Especial | Ressonância Magnética Os
ímãs de átomos
Os equipamentos
mais modernos de ressonância magnética conseguem detectar lesões
minúsculas, de apenas meio milímetro de diâmetro. E fazem
isso atraindo os átomos de hidrogênio do organismo
Adriana Dias Lopes
Fabiano
Accorsi
UM
POUCO MAIS DE CONFORTO Os aparelhos de
ressonância magnética de última geração estão um pouco mais silenciosos e, para
aliviar a sensação de claustrofobia relatada pela maioria dos pacientes, agora
contam com projeção de imagens de nuvens e estrelas
Um
dos diferenciais do exame de ressonância magnética é a capacidade
de visualização dos chamados tecidos moles do corpo, aqueles que
contêm mais água. A técnica é especialmente eficaz
no diagnóstico de doenças do cérebro, dos músculos,
dos tendões, dos ligamentos, do fígado, da bexiga e dos rins. Assim
como a tomografia computadorizada, o objetivo do exame é rastrear distúrbios
por meio de uma espécie de varredura da anatomia das estruturas internas.
No cérebro, a ressonância identifica tumores e alterações
anatômicas e mede a atividade cerebral. As imagens também apontam
com precisão lesões de músculos, ligamentos e cartilagens.
Para atingir tal nível de exatidão, sua tecnologia é uma
das mais complexas entre os exames de imagem. Fabricados desde o início
dos anos 80, os aparelhos de ressonância magnética se valem da capacidade
do núcleo dos átomos de hidrogênio de absorver e emitir ondas
magnéticas que, captadas, são transformadas em imagens.
Os átomos de hidrogênio estão presentes em todas as células
do corpo humano, mas em maior quantidade nos tecidos moles, justamente porque
eles contêm mais água. Por meio da ressonância, um tubo emite
um campo magnético que, como se fosse um ímã, alinha os átomos
de hidrogênio da parte a ser visualizada. Logo depois, esse estímulo
de atração é desligado e os átomos voltam a seus lugares.
Dependendo do tempo e da maneira como esses átomos de hidrogênio
retornam a seu local de origem, o equipamento identifica se o órgão
está normal ou não. Em inflamações e tumores, por
exemplo, os átomos de hidrogênio retornam com mais rapidez do que
em tecidos sadios. Com essa tecnologia, é possível identificar alterações
mínimas, de meio milímetro de diâmetro.
As máquinas de ressonância magnética têm, no entanto,
dois inconvenientes: o barulho e a sensação de claustrofobia que
muitos pacientes relatam durante os quarenta minutos, em média, que têm
de ficar dentro delas. Nas mais modernas, o ruído chega a 90 decibéis,
mais alto do que o de um aspirador de pó nas mais antigas, ficava
em torno dos 130 decibéis. Quanto à sensação desagradável
de permanecer num tubo de 60 centímetros de diâmetro, ela está
sendo contornada com projeção de imagens relaxantes no campo de
visão do paciente. São estrelas, nuvens e formas abstratas em movimento.