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Edição 1 726 - 14 de novembro de 2001
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Perguntar não ofende

Uma dúvida sobre os novos
seriados da TV paga: o que é
ruim para os EUA é bom para o Brasil?

Marcelo Marthe

Depois de quatro meses de reprises, os fãs dos seriados americanos voltam a encontrar novidades na TV paga. Além das temporadas inéditas de sucessos como Friends e C.S.I., estréiam no país nada menos que 21 atrações do gênero. Entre elas figuram alguns candidatos a se tornar objeto de culto, como Scrubs, comédia da Sony sobre um médico recém-formado que atua num pronto-socorro. Mais de um terço do pacote, contudo, é composto de programas que já deixaram de ser produzidos ou estão com a vida por um fio (veja quadro). Vários foram acometidos de morte súbita pouco depois de ir ao ar. Entre esses, dois pesos-pesados lançados há pouco nos Estados Unidos. A comédia What About Joan, protagonizada por uma atriz já indicada ao Oscar, Joan Cusack, foi cancelada sem aviso prévio por absoluta anemia nos índices de audiência. O mesmo fim teve Bob Patterson, do humorista Jason Alexander, que interpretava o George Costanza de Seinfeld. Após cinco episódios, o programa foi extinto na semana passada.

A temporada de estréias nos Estados Unidos coincide com o fim do verão, em setembro. As redes de televisão não têm pudor em tirar do ar uma atração que não se firme rápido. A princípio, elas produzem treze episódios de cada seriado, pouco mais que a metade da quantidade que compõe uma temporada (geralmente são 22). Só se grava o restante se o ibope for satisfatório. Se são ruins de público – e também de crítica, diga-se –, por que esses programas estréiam aqui? Os canais brasileiros argumentam que compram as séries antes de elas terem passado pelo teste da audiência lá fora ou, em outros casos, que ficam reféns da programação da matriz. Também afirmam que o gosto de brasileiros e americanos nem sempre coincide. Mas a verdade é que alguma espécie de filtro poderia existir. Não há o que justifique, por exemplo, a exibição do péssimo Deadline. Com trama sobre os bastidores de um jornal, o seriado foi cancelado em apenas um mês pela rede NBC – no ano passado.

Os fracassos mais retumbantes costumam ser os de programas estrelados por gente famosa. Os produtores se escoram no carisma dos protagonistas e se esquecem de fazer um roteiro decente. O caso de Jason Alexander é emblemático. Bob Patterson, em que ele encarnava um guru de auto-ajuda, trazia piadinhas constrangedoras sobre racismo e deficientes físicos logo no primeiro episódio. A rejeição foi imediata. Segundo a imprensa americana, Alexander foi vítima da "maldição de Seinfeld". Depois do fim desse seriado, um dos maiores sucessos dos anos 90, seus integrantes só têm amargado derrotas. Michael Richards, que interpretava o impagável Kramer no programa, também se deu mal em aventura-solo. No momento, quem lidera a bolsa de apostas para ser o próximo fiasco é The Ellen Show, da atriz e militante lésbica Ellen DeGeneres, figura de alta popularidade nos Estados Unidos. Escalada para apresentar a cerimônia do Emmy, o equivalente do Oscar para a TV, Ellen aproveitou o palanque para chorar as pitangas e pedir uma ajudinha dos telespectadores. Seu programa balança – e deve cair.

   
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