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Edição 1 726 - 14 de novembro de 2001
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DVD

Como Era Verde Meu Vale (How Green Was My Valley, Estados Unidos, 1941. Fox) – Ganhador de cinco Oscar, entre eles o de melhor filme, esse drama passado no País de Gales, no início do século XX, é um daqueles exercícios de nostalgia que nunca envelhecem. Vistas pelos olhos de um menino (Roddy McDowall, que quase trinta anos depois seria o doutor Cornelius de O Planeta dos Macacos), as pequenas alegrias e grandes desventuras de uma família de mineradores de carvão simbolizam as transformações que inaugurariam o período das lutas sindicais e poriam fim a um velho estilo de vida. John Ford, autor de obras-primas como No Tempo das Diligências e Rastros de Ódio, sai aqui de seu território habitual, o faroeste. Mas não deixa de mostrar seu talento ímpar para compor grandes painéis que ficam na memória da platéia e também para tirar excelentes atuações de seus atores – entre eles, a jovem irlandesa Maureen O'Hara, que se tornaria uma de suas intérpretes favoritas e par de John Wayne em outros filmes de Ford.


Gould: gênio (mesmo) do piano

The Goldberg Variations, Glenn Gould (Sony Music) – Se a palavra "gênio" se aplica a algum pianista do século XX, esse pianista é o canadense Glenn Gould. Ele foi um intérprete inigualável das obras de Johann Sebastian Bach, sobretudo das difíceis Variações Goldberg, compostas pelo músico alemão em 1741. Gould gravou a obra em duas ocasiões: no ano de 1955, que marcou sua estréia em discos, e em 1981, pouco antes de sua morte (o registro anterior foi posto a bordo da nave espacial Voyager, como amostra das "grandes criações da raça humana"). Esse DVD faz parte de um especial em três partes chamado Glenn Gould Plays Bach, criado originalmente para exibição na TV. Além da qualidade superior de som e imagem inerentes ao DVD, o produto traz um bom documentário sobre Gould e uma biografia de Bach.

 

DISCO

Driving Rain, Paul McCartney (EMI) – Nas duas últimas décadas, Paul McCartney deu vazão ao seu lado de baladista, criando canções românticas que rendiam suspiros em casais enamorados e urticárias em boa parte da crítica – que sempre preferiu a rebeldia, ainda que cosmética, de John Lennon. De dois anos para cá, Paul voltou a fazer barulho. Se em 1999 o baixista lançou o belo Run Devil Run, repleto de canções dos anos 50, agora ele mostra dezesseis inéditas em Driving Rain. A maioria é de rocks animados, nos quais Paul mostra a habitual destreza em seu contrabaixo – vide a faixa Lonely Road. Mas quem estava satisfeito com a fase anterior do músico também não precisa se preocupar. Driving Rain tem sua cota de baladas, entre elas Heather (feita para Heather Mills, noiva do roqueiro) e o libelo pacifista Freedom, inspirado na tragédia do World Trade Center, em Nova York, e gravado às pressas para entrar no CD.

 

LIVRO

 
Reprodução
Flaubert: o primeiro texto

Bibliomania, de Gustave Flaubert (tradução de Carlito Azevedo; Casa da Palavra; 75 páginas; 18 reais) – O francês Flaubert (1821-1880) é considerado a encarnação perfeita da vocação literária: um homem que viveu recolhido para escrever, e que ocupava horas na busca pela "palavra exata". O conto Bibliomania é outra prova dessa vocação. Veio à luz quando o autor tinha apenas 15 anos, aceito para publicação num jornal literário. O texto toca em assuntos que Flaubert retomaria bem mais tarde, em obras-primas como Bouvard e Pécuchet. Para narrar a história do livreiro Giácomo, que comete um crime para apoderar-se de uma edição rara, o escritor se inspirou num relato da Gazeta dos Tribunais. Sabe-se hoje que esse relato era um conto disfarçado em reportagem, cuja autoria ou coube a Charles Nodier ou a Prosper Mérimée – outros grandes nomes da prosa francesa. Além do conto de Flaubert, a bonita edição brasileira traz, em apêndice, esse saboroso petisco literário.

 

CINEMA

Divulgação
Perseguição: à moda de Spielberg

Perseguição (Joy Ride, Estados Unidos, 2001. Estréia nesta quinta-feira no país) – Não é por acaso que o jovem Lewis (Paul Walker) compra um carro usado, modelo 1971, para atravessar os Estados Unidos durante as férias. Esse foi o ano em que o estreante Steven Spielberg lançou o estupendo Encurralado, em que, por causa de uma bobagem, um motorista é implacavelmente caçado por um caminhão-tanque. Perseguição homenageia seu antecessor da melhor forma possível: deixando a platéia nervosa – algo raro entre os suspenses recentes de Hollywood. O diretor John Dahl (de O Poder da Sedução, sucesso noir de 1994) tem muito senso de ritmo e tira o máximo proveito da história de Lewis, que, na companhia de seu irmão encrenqueiro (Steve Zahn), usa o radioamador do carro para passar um trote mesquinho num caminhoneiro. Enfurecido, o sujeito vai à forra. Para amplificar a tensão, Dahl se vale do mesmo truque utilizado por Spielberg – nunca mostrar o rosto do vilão, que vira assim um ser ainda mais assustador.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Em primeiro lugar na lista de não-ficção de VEJA, O Mundo Mágico de Harry Potter (tradução de Rosa Amanda Strausz; Sextante; 184 páginas; 19,90 reais) não tem nada a ver com os livros da série criada pela escocesa J.K. Rowling. E nem passou pela aprovação da escritora, como avisa um selinho na capa. Seu autor, David Colbert, foi executivo da HarperCollins, uma das maiores editoras dos Estados Unidos, e redator das perguntas e respostas (nem sempre corretas) do Who Wants To Be a Millionaire?, o programa americano que inspirou o Show do Milhão de Silvio Santos. Em O Mundo Mágico de Harry Potter, ele apenas explica as referências mitológicas contidas nos enredos estrelados pelo menino-bruxo. Para tanto, compôs capítulos curtos, que começam sempre com uma indagação. Uma delas, por exemplo, é "por que a esfinge faz uma pergunta a Potter em O Cálice de Fogo?" A resposta traz a origem e o significado da esfinge. As informações cobrem de seres fantásticos, como os centauros e os druidas, a detalhes de rituais mágicos descritos nos volumes de J.K. Rowling. É oportunista? É. Mas até que Colbert fez um livrinho simpático.

Marcelo Marthe

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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