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14 de novembro de 2007
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Especial | Exames laboratoriais
O microscópio sumiu

Com a modernização dos laboratórios de análises clínicas,
os exames ficaram mais rápidos e precisos. Eles também
requerem menos sangue e menos tempo de jejum


Adriana Dias Lopes

Fotos Fabiano Accorsi
POUCA GENTE
O uso de máquinas precisas e velozes nas análises clínicas reduziu o número de técnicos nos laboratórios


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Quadro: Ontem e hoje

Os exames clínicos sofreram uma transformação sem precedentes nos últimos dez anos. A revolução ocorreu longe dos olhos dos pacientes, no centro nervoso dos laboratórios – o local de análise dos exames. Tudo começou com a chegada de máquinas capazes de investigar uma amostra de sangue ou de urina em poucos minutos, com uma margem de acerto que beira os 100%. Velozes e precisos, esses aparelhos mudaram até a configuração espacial dos laboratórios de análises clínicas. Os técnicos lado a lado, numa bancada enorme, cada um debruçado sobre o seu microscópio, compõem uma cena do passado. Nos centros de diagnósticos mais avançados, os laboratórios ficam praticamente vazios. A presença humana se resume à coleta, à manutenção dos aparelhos e à interpretação dos dados registrados. O trabalho de analisar, dosar e identificar células e moléculas cabe agora às máquinas.

Para se ter uma idéia do impacto dessas mudanças, basta lembrar que, atualmente, o resultado de um hemograma demora no máximo seis horas para chegar às mãos do paciente. Há dez anos, ele tinha de aguardar, no mínimo, um dia. A redução no tempo da entrega de um diagnóstico ao paciente é reflexo da velocidade com que os equipamentos mais modernos trabalham. Hoje, a análise de um hemograma é feita em apenas dois minutos. Uma década atrás, o mesmo exame levava, em média, uma hora para ser concluído. Isso porque o sangue tinha de ser colocado no microscópio e analisado por olhos humanos. Além de o procedimento demorar mais, a probabilidade de erro na interpretação dos resultados era bem maior.

Silvio Ferreira
CENA DO PASSADO
No tempo em que a análise clínica era feita manualmente, a probabilidade de o resultado de um exame estar errado era, pelo menos, 50% maior do que é hoje

Outra inovação é o fato de o recipiente usado para a coleta de sangue ser o mesmo durante todo o processo de análise da amostra. Até os anos 90, esse material passava por no mínimo três tubos de ensaio até que o diagnóstico fosse concluído – o que aumentava os riscos de contaminação e, conseqüentemente, de resultados equivocados. Como o processo de análise clínica está mais seguro e mais rápido, a quantidade de material coletado também pode ser menor. Para os testes sorológicos, no diagnóstico de doenças infecciosas e auto-imunes, por exemplo, é necessário hoje um décimo do volume de sangue que era exigido na última década. Aperfeiçoaram-se também os reagentes químicos usados para a investigação laboratorial. Mais precisos, eles não sofrem alterações na presença de substâncias estranhas ao material coletado – como o açúcar e a gordura. Na prática, para o paciente, isso significa que o jejum necessário para a realização do exame pode ser mais curto. Caiu de oito para três horas, em média.

Graças ao aprofundamento nos conhecimentos de biologia molecular, há pelo menos 5.000 tipos de exame de sangue disponíveis hoje. Na década de 90, eles não passavam de 1.500. Um dos exemplos que melhor ilustram esse salto é o que ocorreu com as análises virais. Num passado recente, elas apenas detectavam a presença no sangue de determinado vírus. Com a criação de um método batizado de PCR, capaz de copiar pedaços específicos de material genético bilhões de vezes em poucas horas, tornou-se possível fazer, em escala industrial, a análise quantitativa e qualitativa de vírus e bactérias. Criado por um ex-hippie americano, o químico Kary Mullins, ganhador do Nobel de 1993, o método permite a identificação precisa da cepa do microrganismo causador da doença.




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