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14 de novembro de 2007
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Internacional
De Paris, com amor

Washington faz festa para Sarkozy, um
presidente francês que gosta dos EUA

 
Eric Feferberg/AFP
Sarkozy recebido por Laura e George W. Bush nos Estados Unidos: um francês como havia muito os americanos não viam

Welcome, mon ami. Os atritos do passado entre americanos e franceses parecem esquecidos e perdoados em ambos os lados do Atlântico. Em visita de dois dias aos Estados Unidos, na semana passada, Nicolas Sarkozy foi recebido com afagos inimagináveis para qualquer outro presidente da França. Em discurso a uma sessão conjunta do Congresso – honra raramente concedida a um chefe de estado –, Sarkozy falou de seu apego aos ícones da cultura popular americana, de John Wayne a Elvis Presley. Ele agradeceu aos Estados Unidos por terem salvado a França em duas guerras mundiais, reconstruído a Europa com o Plano Marshall e combatido o comunismo durante a Guerra Fria. Enfim, disse tudo o que os políticos americanos ansiavam por ouvir de seus aliados europeus desde o grande racha causado pela invasão do Iraque, em 2003. Foi aplaudido longamente, e de pé, pelos deputados e senadores A diferença de tratamento é notável. O último presidente francês a discursar no Congresso americano foi Jacques Chirac, em 1996. Apenas 100 deputados se deram ao incômodo de comparecer.

A relação entre os dois governos chegou ao seu ponto mais baixo quando Chirac se opôs à invasão do Iraque para derrubar Saddam Hussein. O presidente George W. Bush qualificou os franceses e alemães de "velha Europa", em oposição à "nova" do seu aliado inglês Tony Blair. Em protesto patrioteiro, a lanchonete do Capitólio rebatizou as french fries (fritas francesas) como freedom fries (fritas da liberdade). Um boicote a produtos franceses chegou a ser ensaiado nos Estados Unidos. Chirac apenas refletia na esfera mais alta do poder o estado de espírito de seus conterrâneos. À parte a má vontade atávica com tudo o que não é francês, a birra com os Estados Unidos está intimamente associada ao governo Bush. Quando o presidente era Bill Clinton, 62% dos franceses tinham uma opinião favorável sobre os Estados Unidos. No ano passado, essa proporção havia caído para 39%.

Esta foi a primeira visita oficial de Sarkozy aos Estados Unidos como presidente da França, mas ele já havia estado lá em agosto, durante suas férias, para quebrar o gelo nas relações entre os dois países. "A aproximação com os Estados Unidos tem um sentido estratégico para Sarkozy: ele quer ocupar o lugar do ex-premiê Tony Blair como o europeu com maior influência internacional", disse a VEJA o inglês Reginald Dale, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. Por detrás dos afagos, existem pontos reais de convergência. A França e a Alemanha (a chanceler Angela Merkel visitou Bush na sexta-feira passada) estão preocupadas com as ambições do russo Vladimir Putin e concordam com Washington que é preciso impedir os aiatolás do Irã de fabricar bombas nucleares. Também se mostram satisfeitas com o fato de que o governo Bush esteja, finalmente, começando a admitir que o aquecimento global é um problema sério. Paris ainda acha que invadir o Iraque foi uma péssima idéia, mas soldados franceses ajudam os americanos a combater o Talibã no Afeganistão. Como observou recentemente o pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain: "Os franceses, hem? Quem diria".


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