A
Loja Mágica de Brinquedos: Hoffman e Natalie em versão para
crianças
A Loja
Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, Estados Unidos,
2007. Estréia nesta quinta-feira no país) Esta fantasia vai
na linha de A Fantástica Fábrica de Chocolate: Dustin Hoffman
é o sr. Magorium, sujeito excêntrico que encanta pequenos clientes
com seus brinquedos mágicos. Aos 243 anos de idade, porém, ele acha
que já está na hora de morrer, e planeja deixar o negócio
para Molly (Natalie Portman), pianista frustrada e gerente dedicada. A loja se
revolta com a idéia dessa transferência, mas Molly terá a
ajuda de um contador certinho (Jason Bateman, que não por acaso tem andado
muito requisitado) e do solitário Eric, de 9 anos. Dirigido por Zach Helm,
roteirista de Mais Estranho que a Ficção, o filme se esforça
um pouco demais para agradar ao seu público. Mas tem ótimos momentos
e uma dose razoável de imaginação. Veja
cenas.
Os Donos da Noite
(We Own the Night, Estados Unidos, 2007. Estréia nesta quinta-feira
no país) O diretor James Gray volta aqui ao universo fechado e abafado
de seus dois filmes anteriores, Fuga para Odessa e Caminho sem Volta:
bairros nova-iorquinos como Brighton Beach, onde se vive sempre perto do crime,
seja de um lado dele, seja do outro. Joaquin Phoenix é a ovelha negra da
família: dirige uma casa noturna onde rolam negócios escusos. Quando
as complicações atingem seu pai e seu irmão (Robert Duvall
e Mark Wahlberg), ambos policiais, ele toma o partido deles, a um custo alto para
si próprio. A história não é nova, mas Gray a conta
com intimidade e com um olhar privilegiado para a beleza triste da decadência
urbana.
LIVROS
Bondade,
de Carol Shields (tradução de Beatriz Horta; Bertrand Brasil; 272
páginas; 39 reais) Morta em 2003, aos 68 anos, Carol Shields formava,
com Margaret Atwood e Alice Munro, uma afiada trinca de escritoras do Canadá
(embora tenha nascido nos Estados Unidos, ela adotou a cidadania canadense). Seus
temas centram-se em dramas cotidianos e na vida doméstica, na tradição
de Jane Austen, autora inglesa que Carol biografou. Bondade narra a história
da tradutora e escritora Reta Winters, cuja felicidade pessoal e profissional
sofre um inexplicável abalo: sua filha mais velha sai de casa para se tornar
mendiga em uma rua de Toronto. A jovem parece ter se tornado muda. Na placa que
traz pendurada ao pescoço quando pede esmola, há uma única
palavra: "bondade". Leia
trecho.
Harry
Potter e as Relíquias da Morte, de J.K. Rowling (tradução
de Lia Wyler; Rocco; 592 páginas; 59,50 reais) Quando foi lançado
nos Estados Unidos, em julho, o esperado encerramento da saga do bruxo Harry Potter
vendeu mais de 8 milhões de exemplares só nas primeiras 24 horas.
No Brasil, onde os seis primeiros volumes da série venderam um total de
2,5 milhões de cópias, As Relíquias da Morte chega
às livrarias com tiragem inicial de 400.000 volumes. Esses números
superlativos se justificam: com seus grifos, dragões e outras criaturas
mitológicas, o universo inventado pela inglesa J.K. Rowling é ao
mesmo tempo coerente e fascinante, como se exige das boas obras de fantasia. Neste
sétimo e último livro, Harry sempre com a ajuda dos fiéis
amigos Rony e Hermione parte para o confronto final com Voldemort, o mago
do mal. Leia
trecho.
DISCOS
Divulgação
Bruce:
de volta ao rock, depois de duas décadas
Magic, Bruce Springsteen (Sony/BMG)
O disco marca o retorno do cantor e compositor americano ao rock. Nas últimas
duas décadas, Springsteen havia deixado o gênero de lado para fazer
incursões pelo folk e até pela música de protesto. Magic
tem canções viscerais, que poderiam muito bem figurar em discos
clássicos como Born to Run (1975) e Born in the USA (1984).
Um dos trunfos do álbum é a presença da E Street Band, grupo
que acompanha Springsteen desde o início da carreira. São instrumentistas
versáteis, que tocam rock com garra (Gypsy Biker) e sabem criar
climas delicados para as faixas mais lentas (Long Walk Home). Mas a atração
principal, claro, é Springsteen, uma enciclopédia ambulante do rock
qualidade que pode ser percebida em Girls in Their Summer Clothes,
que remete à psicodelia da década de 60.
Mendelssohn:
Música para Violoncelo e Piano, Antonio Meneses e Gérard
Wyss (Clássicos) As Sonatas para Violoncelo e Piano e as
Variações Concertantes estão entre as mais belas criações
do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847), pelas melodias e pelo
perfeito equilíbrio entre os dois instrumentos. A segunda das sonatas traz
passagens mais desafiadoras como no terceiro movimento, que exige uma boa
dose de virtuosismo de ambos os instrumentistas. Mas o violoncelista brasileiro
Antonio Meneses e o pianista suíço Gérard Wyss superam esses
desafios com a tranqüilidade de quem toca uma cantiga de roda.
You
Are There, Roberta Gambarini & Hank Jones (Universal) Roberta
Gambarini só é italiana por um capricho geográfico. A cantora
se identifica mais com os improvisos vocais da americana Ella Fitzgerald e com
o canto emocionado da brasileira Leny Andrade do que com as músicas típicas
de seu país. Em 1998, ela migrou para os Estados Unidos e desde então
tem se destacado em concursos e festivais de jazz. You Are There traz catorze
canções gravadas com o pianista Hank Jones (que acompanhou, entre
outros, o saxofonista Charlie Parker e o clarinetista Benny Goodman). Esse clima
intimista é perfeito para Roberta mostrar o poder de sedução
de sua voz em faixas como Stardust, de Hoagy Carmichael, e Just Squeeze
Me, de Duke Ellington. Outra bela canção é People
Time, em que ela improvisa sobre um tema de Benny Carter. 1