para eles. Já não basta mais.
Eles querem os lulistas no tribunal. Eles querem os lulistas na
cadeia.
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