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14 de novembro de 2007
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Especial | Artigo: Paulo Hoff
O insubstituível
homem de branco


Fabiano Accorsi
Paulo Hoff é oncologista, diretor clínico do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo, e diretor executivo do centro de oncologia do Hospital Sírio-Libanês


Os últimos decênios do século XX foram testemunhas de uma explosão no número e na variedade dos métodos de diagnóstico. Foi uma mudança tão rápida que um médico transportado dos anos 70 dificilmente conseguiria navegar no mar de tecnologia em que nossos hospitais se transformaram. Com o progresso, a medicina diagnóstica evoluiu para técnicas menos invasivas e mais eficientes, como a ressonância magnética, o ultra-som, a tomografia computadorizada e o PET. Há quem diga que a incorporação de tais máquinas às rotinas médicas representou um enorme custo financeiro para os pacientes. Não se trata, porém, de uma verdade absoluta. Quando bem empregados, esses exames levam a diagnósticos mais acurados, que reduzem o número de intervenções. Num passado não muito distante, um paciente com suspeita de doença coronariana era necessariamente submetido a um cateterismo – exame invasivo, que requer um dia de internação. Atualmente, esse mesmo paciente é encaminhado para uma tomografia. Em menos de dez minutos, a máquina indica a existência ou não de algum problema. Até a década de 90, todos os portadores de linfoma de Hodgkin tinham de ser submetidos a uma cirurgia para retirada do baço, de modo que o médico conseguisse determinar o grau de agressividade do câncer. Com o surgimento do PET, a operação pôde ser deixada de lado. Esses dois exemplos ilustram bem o avanço extraordinário obtido com a tecnologia.

É verdade, no entanto, que o uso indiscriminado de exames altamente sofisticados pode, paradoxalmente, reduzir a qualidade do atendimento. A relação médico-paciente deve necessariamente incluir uma boa conversa e um bom exame físico, o que exige tempo e concentração. Tempo, aliás, talvez seja a mercadoria mais escassa nos dias de hoje. Sem disponibilidade para fazer uma consulta adequada, médicos podem usar esses exames para compensar eventuais falhas na sua avaliação. Essa atitude está errada. Nós, médicos, não devemos esquecer que essas inovações vieram para facilitar o nosso trabalho, e não para substituir a prática clínica. O bom relacionamento entre médico e paciente continua insubstituível.




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