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14 de novembro de 2007
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Especial | Tecnologias emergentes
Na gaveta, na mala
e dentro do peito

Medidores de glicemia do tamanho de um celular,
aparelhos portáteis para controlar a coagulação,
desfibriladores de apenas 30 gramas: quando a
revolução tecnológica bate à sua porta


Adriana Dias Lopes

Lailson Santos

CORAÇÃO NO RITMO
O implante de um desfibrilador
de última geração fez com que o
empresário Belarmino Fernandez Iglesias se livrasse da terrível sensação provocada pela arritmia cardíaca


A revolução na medicina diagnóstica levou para dentro da casa dos pacientes aparelhos até então de uso exclusivo dos médicos. Veja-se o caso das máquinas portáteis para exames de sangue. No início da miniaturização, nos anos 70, alguns consultórios contavam com aparelhos do tamanho de uma caixa de sapatos, que produziam resultados depois de uma hora. Hoje, os medidores portáteis têm as dimensões de um telefone celular. No caso dos aparelhos para dosar glicemia, o progresso é espantoso: eles arquivam a informação, comparam-na com resultados anteriores e apitam para lembrar o paciente de que é hora de se submeter a um novo exame. Além disso, a quantidade de sangue que a pessoa tem de tirar é muito menor – 1 microlitro, volume muito inferior ao de uma gota. Como a necessidade de sangue é mínima, as agulhas usadas para a coleta também encolheram. Estão cinqüenta vezes mais finas do que eram há trinta anos.

A automedição ganhou terreno também na cardiologia. Os aparelhos de pressão, por exemplo, hoje armazenam dados e têm as medidas de um palmtop. O controle doméstico proporcionado por essas máquinas é bem visto pelos médicos. Elas se tornaram ferramentas preciosas para o acompanhamento dos tratamentos. Em vez de apenas relatar de forma subjetiva os sinais da doença, o doente pode fornecer dados bem mais precisos e detalhados sobre seu distúrbio. Que o diga a publicitária Thais Guarnieri, de 23 anos, portadora de uma doença trombótica – que faz o sangue coagular mais rápido do que deveria, aumentando o risco de obstruções nas veias. Oito anos atrás, Thais passou a tomar anticoagulantes diariamente e via-se obrigada a ir ao menos uma vez por mês ao laboratório para medir a velocidade de coagulação. Essa rotina representava um transtorno pessoal, profissional e financeiro, até que ela foi apresentada a um equipamento portátil. Graças a ele, Thais pôde fazer uma longa viagem de trabalho por vários países da América Latina. "Posso dizer que o aparelhinho me ajudou a dar um grande passo na carreira", diz ela.

 
Lailson Santos

VIDA NOVA
Thais Guarnieri, que tem de tomar anticoagulantes todos os dias, levou o medidor de coagulação sanguínea para uma viagem de trabalho ao exterior. Com isso, conseguiu manter o médico informado sobre sua saúde aqui no Brasil

A miniaturização dos aparelhos beneficiou bastante os portadores de arritmias cardíacas graves, que precisam de marca-passos e desfibriladores para sobreviver. Na década de 80, esses dispositivos eram relativamente pesados (100 gramas, em média) e tinham a função exclusiva de emitir choques elétricos, a fim de manter os batimentos do coração num ritmo normal. Hoje, esses aparelhos são bem mais leves (30 gramas, em média) e saem de fábrica com mecanismos que estimulam o coração apenas sob demanda. Ou seja, agora disparam descargas elétricas somente nos momentos em que o coração bate desordenadamente. Esse aperfeiçoamento permite ao paciente levar uma vida normal, inclusive com a prática de exercícios físicos. Nos últimos três anos, alguns marca-passos e desfibriladores incorporaram sinais sonoros ou vibratórios, que avisam ao paciente quando há risco de congestão pulmonar – um problema comum em cardíacos, que pode levar ao acúmulo de sangue nos pulmões. Eles ainda armazenam dados sobre o funcionamento do coração, que são transmitidos ao consultório médico por radiofreqüência.

Estima-se que no Brasil sejam feitos 27.000 implantes de marca-passos e desfibriladores a cada ano. Há quatro meses, Belarmino Fernandez Iglesias, o dono da rede de restaurantes Rubaiyat, foi submetido ao implante de um moderníssimo desfibrilador. "A arritmia me causava um mal-estar constante. Era como se meu coração falhasse em alguns momentos", afirma. "Tenho duas pontes de safena e posso dizer que só agora, com este aparelho no meu peito, eu me sinto absolutamente seguro."

 

Os portáteis mais modernos

Fotos Divulgação

TRÊS EM UM
O equipamento mede taxas de glicose, de colesterol e de triglicérides. A média de tempo para os resultados é de três minutos. Pesa apenas 100 gramas e tem capacidade para armazenar 120 exames. Preço médio: 500 reais

PRESSÃO ORGANIZADA
Em meio minuto, a medida da pressão arterial aparece no monitor do aparelho. A máquina pode arquivar até trinta medições e as ordena por data e hora. Preço médio: 200 reais

SANGUE PROTEGIDO
Além das funções normais dos medidores de glicose, este aparelho já vem com as tiras de reagente embutidas na máquina, o que evita o contato do sangue com o meio externo. Deve chegar ao mercado em dois meses. Preço médio: 80 reais


GORDURA E CORRENTE ELÉTRICA
Além de mostrar o peso, esta balança calcula o índice de massa corpórea (IMC) e a quantidade de gordura do corpo, a chamada bioimpedância. A máquina determina o IMC com base na altura e no peso do usuário. Já a bioimpedância é fornecida por meio de uma corrente elétrica que sai da balança e circula pelo corpo da pessoa. Preço médio: 400 reais

NO COMPASSO
Com apenas 27 gramas e espessura de 7,5 milímetros, este marca-passo é um dos menores do mercado. Revestido de titânio, tem programação fisiológica, ou seja, só dá choques quando o coração necessita. Preço médio: 7 200 reais



SOL NA MEDIDA CERTA

 
Image 100/Corbis/Royalty Free

O aparelhinho ao lado determina quanto deve durar o banho de sol, sem que haja prejuízos à pele. O cálculo vem de informações fornecidas por quem vai usar o equipamento. Antes da exposição, deve-se selecionar no visor o tipo de pele – muito clara, clara, escura ou muito escura. Logo depois, a pessoa tem de informar o fator de proteção do filtro solar que será utilizado. Essa escala varia do item "nenhuma proteção" ao fator 70. Quando o aparelho é colocado sob o sol, em até três minutos aparece no visor o tempo máximo permitido para a exposição aos raios solares. O medidor de raios UV faz esse cálculo de acordo com a intensidade dos raios ultravioleta. O visor também tem função de relógio e cronômetro e fornece a temperatura ambiente. No mercado há cinco meses, o aparelho custa, em média, 400 reais.



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