O aparelho que, ao
toque de um botão, cala um celular
incômodo em um raio de 9 metros é ilegal, mas
faz sucesso
na Inglaterra e nos Estados Unidos. Abaixo, algumas idéias
de aparelhos para suprimir chatos com apenas um clique
Rafael Corrêa
Quase metade da
população mundial usa telefones celulares. Na
mesma proporção em que esses aparelhos se popularizaram,
cresceu a turma dos chatos que dão de ombros para as
regras da boa educação e falam alto ao celular
no cinema, no teatro, em restaurantes e outros locais públicos.
Já é possível combater essa turma. Basta
comprar um bloqueador portátil de celular, dispositivo
que fica escondido no bolso e impede o funcionamento dos telefones
móveis num raio de 9 metros. Ao toque de um botão,
o aparelho emite um sinal de rádio na mesma freqüência
em que os celulares funcionam, criando um ruído na
comunicação entre os telefones e as antenas
das operadoras. Imediatamente o aparelho perde a conexão
com a rede e passa a mostrar a mensagem "sem serviço".
Como o mundo não é perfeito, na maioria dos
países o uso de bloqueador de celular é restrito
às forças de segurança e a presídios.
Nos Estados Unidos, sua utilização não
autorizada é considerada crime e está sujeita
à multa de até 11 000 dólares. No entendimento
das autoridades americanas, as operadoras de telefonia são
lesadas pelos bloqueadores, já que pagam pelo direito
de usar a freqüência de comunicação
dos celulares e oferecer o serviço a seus clientes.
Os franceses pensam
de modo diferente. O bloqueador de celular é permitido
desde 2004 em casas de shows, cinemas e teatros. No Brasil,
seu uso é proibido. A Anatel, agência reguladora
da área de telefonia no Brasil, segue o mesmo raciocínio
das autoridades americanas. A multa para o uso de bloqueadores
no país pode chegar a 10 000 reais e acarretar até
quatro anos de prisão. Mesmo com as proibições
impostas pelos governos, é muito fácil adquirir
um aparelho desses. Basta procurá-los em sites especializados
na internet. O inglês Victor McCormack, dono do site
londrino PhoneJammer, disse a VEJA que tem vendido uma média
de 100 bloqueadores por ano a brasileiros e que a clientela
está aumentando. "Até o fim de 2007 estamos
próximos de vender o dobro", ele informa. Segundo McCormack,
a maioria dos dispositivos vai para empresas que os revendem
no Brasil. Os americanos, por sua vez, compram 5 000 desses
aparelhos por ano do site PhoneJammer. Seu preço varia
conforme o modelo e a potência. Um bloqueador portátil
custa em torno de 150 dólares. Já um dispositivo
mais potente, com um alcance de 300 metros, sai por 4 000
dólares. Há sites brasileiros que oferecem bloqueadores
portáteis a 1 300 reais.
O bloqueador portátil
de celular é uma resposta prática à vontade
que todo mundo tem de eliminar os problemas de convivência
nas grandes cidades sem se desgastar com isso. Quem não
adoraria ter um dispositivo mágico para acabar com
os congestionamentos ou silenciar o vizinho barulhento? "A
questão dos bloqueadores de celular indica que vivemos
um momento de pouca comunicação entre as pessoas",
diz o psicólogo Fabio Iglesias, pesquisador do Instituto
de Psicologia da Universidade de Brasília. "O bloqueador
serve para evitar o confronto com o outro", ele completa.
Iglesias estudou o comportamento das pessoas em filas, outro
incômodo das grandes cidades, e concluiu que a maioria
prefere se omitir a discutir com os fura-filas. Para explicar
o conflito entre os que falam alto ao celular e os que usam
os bloqueadores, o filósofo Roberto Romano, da Universidade
Estadual de Campinas, cita uma analogia criada no século
XIX por seu colega alemão Arthur Schopenhauer. Ele
comparava as sociedades humanas com as comunidades dos porcos-espinhos.
Esses animais precisam estar juntos para trocar calor e sobreviver,
mas, quando chegam muito perto uns dos outros, acabam se espetando.
Diz Romano: "Nas situações de conflito, as pessoas
se sentem autorizadas a usar de qualquer artifício
para se preservar, nem que seja algo arbitrário, como
desativar o celular alheio".
FUMO PASSIVO
O cerco das leis e das campanhas antitabagismo ainda é
insuficiente para acabar com o mal causado pelo cigarro
aos não-fumantes. Que tal um aparelho que apaga
brasas a distância?
ESPERA EM CONSULTÓRIOS
MÉDICOS
Quem nunca se imaginou sendo atendido na hora marcada
pelo médico? Um clique e a fila de espera some.
VIZINHOS BARULHENTOS O barulho do mal-educado que mora ao lado só
perde para o ruído do trânsito nas pesquisas
sobre poluição sonora. Um botão para
acabar com a festa do vizinho é um sonho antigo.
CONGESTIONAMENTOS
Uma pesquisa recente mostrou que os engarrafamentos são
o maior motivo de irritação dos brasileiros
no trânsito. Quem não se imagina abrindo
uma passagem no congestionamento da mesma maneira que
Moisés fez no Mar Vermelho?