Especial | Tecnologias
emergentes Na
gaveta, na mala e dentro do peito
Medidores de glicemia
do tamanho de um celular,
aparelhos portáteis para controlar a coagulação,
desfibriladores de apenas 30 gramas: quando a
revolução tecnológica bate à sua
porta
Adriana Dias Lopes
Lailson
Santos
CORAÇÃO
NO RITMO O implante de um desfibrilador
de última geração fez com que o
empresário Belarmino Fernandez Iglesias se livrasse
da terrível sensação provocada
pela arritmia cardíaca
A revolução na medicina diagnóstica levou
para dentro da casa dos pacientes aparelhos até então
de uso exclusivo dos médicos. Veja-se o caso das máquinas
portáteis para exames de sangue. No início da
miniaturização, nos anos 70, alguns consultórios
contavam com aparelhos do tamanho de uma caixa de sapatos,
que produziam resultados depois de uma hora. Hoje, os medidores
portáteis têm as dimensões de um telefone
celular. No caso dos aparelhos para dosar glicemia, o progresso
é espantoso: eles arquivam a informação,
comparam-na com resultados anteriores e apitam para lembrar
o paciente de que é hora de se submeter a um novo exame.
Além disso, a quantidade de sangue que a pessoa tem
de tirar é muito menor 1 microlitro, volume
muito inferior ao de uma gota. Como a necessidade de sangue
é mínima, as agulhas usadas para a coleta também
encolheram. Estão cinqüenta vezes mais finas do
que eram há trinta anos.
A automedição
ganhou terreno também na cardiologia. Os aparelhos
de pressão, por exemplo, hoje armazenam dados e têm
as medidas de um palmtop. O controle doméstico proporcionado
por essas máquinas é bem visto pelos médicos.
Elas se tornaram ferramentas preciosas para o acompanhamento
dos tratamentos. Em vez de apenas relatar de forma subjetiva
os sinais da doença, o doente pode fornecer dados bem
mais precisos e detalhados sobre seu distúrbio. Que
o diga a publicitária Thais Guarnieri, de 23 anos,
portadora de uma doença trombótica que
faz o sangue coagular mais rápido do que deveria, aumentando
o risco de obstruções nas veias. Oito anos atrás,
Thais passou a tomar anticoagulantes diariamente e via-se
obrigada a ir ao menos uma vez por mês ao laboratório
para medir a velocidade de coagulação. Essa
rotina representava um transtorno pessoal, profissional e
financeiro, até que ela foi apresentada a um equipamento
portátil. Graças a ele, Thais pôde fazer
uma longa viagem de trabalho por vários países
da América Latina. "Posso dizer que o aparelhinho me
ajudou a dar um grande passo na carreira", diz ela.
Lailson
Santos
VIDA NOVA Thais Guarnieri, que tem
de tomar anticoagulantes todos os dias, levou o medidor
de coagulação sanguínea para uma
viagem de trabalho ao exterior. Com isso, conseguiu
manter o médico informado sobre sua saúde
aqui no Brasil
A
miniaturização dos aparelhos beneficiou bastante
os portadores de arritmias cardíacas graves, que precisam
de marca-passos e desfibriladores para sobreviver. Na década
de 80, esses dispositivos eram relativamente pesados (100
gramas, em média) e tinham a função exclusiva
de emitir choques elétricos, a fim de manter os batimentos
do coração num ritmo normal. Hoje, esses aparelhos
são bem mais leves (30 gramas, em média) e saem
de fábrica com mecanismos que estimulam o coração
apenas sob demanda. Ou seja, agora disparam descargas elétricas
somente nos momentos em que o coração bate desordenadamente.
Esse aperfeiçoamento permite ao paciente levar uma
vida normal, inclusive com a prática de exercícios
físicos. Nos últimos três anos, alguns
marca-passos e desfibriladores incorporaram sinais sonoros
ou vibratórios, que avisam ao paciente quando há
risco de congestão pulmonar um problema comum
em cardíacos, que pode levar ao acúmulo de sangue
nos pulmões. Eles ainda armazenam dados sobre o funcionamento
do coração, que são transmitidos ao consultório
médico por radiofreqüência.
Estima-se que no
Brasil sejam feitos 27.000 implantes de marca-passos e desfibriladores
a cada ano. Há quatro meses, Belarmino Fernandez Iglesias,
o dono da rede de restaurantes Rubaiyat, foi submetido ao
implante de um moderníssimo desfibrilador. "A arritmia
me causava um mal-estar constante. Era como se meu coração
falhasse em alguns momentos", afirma. "Tenho duas pontes de
safena e posso dizer que só agora, com este aparelho
no meu peito, eu me sinto absolutamente seguro."
Os portáteis mais
modernos
Fotos
Divulgação
TRÊS
EM UM O equipamento
mede taxas de glicose, de colesterol e de triglicérides.
A média de tempo para os resultados é
de três minutos. Pesa apenas 100 gramas
e tem capacidade para armazenar 120 exames. Preço
médio: 500 reais
PRESSÃO
ORGANIZADA Em meio minuto, a
medida da pressão arterial aparece no monitor
do aparelho. A máquina pode arquivar até
trinta medições e as ordena por
data e hora. Preço
médio: 200 reais
SANGUE
PROTEGIDO Além
das funções normais dos medidores
de glicose, este aparelho já vem com as
tiras de reagente embutidas na máquina,
o que evita o contato do sangue com o meio externo.
Deve chegar ao mercado em dois meses. Preço
médio: 80 reais
GORDURA
E CORRENTE ELÉTRICA Além de
mostrar o peso, esta balança calcula o
índice de massa corpórea (IMC) e
a quantidade de gordura do corpo, a chamada bioimpedância.
A máquina determina o IMC com base na altura
e no peso do usuário. Já a bioimpedância
é fornecida por meio de uma corrente elétrica
que sai da balança e circula pelo corpo
da pessoa. Preço médio: 400 reais
NO
COMPASSO Com apenas 27 gramas
e espessura de 7,5 milímetros, este marca-passo
é um dos menores do mercado. Revestido
de titânio, tem programação
fisiológica, ou seja, só dá
choques quando o coração necessita.
Preço médio: 7 200 reais
SOL NA MEDIDA
CERTA
Image 100/Corbis/Royalty
Free
O
aparelhinho ao lado determina quanto deve durar o banho
de sol, sem que haja prejuízos à pele.
O cálculo vem de informações fornecidas
por quem vai usar o equipamento. Antes da exposição,
deve-se selecionar no visor o tipo de pele muito
clara, clara, escura ou muito escura. Logo depois, a
pessoa tem de informar o fator de proteção
do filtro solar que será utilizado. Essa escala
varia do item "nenhuma proteção" ao fator
70. Quando o aparelho é colocado sob o sol, em
até três minutos aparece no visor o tempo
máximo permitido para a exposição
aos raios solares. O medidor de raios UV faz esse cálculo
de acordo com a intensidade dos raios ultravioleta.
O visor também tem função de relógio
e cronômetro e fornece a temperatura ambiente.
No mercado há cinco meses, o aparelho custa,
em média, 400 reais.