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VEJA
Edição 2034

14 de novembro de 2007
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NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
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Cartas
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Gente
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Cartas

"Chávez é um caudilho que precisa ser freado
urgentemente, sob pena de a América do Sul
ter de se submeter aos seus delírios insanos."

Antonio Fidelis
Londrina, PR

Venezuela de Hugo Chávez

Cumprimento VEJA pela excelente reportagem "À sombra de ‘El Supremo’ " (7 de novembro), sobre Hugo Chávez e sua "democracia". Seria importante que neste momento os brasileiros refletissem sobre a matéria e pegassem um mapa da América do Sul para ver exatamente onde está localizada a Venezuela do "amigo". É interessante lembrar onde fica o amigo de Hugo Chávez que também "acertou" suas contas com a Petrobras, Evo Morales, na Bolívia. O importante é que VEJA vem cumprindo seu dever jornalístico de apurar e informar seus milhões de leitores. Nós temos o dever de estar atentos ao que acontece ao nosso lado para que não aconteça o mesmo aqui.
Mônica Ponzi
Rio de Janeiro, RJ

O senhor Chávez não mudou para pior somente a vida dos venezuelanos, mas a de muitos brasileiros que vivem lá. Meu marido trabalha em uma multinacional do ramo da navegação e em junho do ano passado foi transferido para a Venezuela. Deixei meu trabalho para acompanhá-lo, e nossa filha continuou em Santos para concluir o ensino médio. Segundo planejamos, no fim deste ano ela seguiria conosco para estudar na Universidade Simon Bolívar em 2008. Porém, com tudo o que vem acontecendo em Caracas, onde vivemos, optamos por sua segurança e integridade: neste momento ela acaba de se matricular em uma universidade em Santos e ficará morando com a avó. Meu marido e eu fomos forçados a abdicar do convívio diário com nossa única filha por pelo menos mais um ano e meio por causa das loucuras do governo bolivariano e da ditadura que já se instaurou na Venezuela.
Mariane Cláudio Lira de Sousa
Caracas, Venezuela

Excelente a reportagem sobre Hugo Chávez e a situação venezuelana. Acho que a análise foi muito clara e real. Sou brasileira e venezuelana e, neste momento, estou na Venezuela vendo e vivendo tudo o que vocês comentam. O Brasil tem embaixador em Caracas, e não posso acreditar que esse senhor não informe ao ministério, em Brasília, o que está acontecendo aqui. Não entendo como o Brasil não faz absolutamente nada.
Melissa Almeida
Caracas, Venezuela

Foi em bom momento que VEJA trouxe esse assunto, para que os brasileiros reflitam e não permitam que o mesmo venha a acontecer no Brasil, pois, com tudo o que já está ocorrendo em nosso país, corremos um grande risco de acabar assim também.
Ulli Lane
Sant Louis, Missouri, EUA

Hugo Chávez segue à risca o manual do ditador: restringe as liberdades individuais e, para obter apoio popular, faz uso de medidas populistas, como é o caso da Universidade Bolivariana, que acolhe jovens pobres que não teriam a oportunidade de ingressar em uma universidade pública ou privada. Mas, se pensarmos bem, essa medida por si só é contraditória, pois, se ele investisse mais nas escolas, os estudantes teriam condições de entrar na universidade pelo próprio esforço. Chávez é um atraso para a Venezuela e seu povo.
Tiago dos Santos Nunes
Cachoeira Paulista, SP

Em fevereiro, VEJA publicou a reportagem que tratou da Lei Habilitante, que deu poderes ilimitados, por dezoito meses a partir de 31 de janeiro, ao golpista fracassado, e a comparou à Ermächtigungsgesetz nazista de 1933. Exatos nove meses após a publicação do texto, VEJA brinda novamente seus leitores com essa excelente reportagem. O plano de Chávez, como o de Hitler, é perpetuar-se como ditador supremo (a ideologia é a mesma, a única coisa que os diferencia é a cor da camisa: a dos nazistas era cinza e a dos chavistas é vermelha). E há políticos no Brasil que chamam o ditador de "companheiro", "parceiro" e, ainda por cima, defendem a entrada da Venezuela no Mercosul.
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA

A reportagem deveria servir de alerta à população brasileira e, principalmente, a nossa frouxa oposição, para que aqueles fatos não se repitam em nosso país. O terceiro mandato é somente um passo a mais para a ditadura petista. Portanto, exige que o povo, os políticos de oposição e as Forças Armadas se unam no combate a mais esse ato antidemocrático. Acorda, Brasil, antes que seja tarde.
Fernando Fenerich
São Paulo, SP

Ainda há pouco saímos de ditaduras que se acentuaram em todo o continente sul-americano e deixaram cicatrizes indeléveis em nossa vida. Agora, sob os olhares temerosos de todo o povo latino-americano, Hugo Chávez implementa esse regime ditatorial na Venezuela e nenhum país que sofreu esse revés é capaz de se manifestar contra a impostura desse ditador demente.
Mário Lúcio Caldeira de Faria
Montes Claros, MG

Preocupa o continuísmo que permeia o pensamento político na América do Sul. Mais ainda no Brasil, onde é sabido que o PT acalenta esse sonho. Não há credibilidade no governo, nem no partido, para sustentar as negativas, pálidas, da falta de interesse do presidente Lula ou do PT em embarcar nessa aventura. É certo que Lula teve uma importante vitória em 2006. É igualmente certo que obteve apenas 46% dos votos do eleitorado cadastrado na ocasião. Isso não é unanimidade nem garante pretensões golpistas.
Aluizio Gonçalves Filho
Salvador, BA

Há muito me preocupa a forma, digamos, desinibida demais com a qual o presidente venezuelano, coronel Hugo Chávez, circula dentro e fora de seu país, sobretudo no Brasil, em cujos assuntos internos tanto gosta de palpitar. Não bastasse isso, eis que agora, em mais um lance de ousadia no tabuleiro de seu autoritarismo sem limites, a que chamava de revolução bolivariana, "El Supremo" passa goela abaixo do Congresso uma reforma constitucional pra lá de esquisita, que lhe dá carta-branca para reeleger-se infinitas vezes a partir de uma concentração de poderes inédita. O que mais lhe falta? Tomar a Amazônia? A Casa Branca? Canonizar-se à revelia do Vaticano?
Gustavo H.B. Alves Freire
Recife, PE

É espantoso como políticos do PT, inclusive Lula, que se orgulha de ter de alguma forma se oposto à ditadura militar no Brasil, são os mesmos que adoram bajular um ditador, seja ele de esquerda, como Fidel e Chávez, seja de direita, como os africanos. Quando Chávez fechou a Radio Caracas Televisión, Lula e os petistas, inclusive o ministro da Justiça, vieram dizer que se tratava de um ato democrático. Está aí o resultado. Se a Venezuela entrar no Mercosul, o Brasil deve sair. Não se iludam, não existe ditador bonzinho.
Ronaldo Pianowski de Moraes
Curitiba, PR

Lutemos, enquanto ainda há tempo, a fim de que o Brasil não se torne uma Venezuela. Não precisamos de um Chávez à brasileira!
Carolina Gouveia
Recife, PE

 

Carta ao leitor

Fantástico o fecho da Carta ao leitor ("No reino de ‘El Supremo’", 7 de novembro)! É, ao mesmo tempo, objetivo, sucinto e abrangente. Dificilmente alguém poderia colocar tanto conteúdo em frases tão curtas: "Na América Latina, continua valendo o velho mote de que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Os venezuelanos se descuidaram. Deu em Chávez". E os brasileiros? Estão atentos?
Sonia M.B. Soares
Por e-mail

 

Terceiro mandato

Vejo com preocupação a naturalidade com que se fala num possível terceiro mandato presidencial, pois esse poderá ser o primeiro passo para uma ditadura ("Se colar, colou...!", 7 de novembro). Vejam o exemplo da Venezuela. Acorda, Brasil! Está lançada a campanha "NÃO ao terceiro mandato".
Maria do Socorro Bezerra de Moura
Teresina, Piauí

Doze anos na Presidência da República é demais. Será influência de Chávez? A questão é que, se a proposta for a plebiscito, Lula disputará o Planalto em 2010. As pessoas que votarem a favor da medida não o farão porque acham três mandatos o suficiente, mas porque esse governante é o Lula. Lula tornou-se um mito entre a classe baixa, e esse é o preço que se paga pela democracia.
Ricolas Mejatovic
Brasília, DF

Lula, que gosta de se comparar a JK, deveria fazer como o verdadeiro estadista: informar "oficialmente" ser contra a mudança das regras constitucionais. Isso daria tranqüilidade a todos e aos investimentos, que necessitam de futuro certo e definido.
Edélcio Rodrigues Pereira
Presidente da Associação Comercial e Industrial
Monte Carmelo, MG

Pelo estofo moral da grande maioria dos nossos políticos, que é nenhum, podemos concluir, sem medo de errar: o travestido de senador Renan não será cassado, a CPMF será aprovada com a distribuição de parte dos recursos em forma de emendas, a aviação civil continuará um caos e Lula será aquinhoa-do com um terceiro mandato. E nós pagaremos a conta.
Waldercy Ribeiro da Cunha
Minaçu, GO

Devanir Ribeiro e seus sonhadores, com Mangabeira Unger, que cuida de assuntos estratégicos, poderiam aconselhar Lula a, inspirando-se em Cristina Kirchner, convencer a primeira-dama Marisa Letícia a se candidatar a sua sucessão e após quatro anos retornar ao poder. Lula, como tem declarado, não está pensando, ainda, em um terceiro mandato. O que realmente o está preocupando é a possibilidade de o Corinthians ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de Futebol.
Jose Schettini
Petrópolis, RJ

 

Pará

Ótimo o alerta de VEJA na reportagem "Faroeste no Pará" (7 de novembro) sobre o que faz o governo do PT em todas as esferas: promove a bagunça, a corrupção e a vagabundagem. Se pegar a idéia do terceiro mandato, correremos o risco de perpetuar a bandidagem patrocinada pelo estado.
José Paulo Munhoz
São Carlos, SP

A condescendência do governo PT para com os ditos movimentos sociais que invadem, vandalizam e destroem propriedades privadas na área rural anuncia uma tragédia da proporção de um "eldorado dos Carajás", que poderá acontecer nos quintais da governadora Ana Júlia Carepa. A reportagem mostra que foram ultrapassados todos os limites do aceitável na questão da reforma agrária, principalmente quando quem deveria zelar pela segurança no campo se exime de qualquer responsabilidade, escondendo-se atrás de portarias suspeitas de beneficiar apenas um lado, exatamente o mais violento da questão, obrigando os legítimos proprietários rurais a se defender como podem, inclusive utilizando, agora com razão, dos mesmos meios violentos empregados pelos invasores. É guerra na roça, com certeza.
Giovanni Gaiotti Dias
Unaí, MG

Depois de um ano de um governo gastador e cheio de contratações nefastas, a governadora Ana Júlia Carepa deveria cair na real. Foi complacente com as invasões no campo, fechando os olhos para as ações de baderneiros e bandidos; a segurança pública, que ela tanto criticou no governo anterior e se tornou meta para o seu governo, passou de ruim a extremamente perigosa. A entrega de 30% do orçamento do governo do Pará às raposas que tanto condenou e com quem vive hoje aos abraços só lhe traz descrédito e envergonha o povo deste rico, próspero e acolhedor estado.
Ruy Lopes Tôrres
Belém, PA

Até que enfim um veículo de alcance nacional dá destaque para o grave problema da falta de justiça no Pará. A reportagem retrata fielmente os crimes que vêm ocorrendo no estado. Apenas uma ressalva: atualmente não são 1.000 pessoas acampadas na Fazenda Forkilha, mas 200 homens armados e encapuzados.
Marcos Fernandes
Proprietário da Fazenda Forkilha
Por e-mail

 

Ministério de Minas e Energia

Ao ler a excelente reportagem "O PMDB volta à sua mina" (7 de novembro), sobre os interesses por trás do Ministério de Minas e Energia, o que me chamou a atenção foi o fato de o ex-presidente José Sarney estar envolvido (direta ou indiretamente) em mais um caso lastimoso da política brasileira. Para mim, que sou maranhense, a presença de Sarney nesses casos já se tornou costumeira.
Antônio Soares Júnior
Sítio Novo, MA

Emocionei-me às lágrimas ao ver a foto do senador José Sarney circunspectamente meditando sobre os graves problemas do Brasil na área das minas e energia, tendo ao fundo um crucifixo e um retrato de Jesus. E ainda falam mal de nossos senadores...
Gilberto Geraldo Garbi
Curitiba, PR

 

Neuto de Conto

A entrevista em que o senador por Santa Catarina Neuto de Conto, do PMDB, diz desejar ser senador italiano envergonha grandemente a todos nós, catarinenses ("‘Ainda vou ser senador romano’", Holofote, 7 de novembro). O senador é um daqueles suplentes sem expressão nem votos que alcançaram o posto graças à renúncia do titular. Para compensar a trajetória de asneiras – somadas a esse sonho atravancado –, ele coleciona o fato de ter votado pela absolvição de Renan Calheiros e se diz totalmente favorável à aprovação da CPMF por tudo o que o governo Lula fez por Santa Catarina. Ele está deslumbrado com as obras e verbas que a União tem enviado ao estado, contrariando seu líder maior, o governador Luiz Henrique, que vive reclamando da discriminação que o nosso estado sofre.
Márcio Pereira
Nova Trento, SC

Peço encarecidamente ao senhor Neuto de Conto que antecipe seus "planos ambiciosos" e não espere até 2010 para tentar uma vaga no Senado italiano. Se ele fizer isso, eu prometo que lhe pago a passagem de ida, mas com uma condição: que leve a Ideli junto.
George E. Boos
Brusque, SC

 

Cracolândia

Louvável a iniciativa da prefeitura de São Paulo de revitalizar uma área que já foi tão nobre no centro da cidade e havia muito tempo estava abandonada ("Começou a faxina", 7 de novembro). Naquele local existem inúmeros edifícios com valor histórico ou arquitetônico e que estavam "perdidos" no meio de tanta sujeira. Com as mudanças previstas, a região ficará muito mais bonita e habitável. Esperamos que o projeto não sofra interrupção e seja concluído no menor tempo possível.
Daniel dos Santos
Paraibuna, SP

Em qualquer cidade civilizada, a vontade da maioria prevalece sobre a da minoria. Portanto, é um absurdo deixarmos um ponto turístico da maior cidade do Brasil ser dormitório e mictório porque o Ministério Público, que deveria estar se preocupando com coisas mais relevantes, entende que essas pessoas têm o direito de estar ali. Ora, e o direito de milhões de contribuintes de IPTU, IPVA, IR, Cofins, PIS, CPMF etc., que por sinal pagam o salário do MP? Teremos de agüentar a degradação dessas áreas em nome do "direito" de uns poucos? Sem dúvida estamos confundindo os papéis aqui.
Alex Zornig
São Paulo, SP

 

Enzo Rossi

A entrevista com o empresário Enzo Rossi (Auto-retrato, 7 de novembro) é, de longe, a melhor entrevista sobre gestão empresarial que VEJA publicou. Chega de ideologias e políticas econômicas que não saem do papel! Sejamos todos como ele e acabaremos com os salários indignos.
Gabriela Martelli
Itapira, SP

A postura de Enzo Rossi, homem de visão, preocupado com a qualidade de vida de seus funcionários e, conseqüentemente, com o ambiente de trabalho que gerencia, é um bom exemplo para os administradores. A idéia da experiência de passar um mês como assalariado para sentir o outro lado foi bastante interessante. Que a moda prolifere no meio empresarial e traga resultados positivos, como aconteceu com ele.
Maria Dilma Ponte de Brito
Parnaíba, PI

 

Educação

Não é novidade para ninguém que a população brasileira não sabe a localização do país no mapa-múndi. Ora, temos várias pessoas no país que não sabem o nome do vice-presidente, do presidente do Senado, da Câmara, a localização dos estados no mapa etc. Enquanto continuarmos com esses governos assistencialistas, com a educação em nível precário, como poderemos cobrar a população? Hoje, no Brasil, o que temos é uma distribuição de diplomas, e não de conhecimentos ("E a gente ainda goza dos americanos", 7 de novembro.).
Anderson Carlos de Souza Neves
Por e-mail

É difícil acreditar que a pesquisa do instituto Ipsos seja verdadeira, mas a considero séria, por ter sido publicada nesta revista. A ignorância de alunos do ensino fundamental e universitário, mostrada no estudo, com certeza nos deixa envergonhados. E, pior, tenho certeza de que essa ignorância não ocorre somente nas matérias de conhecimentos geográficos. Como professora aposentada do estado de São Paulo, mais que envergonhada, fico indignada com o descaso em relação à educação de nossos jovens. Há vinte anos, nossos alunos do ensino básico, com toda a certeza, não nos envergonhariam dessa forma. Há décadas os políticos se elegem prometendo trabalhar para melhorar a educação e a saúde do povo e, depois de eleitos, tratam exclusivamente dos interesses pessoais. Há mais tempo ainda, os governos aumentam sistematicamente a arrecadação dos impostos, justificando a necessidade de dinheiro para aplicar nas áreas da educação e da saúde, e os recursos são desviados, como todos os dias se tem notícia. Não há dinheiro nem para colocar mapa-múndi nas salas de aula. Não há dinheiro para uma melhor formação e qualificação dos professores. Será que o país está condenado a viver eternamente sob a ditadura da bandalheira? A melhor análise dessa situação é a seguinte: povo ignorante é mais fácil de ser enganado.
Lígia Caricatti
São Paulo, capital

Cinqüenta por cento dos brasileiros não sabem onde fica o Brasil. Até aí, tudo bem. O que não me parece muito bom é esses 50% de brasileiros decidirem, através do voto, o destino do país. Posso estar equivocado, mas algo me diz que esse modelo precisaria ser revisto.
Hélio Carmo Faccin
Itapecerica da Serra, SP

 

Gustavo Ioschpe

O artigo de Gustavo Ioschpe ("Preocupe-se. Seu filho é mal educado", 7 de novembro) me soou um certo radicalismo. Principalmente quando se referiu de modo generalizado ao professor da rede particular. Concordo que a formação pública no geral está defasada, mas não podemos crucificar professores advindos desse sistema, colocando esse item como único em importância na sua formação. Nestes 27 anos, convivi com excelentes profissionais que conquistaram a confiança, o respeito e a admiração dos alunos e de seus familiares pelo dom de ensinar e produzir aprendizado. A grande maioria deles encontra na própria instituição o incentivo para desenvolver uma prática educativa que assegure o interesse dos alunos pelo saber, fazer, ser e conviver com justiça, liberdade, paz e desenvolvimento sadio, por meio de projetos contextualizados e inovadores. O professor é, sem dúvida, o ator principal do processo ensino/aprendizagem, mas sabemos que um processo educacional só funciona com o trinômio estado/escola/família.
Maurício Cruz Sampaio
Diretor pedagógico do Colégio Jardim França
São Paulo, SP

Até que enfim alguém disse o que venho falando aos pais dos meus netos, que pagam uma enorme mensalidade de escola particular. Como acompanho o estudo deles diariamente, vejo como são mal ensinados, que os livros são péssimos, com matérias áridas, de pouca assimilação. Acredito que os testes feitos pelo governo para as escolas públicas também deveriam ser aplicados nas particulares, para mostrar que o ensino é bastante caro e deixa muito a desejar.
Rose Scaff
Barueri, SP

Tenho passado por esse pesadelo. Minha filha de 10 anos faz o 6º ano num dos melhores colégios de Fortaleza, e isso inclui uma das maiores mensalidades. A menina não sabe nada. É aluna do colégio desde o jardim-de-infância e é lamentável o nível de conhecimento dela e da imensa maioria de seus colegas de sala – e estou falando isso apesar de suas notas serem excelentes. Eles ludibriam os pais de todas as maneiras, com minitestes, gincanas, trabalhos de equipe. As notas vão subindo, os pais achando bom, e as crianças não aprendendo nada. Já fui várias vezes ao colégio falar da minha aflição, mas eles dizem que é pedagogia moderna, se as notas estão boas, tudo bem.
Scheylla Riedmiller
Fortaleza, CE

 

Jô Soares

Excelente a entrevista concedida por Jô Soares a VEJA (Amarelas, 7 de novembro). Obrigado, Jô, por nos brindar com quase meio século de alegria, exemplo de profissionalismo e sabedoria. Você enobrece o país e nos enche de orgulho.
José Justo Salvador
Açu, RN

Jô Soares prova que é possível obter qualidade sem apelar para a vulgaridade. Poucos programas de entrevista, e não me lembro de nenhum outro, conseguem nos prender à poltrona falando de assuntos que não conhecemos com pessoas sem fama. O humor de Jô Soares se perpetua, pois é o humor da vida real, com ênfase na solução da questão satirizada.
Francisco Hyppolito Neto
Mogi Guaçu, SP

Expoente de peso do humor brasileiro, Jô nos mostra uma maneira eficaz de punir e ridicularizar ao extremo esses políticos que nos enganam, nos roubam e ainda nos impingem sua presença e sua retórica enganosa em programas partidários obrigatórios, invadindo nosso lar em horário nobre, com custos pagos por nossos impostos.
Alberto M. Reis
Salvador, Bahia

 

Ministério de Minas e Energia 2

A revista VEJA publicou, em sua última edição, a reportagem "O PMDB volta à sua mina" (7 de novembro), na qual cita dirigentes da empresa Alcoa "como tradicionais doadores de campanha da família Sarney". Acredito que toda generalização é perigosa, e a forma como a matéria foi tratada permite ao leitor tirar conclusões em cima de informações que não procedem. Nesse sentido, esclareço que jamais recebi dinheiro da Alcoa para campanha política.
José Sarney Filho
Deputado federal (PV-MA)
Brasília, DF

A propósito da reportagem "O PMDB volta à sua mina", a Alcoa nunca fez nem faz doação de campanha a nenhum integrante da família Sarney ou a nenhum outro político brasileiro. Ainda que a legislação da maioria dos países democráticos permita, a Alcoa optou por não contribuir, direta ou indiretamente, para tais campanhas. Essa opção está muito bem delineada no código de conduta de negócios da companhia. A norma está expressa também na política de relações governamentais da Alcoa América Latina, que pode ser consultada no endereço www.alcoa.com.br.
Nemércio Nogueira
Diretor de assuntos institucionais
Alcoa América Latina
São Paulo, SP

 

Terceiro mandato 2

Apresentei a emenda da reeleição ao mesmo tempo que propus a implantação do voto distrital misto e da fidelidade partidária. Não foi um ato isolado, atendendo a interesses específicos do poder de plantão. A emenda da reeleição estabelecia esse direito para as três esferas de poder: municípios, estados e governo federal, não atendendo à solicitação ou ao interesse do então presidente Fernando Henrique. Como homem público e cidadão, sou frontalmente contrário à proposta de um terceiro mandato, principalmente para presidente da República ("Se colar, colou...!", 7 de novembro).
José Mendonça Bezerra Filho
Recife, PE

 

Veja essa

O deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), autor do projeto que permite ao atual presidente disputar um terceiro mandato, disse: "Até agora, ninguém me pediu para desistir" (Veja essa, 7 de novembro). Pois bem, senhor deputado, eu lhe peço que desista dessa idéia absurda de um terceiro mandato. Oito anos de governo são mais do que suficientes para qualquer governante. Mais do que isso é querer se perpetuar no cargo. E isso nós não queremos para o Brasil.
Daniel dos Santos
Paraibuna, SP

 

Cracolândia 2

Em relação à nota publicada "O reino dos mendigos" ("Começou a faxina", 7 de novembro), o Ministério Público do Estado de São Paulo esclarece que a instituição zela pelo direito de ir e vir de todos os cidadãos, entre eles, os moradores de rua. Por outro lado, postula perante os poderes públicos instituídos medidas efetivas destinadas ao aumento e à capacitação dos agentes públicos que realizam a abordagem dessa população, bem como a construção de albergues e moradias dignas.
Rodrigo César Rebello Pinho
Procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo
São Paulo, SP

 

Gerúndio

Muito boa a reportagem de André Petry sobre o gerúndio ("Acusando, culpando e errando", 31 de outubro), mas não procede o exemplo de que Camões utilizou "Cantando espalharei por toda parte" (Canto I, estrofe 2, verso 7), em lugar de "A cantar espalharei por toda parte", porque, "no seu tempo, nem os portugueses usavam essa forma de falar, denominada infinitivo gerundivo". É possível que tenha sido isso, mas há uma imposição do ritmo (predominantemente heróico, com pausa na sexta sílaba poética) e da métrica de Os Lusíadas. A segunda opção não foi sequer pensada, pois o verso ficaria com onze sílabas, quebrando o ritmo e destoando do verso decassílabo, clássico por excelência, escolhido como metro para os 8 816 versos do poema.
Milton Marques Júnior
João Pessoa, PB

 

Millôr

Brincando, nosso querido Millôr fala de coisas sérias e dá ao "companheiro Lula" sábios conselhos ("Carta ao companheiro e comandante", 7 de novembro). Liberar já! Liberar geral! Vamos acabar com os traficantes de vez. Vamos partir do princípio de que cada cidadão é responsável por seus atos.
Marina de Paula Trindade
Maceió, AL

 

Mainardi e o lulismo

A imundície não continua lá, ela impera lá. A cada dia Rui Barbosa é mais atual, a cada hora aumentam as decepções, que abalam nossa fé. Parece que estamos perdendo a guerra. Caro Diogo, continue sua luta, as pessoas de bem necessitam de um bom porta-voz ("A imundície continua lá", 7 de novembro).
Maurício Carlos Grando
Caçador, SC

 

Roberto Pompeu de Toledo

Morei durante quatro anos ininterruptos na Espanha e concordo em gênero, número e grau com Roberto Pompeu de Toledo quando descreve a triste situação do separatismo na Espanha. Só não concordo quando diz que "nenhum catalão deixará de falar espanhol com um estrangeiro". Hoje em dia, é cada vez maior o número de universidades catalãs que ministram suas aulas exclusivamente no idioma local, deixando em difícil situação os estudantes provenientes de outros países que as freqüentam. A desculpa é sempre a mesma: espanhol e catalão são ambos idiomas oficiais nessas comunidades autônomas. Então o jeito é tratar de aprender o idioma ou nada feito.
Gisele Mendes de Carvalho
Maringá, PR

 

As capas de VEJA

Interessante como se parecem as duas últimas capas de VEJA: edições 2 032 e 2 033. A primeira traz uma maçã vermelha sobre um fundo claro; a segunda, um quepe vermelho sobre um fundo claro. Mas as coincidências não param por aí: a maçã da primeira capa ilustra a reportagem sobre essa terrível doença que é o diabetes. Já o quepe também representa uma "doença", com certeza até mais terrível do que o diabetes. O nome? Hugo Chávez. Ela já corroeu a Venezuela e tenta levar seus males para toda a América do Sul.
Marcus Santos Plínio
Vitória da Conquista, BA

 

CORREÇÕES: Jânio Quadros ocupou a Presidência da República de 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto do mesmo ano, e não como informou a reportagem "Se colar, colou...!" (7 de novembro). O Parque do Superagüi fica no litoral norte do Paraná, e não no norte do estado, como publicado na reportagem "Ocaso dos primatas" (7 de novembro).

 

 

 

Fantasma e ectoplasmas

A foto do mistério: movimento e luzes criaram imagens fantasmagóricas

A leitora Cibelle Vidal escreve um e-mail em que aponta um mistério na reportagem "O PMDB volta à sua mina" (7 de novembro): "A foto que está na página 77 tem algo estranho. Aparece em pé a figura de um menino de quem sai uma luz forte. Onde há uma menina sentada, há um outro rosto que parece ser de um homem. Acho que não perceberam esse detalhe ao colocar essa foto". Francisco Ferreira também notou: "Bem no centro da imagem tem um foco amarelo e por trás dele há uma pessoa, mais parece uma criança olhando para as pessoas que estão sentadas. Vocês poderiam explicar o que aconteceu?". "Espero que seja apenas um defeito na foto", disse outro leitor, que se assina apenas Freire. "Que tal mandar algum especialista em espiritualidade analisar? Vejo na foto que há quatro pessoas sentadas; porém, é possível visua-lizar uma outra em pé. Está absorvendo o ectoplasma do rapaz sentado de camiseta amarela? Ou é algum recurso fotográfico?", pergunta Cristiana Torreão. Os fantasmas (ou ectoplasmas?) que aparecem na foto são apenas efeitos do movimento da câmera conjugado com o jogo de luzes local. Os leitores podem ficar tranqüilos, pois não há mistério a desvendar.

 

Gisele e o euro

Fernanda Calfat/Getty Images
A nota de VEJA e a repercussão: Gisele esnobou o dólar


Demorou um pouco, quase dois meses, mas na semana passada ganhou o mundo a revelação feita por Lauro Jardim, na coluna Radar de VEJA, sobre a exigência da modelo brasileira Gisele Bündchen ao fazer um contrato de publicidade com a Pantene. O impulso inicial foi dado pela agência de notícias americana Bloomberg, especializada em assuntos financeiros. Em questão de horas a notícia preencheu a globosfera e os sites na internet dos grandes jornais em dezenas de países. A revelação do Radar logo chegou também ao Brasil e foi notícia em quase todos os órgãos noticiosos. A repercussão mundial da nota publicada por VEJA se deve, em primeiro lugar, ao status de estrela internacional conquistado por Gisele. Deve-se também à credibilidade de VEJA, cujas notícias são, disparado, campeãs nos rankings de citações em publicações estrangeiras. Um terceiro fator ajudou a nota a entrar com tanto vigor na corrente mundial de notícias. Os editores de finanças tiveram na semana passada justamente a incumbência de explicar a seus leitores as razões pelas quais os grandes fundos de investimento estavam desfazendo-se de dólares e aumentando suas reservas em euro. Nada mais óbvio do que ilustrar uma notícia tão árdua com a foto de uma deusa da beleza. E tome Gisele nas páginas econômicas. Temeroso da antipatia que a notícia podia gerar para a imagem de sua cliente nos Estados Unidos, o agente de Gisele ensaiou um desmentido tímido. A informação é verdadeira.

 

O jequitibá santa-ritense

Os leitores Francisco Mário Viotti Bernardes, Miguel Rosin, Débora Zanduzzo Rigoto, Décio Marques Figueiredo Júnior leram orgulhosos a reportagem "Espécies que desafiam os séculos" (7 de novembro) e escreveram à redação para dizer que o jequitibá-rosa que ilustra as páginas 134 e 135 é um legítimo santa-ritense, "nascido, preservado e admirado nas terras de Santa Rita do Passa-Quatro". Não menos orgulhoso, o leitor José Alberto Tavares Zerbatto sugere: "Se alguém perguntar quantos anos tem e de que espécie é a árvore mais velha do Brasil, mostre-lhe a reportagem de VEJA. Mas, se lhe perguntarem onde fica essa maravilha, res-ponda: fica em Santa Rita do Passa-Quatro, uma maravilha do interior de São Paulo". "Santa Rita do Passa-Quatro, no estado de São Paulo, é uma cidade pequena, com pouco mais de 25 000 habitantes, e às vezes carente da devida atenção e divulgação", explicou Francisco Silva Ruiz, morador da cidade onde está locali-zado o Parque Estadual de Vassununga, morada do velho jequitibá-rosa de mais de 3 000 anos.



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