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DVD
Como
Era Verde Meu Vale (How Green Was My Valley, Estados Unidos,
1941. Fox) Ganhador de cinco Oscar, entre eles o de melhor filme,
esse drama passado no País de Gales, no início do século
XX, é um daqueles exercícios de nostalgia que nunca envelhecem.
Vistas pelos olhos de um menino (Roddy McDowall, que quase trinta anos
depois seria o doutor Cornelius de O Planeta dos Macacos), as pequenas
alegrias e grandes desventuras de uma família de mineradores de
carvão simbolizam as transformações que inaugurariam
o período das lutas sindicais e poriam fim a um velho estilo de
vida. John Ford, autor de obras-primas como No Tempo das Diligências
e Rastros de Ódio, sai aqui de seu território
habitual, o faroeste. Mas não deixa de mostrar seu talento ímpar
para compor grandes painéis que ficam na memória da platéia
e também para tirar excelentes atuações de seus atores
entre eles, a jovem irlandesa Maureen O'Hara, que se tornaria uma
de suas intérpretes favoritas e par de John Wayne em outros filmes
de Ford.
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| Gould:
gênio (mesmo) do piano |
The
Goldberg Variations, Glenn Gould (Sony Music) Se a palavra
"gênio" se aplica a algum pianista do século XX, esse pianista
é o canadense Glenn Gould. Ele foi um intérprete inigualável
das obras de Johann Sebastian Bach, sobretudo das difíceis Variações
Goldberg, compostas pelo músico alemão em 1741. Gould
gravou a obra em duas ocasiões: no ano de 1955, que marcou sua
estréia em discos, e em 1981, pouco antes de sua morte (o registro
anterior foi posto a bordo da nave espacial Voyager, como amostra das
"grandes criações da raça humana"). Esse DVD faz
parte de um especial em três partes chamado Glenn Gould Plays
Bach, criado originalmente para exibição na TV. Além
da qualidade superior de som e imagem inerentes ao DVD, o produto traz
um bom documentário sobre Gould e uma biografia de Bach.
DISCO
Driving
Rain, Paul McCartney (EMI) Nas duas últimas décadas,
Paul McCartney deu vazão ao seu lado de baladista, criando canções
românticas que rendiam suspiros em casais enamorados e urticárias
em boa parte da crítica que sempre preferiu a rebeldia,
ainda que cosmética, de John Lennon. De dois anos para cá,
Paul voltou a fazer barulho. Se em 1999 o baixista lançou o belo
Run Devil Run, repleto de canções dos anos 50, agora
ele mostra dezesseis inéditas em Driving Rain. A maioria
é de rocks animados, nos quais Paul mostra a habitual destreza
em seu contrabaixo vide a faixa Lonely Road. Mas quem estava
satisfeito com a fase anterior do músico também não
precisa se preocupar. Driving Rain tem sua cota de baladas, entre
elas Heather (feita para Heather Mills, noiva do roqueiro) e o
libelo pacifista Freedom, inspirado na tragédia do World
Trade Center, em Nova York, e gravado às pressas para entrar no
CD.
LIVRO
Reprodução
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| Flaubert:
o primeiro texto |
Bibliomania,
de Gustave Flaubert (tradução de Carlito Azevedo; Casa da
Palavra; 75 páginas; 18 reais) O francês Flaubert
(1821-1880) é considerado a encarnação perfeita da
vocação literária: um homem que viveu recolhido para
escrever, e que ocupava horas na busca pela "palavra exata". O conto Bibliomania
é outra prova dessa vocação. Veio à luz
quando o autor tinha apenas 15 anos, aceito para publicação
num jornal literário. O texto toca em assuntos que Flaubert retomaria
bem mais tarde, em obras-primas como Bouvard e Pécuchet. Para
narrar a história do livreiro Giácomo, que comete um crime
para apoderar-se de uma edição rara, o escritor se inspirou
num relato da Gazeta dos Tribunais. Sabe-se hoje que esse relato
era um conto disfarçado em reportagem, cuja autoria ou coube a
Charles Nodier ou a Prosper Mérimée outros grandes
nomes da prosa francesa. Além do conto de Flaubert, a bonita edição
brasileira traz, em apêndice, esse saboroso petisco literário.
CINEMA
Divulgação
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| Perseguição:
à moda de Spielberg |
Perseguição
(Joy Ride, Estados Unidos, 2001. Estréia nesta quinta-feira
no país) Não é por acaso que o jovem Lewis
(Paul Walker) compra um carro usado, modelo 1971, para atravessar os Estados
Unidos durante as férias. Esse foi o ano em que o estreante Steven
Spielberg lançou o estupendo Encurralado, em que, por causa
de uma bobagem, um motorista é implacavelmente caçado por
um caminhão-tanque. Perseguição homenageia
seu antecessor da melhor forma possível: deixando a platéia
nervosa algo raro entre os suspenses recentes de Hollywood. O diretor
John Dahl (de O Poder da Sedução, sucesso noir
de 1994) tem muito senso de ritmo e tira o máximo proveito da história
de Lewis, que, na companhia de seu irmão encrenqueiro (Steve Zahn),
usa o radioamador do carro para passar um trote mesquinho num caminhoneiro.
Enfurecido, o sujeito vai à forra. Para amplificar a tensão,
Dahl se vale do mesmo truque utilizado por Spielberg nunca mostrar
o rosto do vilão, que vira assim um ser ainda mais assustador.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Em
primeiro lugar na lista de não-ficção de VEJA,
O Mundo Mágico de Harry Potter (tradução
de Rosa Amanda Strausz; Sextante; 184 páginas; 19,90 reais)
não tem nada a ver com os livros da série criada pela
escocesa J.K. Rowling. E nem passou pela aprovação
da escritora, como avisa um selinho na capa. Seu autor, David Colbert,
foi executivo da HarperCollins, uma das maiores editoras dos Estados
Unidos, e redator das perguntas e respostas (nem sempre corretas)
do Who Wants To Be a Millionaire?, o programa americano que
inspirou o Show do Milhão de Silvio Santos. Em O
Mundo Mágico de Harry Potter, ele apenas explica as referências
mitológicas contidas nos enredos estrelados pelo menino-bruxo.
Para tanto, compôs capítulos curtos, que começam
sempre com uma indagação. Uma delas, por exemplo,
é "por que a esfinge faz uma pergunta a Potter em O Cálice
de Fogo?" A resposta traz a origem e o significado da esfinge.
As informações cobrem de seres fantásticos,
como os centauros e os druidas, a detalhes de rituais mágicos
descritos nos volumes de J.K. Rowling. É oportunista? É.
Mas até que Colbert fez um livrinho simpático.
Marcelo
Marthe
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