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Uma
dúvida sobre os novos
seriados da TV paga: o que é
ruim para os EUA é bom para o Brasil?
Marcelo Marthe
Depois de
quatro meses de reprises, os fãs dos seriados americanos voltam
a encontrar novidades na TV paga. Além das temporadas inéditas
de sucessos como Friends e C.S.I., estréiam no país
nada menos que 21 atrações do gênero. Entre elas figuram
alguns candidatos a se tornar objeto de culto, como Scrubs, comédia
da Sony sobre um médico recém-formado que atua num pronto-socorro.
Mais de um terço do pacote, contudo, é composto de programas
que já deixaram de ser produzidos ou estão com a vida por
um fio (veja quadro).
Vários foram acometidos de morte súbita pouco depois
de ir ao ar. Entre esses, dois pesos-pesados lançados há
pouco nos Estados Unidos. A comédia What About Joan, protagonizada
por uma atriz já indicada ao Oscar, Joan Cusack, foi cancelada
sem aviso prévio por absoluta anemia nos índices de audiência.
O mesmo fim teve Bob Patterson, do humorista Jason Alexander, que
interpretava o George Costanza de Seinfeld. Após cinco episódios,
o programa foi extinto na semana passada.
A temporada
de estréias nos Estados Unidos coincide com o fim do verão,
em setembro. As redes de televisão não têm pudor em
tirar do ar uma atração que não se firme rápido.
A princípio, elas produzem treze episódios de cada seriado,
pouco mais que a metade da quantidade que compõe uma temporada
(geralmente são 22). Só se grava o restante se o ibope for
satisfatório. Se são ruins de público e também
de crítica, diga-se , por que esses programas estréiam
aqui? Os canais brasileiros argumentam que compram as séries antes
de elas terem passado pelo teste da audiência lá fora ou,
em outros casos, que ficam reféns da programação
da matriz. Também afirmam que o gosto de brasileiros e americanos
nem sempre coincide. Mas a verdade é que alguma espécie
de filtro poderia existir. Não há o que justifique, por
exemplo, a exibição do péssimo Deadline. Com
trama sobre os bastidores de um jornal, o seriado foi cancelado em apenas
um mês pela rede NBC no ano passado.
Os fracassos
mais retumbantes costumam ser os de programas estrelados por gente famosa.
Os produtores se escoram no carisma dos protagonistas e se esquecem de
fazer um roteiro decente. O caso de Jason Alexander é emblemático.
Bob Patterson, em que ele encarnava um guru de auto-ajuda, trazia
piadinhas constrangedoras sobre racismo e deficientes físicos logo
no primeiro episódio. A rejeição foi imediata. Segundo
a imprensa americana, Alexander foi vítima da "maldição
de Seinfeld". Depois do fim desse seriado, um dos maiores sucessos
dos anos 90, seus integrantes só têm amargado derrotas. Michael
Richards, que interpretava o impagável Kramer no programa, também
se deu mal em aventura-solo. No momento, quem lidera a bolsa de apostas
para ser o próximo fiasco é The Ellen Show, da atriz
e militante lésbica Ellen DeGeneres, figura de alta popularidade
nos Estados Unidos. Escalada para apresentar a cerimônia do Emmy,
o equivalente do Oscar para a TV, Ellen aproveitou o palanque para chorar
as pitangas e pedir uma ajudinha dos telespectadores. Seu programa balança
e deve cair.
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