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14 de novembro de 2007
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Especial | PET
O fiscal celular

Como funciona o PET, a máquina capaz de detectar
doenças pela análise do comportamento das células


Adriana Dias Lopes

Fabiano Accorsi
O FUTURO
Uma das grandes apostas da medicina para o aperfeiçoamento dos exames com PET são os marcadores moleculares. O objetivo é que o PET possa vir a reconhecer um tumor enquanto ele ainda está na fase molecular – ou seja, muito menor do que no nível celular

A detecção de doenças em estágios muito iniciais sempre esteve entre os principais desafios da medicina. Um dos maiores saltos nessa direção se deu recentemente, com a introdução da tomografia por emissão de pósitrons, cuja sigla em inglês é PET. Desde que chegou aos hospitais de ponta, no início dos anos 2000, o exame revolucionou o diagnóstico de distúrbios cardiovasculares, doença de Alzheimer e câncer, principalmente. O PET detecta alterações fisiológicas de forma inédita: em vez de rastrear doenças pela anatomia de um órgão, analisa o seu funcionamento no nível celular. Em outras palavras, ele é capaz de diferenciar tecidos doentes dos sadios por meio do comportamento das células. Isso é feito por uma injeção de glicose no paciente, marcada com flúor radioativo que emite um elétron positivo, o pósitron. Quando há tumores, por exemplo, a substância concentra-se mais no seu interior.

Além de detectar a presença de tumores milimétricos, o PET determina se existe metástase e qual a sua extensão. Pode revelar ainda de que forma o câncer responde aos tratamentos quimioterápicos. O PET também tem ajudado os cardiologistas a detectar áreas em que o fluxo sanguíneo no coração está reduzido e a porção do músculo cardíaco que restou viva depois de um infarto. Isso ajuda, inclusive, a decidir qual o melhor procedimento a ser realizado – se cirurgia ou angioplastia, entre outros. No campo dos distúrbios cerebrais, o maior ganho se deu mesmo no caso da doença de Alzheimer. É possível diagnosticar alterações na fisiologia cerebral em estágio inicial, quando ainda não há sintomas evidentes da doença. No futuro, acredita-se que versões ainda mais aperfeiçoadas do PET poderão detectar sinais precoces de esquizofrenia e depressão.

 





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