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Edição 2034

14 de novembro de 2007
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Você, que acredita em tudo que este governo anuncia de maravilhoso, não deixe de usar também a nossa latrina de ouro.

A corrupção

A corrupção não tem causa nem objetivo. A corrupção é simples, sem adornos, não tem partes supérfluas – é uma coisa em si mesma, com sua própria configuração, seu próprio elã, razão de ser acima de qualquer compreensão. Está além de qualquer sentido social, ético ou lógico. Ou psico. A corrupção é.

Por que roubam tanto justamente os que já têm tudo ou até demasiado? Será a corrupção o momentum de uma esfera que rola ribanceira abaixo e não pode mais parar e ninguém consegue parar? De qualquer maneira, quando uma esfera rola, há um fundo ou um patamar aonde chega, e que é seu freio natural. Mas a corrupção é cancerosa, elimina do corrupto ou corruptor a mais remota possibilidade de parar ou retroagir e ser outra vez probo, digamos, pelo menos a partir dali. Pelo menos por cansaço. Os guerreiros se cansam, os atletas sexuais se cansam, os artistas se cansam, quase todos os outros tipos de ambições e características humanas se esgotam. A corrupção – um pouco como o poder em si mesmo – é explosiva e, ao mesmo tempo, implosiva. Cresce, avança, ramifica-se, é metástase, envolve e irmana o corrupto e o corruptor, justifica-os, dá-lhes forças, novos estímulos, toda uma motivação de vida – até o fim, até o último dia da existência, até a morte. A corrupção é, indubitavelmente, uma das muitas línguas pelas quais o demônio – um poliglota! – fala. Mamãe, quando eu crescer eu posso ser corrupto?

Enquanto isso, na direita da esquerda...




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