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14 de novembro de 2007
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Especial | Infravermelho
Olhos nos olhos

Um exame é capaz de mapear as dez camadas da
retina e, com isso, detectar precocemente dois dos
mais comuns e graves problemas de visão – a
retinopatia diabética e a degeneração macular


Adriana Dias Lopes

A retina é uma das estruturas mais delicadas do olho humano. Localizada no fundo do globo ocular, ela é a responsável por captar a luz e enviá-la ao cérebro, onde será transformada em imagens. Membrana finíssima, a retina também é a sede de alguns dos mais comuns e perigosos problemas de visão. Apesar de só ter um quarto de milímetro de espessura, ela é formada por dez camadas. Até pouco tempo atrás, nenhum exame era capaz de mapear cada um desses estratos – o que, obviamente, comprometia o diagnóstico e o tratamento das doenças. A partir dos anos 2000, no entanto, começaram a ser usados em larga escala os primeiros tomógrafos de coerência óptica (OCTs). Essas máquinas produzem imagens das camadas da retina por meio de feixes de luz infravermelha. O impacto da nova tecnologia na oftalmologia foi enorme. Hoje, é possível determinar com bastante precisão o local e a extensão de uma lesão na retina. A versão mais recente do OCT já está presente em consultórios brasileiros. A sua acuidade impressiona. A máquina consegue localizar danos de até 0,005 milímetro de diâmetro. As imagens produzidas são em três dimensões, o que permite ao médico analisar o defeito na retina de ângulos diferentes.

O OCT é especialmente útil no controle de duas doenças que ainda desafiam os oftalmologistas: a degeneração macular e a retinopatia diabética. Ambas consistem em alterações em vasos de sangue muito finos. Como esses defeitos ocorrem em estruturas minúsculas, eles tendem a passar despercebidos pelas técnicas convencionais de diagnóstico. A retinopatia diabética, que causa o embaçamento da visão e pode levar à sua perda total, surge dos danos que o acúmulo de açúcar no sangue provoca nos vasos responsáveis pela irrigação sanguínea da retina. A degeneração macular resulta da formação de uma rede anômala de minúsculos vasos de sangue sob a retina. É a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 65 anos.

Antes do OCT, um dos exames que existiam para a detecção de problemas da retina era o ultra-som. Dado o custo da tomografia de coerência óptica, o método convencional ainda é bastante usado. Mas as imagens fornecidas por ele são difusas e mostram a retina como uma camada única. Além disso, é muito mais desconfortável para o paciente. Na ultra-sonografia, é necessário aplicar um gel dentro do olhos, além do colírio anestésico. A preparação no OCT consiste apenas em dilatar a pupila. O exame é rápido: basta fixar o olhar dentro da máquina e esperar alguns minutos até que os feixes de luz infravermelha desenhem a retina, com todas as minúcias de suas dez camadas, na tela de um computador.





Fabiano Accorsi
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