Você,
que acredita em tudo que este governo anuncia de maravilhoso, não deixe
de usar também a nossa latrina de ouro.
A
corrupção
A corrupção
não tem causa nem objetivo. A corrupção é simples,
sem adornos, não tem partes supérfluas é uma coisa
em si mesma, com sua própria configuração, seu próprio
elã, razão de ser acima de qualquer compreensão. Está
além de qualquer sentido social, ético ou lógico. Ou psico.
A corrupção é.
Por
que roubam tanto justamente os que já têm tudo ou até demasiado?
Será a corrupção o momentum de uma esfera que rola
ribanceira abaixo e não pode mais parar e ninguém consegue parar?
De qualquer maneira, quando uma esfera rola, há um fundo ou um patamar
aonde chega, e que é seu freio natural. Mas a corrupção é
cancerosa, elimina do corrupto ou corruptor a mais remota possibilidade de parar
ou retroagir e ser outra vez probo, digamos, pelo menos a partir dali. Pelo menos
por cansaço. Os guerreiros se cansam, os atletas sexuais se cansam, os
artistas se cansam, quase todos os outros tipos de ambições e características
humanas se esgotam. A corrupção um pouco como o poder em
si mesmo é explosiva e, ao mesmo tempo, implosiva. Cresce, avança,
ramifica-se, é metástase, envolve e irmana o corrupto e o corruptor,
justifica-os, dá-lhes forças, novos estímulos, toda uma motivação
de vida até o fim, até o último dia da existência,
até a morte. A corrupção é, indubitavelmente, uma
das muitas línguas pelas quais o demônio um poliglota!
fala. Mamãe, quando eu crescer eu posso ser corrupto?