Pedro
II, aos 24 anos: a liberdade de expressão era para o monarca um valor intocável
Às vésperas
do feriado de 15 de novembro, dedicado às comemorações da
proclamação da República, VEJA publica uma reportagem especial
sobre o personagem quase sempre minimizado daquele episódio, Pedro II,
o imperador deposto pelos militares fundadores da República. Por que Pedro
II, e não Deodoro da Fonseca, o general, por sinal amigo do monarca, que
há 118 anos destronou a dinastia Bragança e extinguiu a monarquia
como forma de governo no Brasil?
Primeiro,
porque Pedro II é notícia. Um pequeno mas extraordinário
livro do historiador José Murilo de Carvalho aguçou recentemente
a curiosidade a respeito do último imperador do Brasil, cuja vida está
sendo pesquisada agora por muitos outros estudiosos. Segundo, porque Pedro II
deixou um legado que ainda repercute entre nós. O legado do homem público
com amor ao saber, tolerante com os adversários e fervoroso defensor da
liberdade de expressão. Disse o imperador: "A nossa principal necessidade
política é a liberdade de eleição; sem esta e a de
imprensa não há sistema constitucional na realidade, e o ministério
que transgride ou consente na transgressão desse princípio é
o maior inimigo do estado e da monarquia".
A reportagem de VEJA, escrita com graça e exatidão pela editora
executiva Vilma Gryzinski, mostra que Pedro II tinha a noção clara
da inviabilidade histórica da monarquia, para ele apenas uma "fase de preparação"
para as novas e fabulosas etapas do progresso político, social e até
científico que vislumbrava para o Brasil. A reportagem conta que o imperador,
um homem de hábitos modestos, recusou a pensão que o novo regime
lhe ofereceu para viver com algum conforto no exílio a que foi forçado.
São muitas as recompensas proporcionadas pelo estudo da história.
A de trazer de volta ao cenário a figura grave e respeitosa de Pedro II
é uma das mais significativas para os tempos em que vivemos.