A tomografia
registra o funcionamento do corpo humano numa velocidade impressionante
a 192 imagens por segundo. Com isso, o médico pode visualizar
o corpo em plena atividade
Adriana Dias Lopes
Fabiano
Accorsi
O
QUE OCORRE NO TUBO Feixes de raios X,
vindos de todas as direções, cruzam o corpo do paciente. Computadores transformam
essas informações em imagens tridimensionais e ricas em detalhes
Ahistória dos exames de imagem pode ser dividida em antes e depois da
tomografia. Criada na década de 70, ela foi o primeiro exame capaz de flagrar
detalhes da anatomia dos órgãos em funcionamento. Antes dela, as
imagens captadas pelas radiografias tradicionais eram borradas e disformes. Além
disso, os tomógrafos de última geração registram o
organismo numa velocidade impressionante 192 quadros por segundo. Os primeiros
aparelhos faziam uma imagem a cada dez minutos. Na tomografia, feixes de raios
X, vindos de todas as direções, cruzam o corpo do paciente. As imagens
criadas por eles são lidas por computadores e transformadas em desenhos
coloridos tridimensionais.
A área que mais se beneficiou com a criação de tomógrafos
supervelozes foi a cardiologia. De todos os órgãos do corpo humano,
o coração é o que registra os movimentos mais intensos e
complexos. Hoje em dia, é possível detectar problemas coronarianos,
como a aterosclerose, muito precocemente, antes mesmo de sua manifestação.
A importância da tomografia na detecção inicial de males cardíacos
é tanta que já faz parte da lista de exames de check-up do coração
dos hospitais e centros de diagnóstico mais avançados. Às
pessoas acima dos 40 anos, com dois ou mais fatores de risco para doenças
cardíacas, recomenda-se que se submetam ao exame a cada dois anos. Para
os que são saudáveis, a cada cinco anos, também a partir
dos 40.
A tomografia tem-se
revelado muito útil também nas salas de emergência, no atendimento
de vítimas de derrame. Com um desses aparelhos, o médico consegue
fazer o diagnóstico do problema em apenas dois minutos. Como o derrame
se caracteriza pela interrupção do fluxo de sangue para algum ponto
do cérebro, o socorro ao doente tem de ser rápido. O exame tradicional
para o diagnóstico de um derrame, a angiografia, leva cerca de uma hora
apenas para levantar a suspeita de problema. Uma das aplicações
mais novas da tomografia é na detecção de pólipos
verrugas na parede interna do intestino que podem se transformar em câncer.
O exame ganhou até nome próprio: colonoscopia virtual. Ao fazer
600 imagens do intestino a cada cinco minutos, a colonoscopia virtual indica quais
pacientes devem ser encaminhados à colonoscopia tradicional, exame que
exige um preparo muito incômodo, para a retirada de pólipos.