Como funciona o PET,
a máquina capaz de detectar
doenças pela análise do comportamento das células
Adriana Dias Lopes
Fabiano Accorsi
O
FUTURO Uma das grandes
apostas da medicina para o aperfeiçoamento dos
exames com PET são os marcadores moleculares. O
objetivo é que o PET possa vir a reconhecer um
tumor enquanto ele ainda está na fase molecular
ou seja, muito menor do que no nível celular
A detecção
de doenças em estágios muito iniciais sempre
esteve entre os principais desafios da medicina. Um dos maiores
saltos nessa direção se deu recentemente, com
a introdução da tomografia por emissão
de pósitrons, cuja sigla em inglês é PET.
Desde que chegou aos hospitais de ponta, no início
dos anos 2000, o exame revolucionou o diagnóstico de
distúrbios cardiovasculares, doença de Alzheimer
e câncer, principalmente. O PET detecta alterações
fisiológicas de forma inédita: em vez de rastrear
doenças pela anatomia de um órgão, analisa
o seu funcionamento no nível celular. Em outras palavras,
ele é capaz de diferenciar tecidos doentes dos sadios
por meio do comportamento das células. Isso é
feito por uma injeção de glicose no paciente,
marcada com flúor radioativo que emite um elétron
positivo, o pósitron. Quando há tumores, por
exemplo, a substância concentra-se mais no seu interior.
Além de
detectar a presença de tumores milimétricos,
o PET determina se existe metástase e qual a sua extensão.
Pode revelar ainda de que forma o câncer responde aos
tratamentos quimioterápicos. O PET também tem
ajudado os cardiologistas a detectar áreas em que o
fluxo sanguíneo no coração está
reduzido e a porção do músculo cardíaco
que restou viva depois de um infarto. Isso ajuda, inclusive,
a decidir qual o melhor procedimento a ser realizado
se cirurgia ou angioplastia, entre outros. No campo dos distúrbios
cerebrais, o maior ganho se deu mesmo no caso da doença
de Alzheimer. É possível diagnosticar alterações
na fisiologia cerebral em estágio inicial, quando ainda
não há sintomas evidentes da doença.
No futuro, acredita-se que versões ainda mais aperfeiçoadas
do PET poderão detectar sinais precoces de esquizofrenia
e depressão.