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14 de novembro de 2007
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Especial | Cápsula endoscópica
Viagem no interior do corpo  

A cápsula endoscópica substitui a cirurgia na
investigação de problemas no intestino delgado


Adriana Dias Lopes

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Nesta reportagem
Quadro: 8 metros em 8 horas

A cena parece tirada de um filme de ficção científica: um paciente engole uma cápsula acoplada a uma microcâmera. Com 2,5 centímetros de comprimento e
1 centímetro de diâmetro, o artefato inicia sua viagem pelo aparelho digestivo. Até o destino final, quando for eliminada naturalmente pelo organismo, a cápsula terá batido 50.000 fotos de vários órgãos – faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso. O percurso dura oito horas, o tempo médio da digestão. As imagens são transmitidas por ondas de radiofreqüência para microrreceptores grudados no corpo do paciente, que, por sua vez, as enviam para um microprocessador. Projetadas na tela de um computador, nítidas e ricas em detalhes, é como se elas transportassem o médico para o interior das entranhas do paciente. Essa cápsula de sonhos já é usada em centros de diagnóstico e hospitais de ponta, inclusive no Brasil. Inspirada na tecnologia militar para a fabricação de mísseis teleguiados e desenvolvida pela empresa israelense Given Imaging, foi batizada de M2A.

Apesar de percorrer todo o sistema digestivo, o foco principal da cápsula é o intestino delgado. Trata-se de um órgão de dificílimo acesso tanto por sua localização quanto por sua anatomia –um tubo de 4 centímetros de diâmetro e 6 metros e meio de comprimento, todo retorcido, cheio de dobras e reentrâncias. Os exames tradicionais não chegam até ele. A endoscopia consegue rastrear a parte superior do aparelho digestivo e a colonoscopia coleta informações apenas do intestino grosso. O grande problema é que metade dos sangramentos no sistema digestivo ocorre justamente no intestino delgado. E as hemorragias intestinais costumam ser sintoma de quadros gravíssimos de anemia, inflamações e câncer. Até a criação da M2A, esses sangramentos só eram diagnosticados por intermédio de cirurgia – e com todos os riscos inerentes a uma intervenção desse tipo. O exame com a M2A requer do paciente apenas oito horas de jejum.


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