Um exame é
capaz de mapear as dez camadas da
retina e, com isso, detectar precocemente dois dos
mais comuns e graves problemas de visão a
retinopatia diabética e a degeneração
macular
Adriana Dias Lopes
A retina é
uma das estruturas mais delicadas do olho humano. Localizada
no fundo do globo ocular, ela é a responsável
por captar a luz e enviá-la ao cérebro, onde
será transformada em imagens. Membrana finíssima,
a retina também é a sede de alguns dos mais
comuns e perigosos problemas de visão. Apesar de só
ter um quarto de milímetro de espessura, ela é
formada por dez camadas. Até pouco tempo atrás,
nenhum exame era capaz de mapear cada um desses estratos
o que, obviamente, comprometia o diagnóstico e o tratamento
das doenças. A partir dos anos 2000, no entanto, começaram
a ser usados em larga escala os primeiros tomógrafos
de coerência óptica (OCTs). Essas máquinas
produzem imagens das camadas da retina por meio de feixes
de luz infravermelha. O impacto da nova tecnologia na oftalmologia
foi enorme. Hoje, é possível determinar com
bastante precisão o local e a extensão de uma
lesão na retina. A versão mais recente do OCT
já está presente em consultórios brasileiros.
A sua acuidade impressiona. A máquina consegue localizar
danos de até 0,005 milímetro de diâmetro.
As imagens produzidas são em três dimensões,
o que permite ao médico analisar o defeito na retina
de ângulos diferentes.
O OCT é
especialmente útil no controle de duas doenças
que ainda desafiam os oftalmologistas: a degeneração
macular e a retinopatia diabética. Ambas consistem
em alterações em vasos de sangue muito finos.
Como esses defeitos ocorrem em estruturas minúsculas,
eles tendem a passar despercebidos pelas técnicas convencionais
de diagnóstico. A retinopatia diabética, que
causa o embaçamento da visão e pode levar à
sua perda total, surge dos danos que o acúmulo de açúcar
no sangue provoca nos vasos responsáveis pela irrigação
sanguínea da retina. A degeneração macular
resulta da formação de uma rede anômala
de minúsculos vasos de sangue sob a retina. É
a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 65 anos.
Antes do OCT, um
dos exames que existiam para a detecção de problemas
da retina era o ultra-som. Dado o custo da tomografia de coerência
óptica, o método convencional ainda é
bastante usado. Mas as imagens fornecidas por ele são
difusas e mostram a retina como uma camada única. Além
disso, é muito mais desconfortável para o paciente.
Na ultra-sonografia, é necessário aplicar um
gel dentro do olhos, além do colírio anestésico.
A preparação no OCT consiste apenas em dilatar
a pupila. O exame é rápido: basta fixar o olhar
dentro da máquina e esperar alguns minutos até
que os feixes de luz infravermelha desenhem a retina, com
todas as minúcias de suas dez camadas, na tela de um
computador.