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Pacote anti-lobby
Casa
Civil proíbe seus
funcionários de ter emprego
privado e dificulta ação de lobistas
Vannildo
Mendes
Ana Araujo
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O ministro Pedro Parente anunciou a portaria que
proíbe até almoços |
O
ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, anunciou na semana passada
uma ofensiva para tentar barrar a ação de lobistas no Palácio
do Planalto. Os funcionários foram proibidos de trabalhar em empresas
privadas ou associações de classe fora do horário
de expediente. Também está proibida a marcação
de audiências com autoridades por meio de intermediários
uma especialidade que rende dinheiro e influência aos lobistas
brasilienses, que chegam a cobrar uma taxa de sucesso pelo agendamento
desses encontros. As medidas foram editadas depois que se descobriu que
Alexandre Paes dos Santos, um dos maiores lobistas de Brasília,
tinha em sua folha de pagamento uma secretária lotada num dos pontos
estratégicos da estrutura de governo a própria Casa Civil.
A secretária foi afastada, mas o episódio mostrou que os
tentáculos do lobista eram bem mais longos do que se imaginava.
Ana Cristina Improise era secretária do secretário executivo
da Casa Civil, Silvano Gianni, um funcionário público que,
na ausência do ministro Pedro Parente, chega a despachar diretamente
com o presidente Fernando Henrique. A secretária tinha dupla jornada
de trabalho. De manhã organizava a agenda de Gianni e, à
tarde, prestava serviços para a APS, a empresa do lobista. Segundo
ela, Gianni sabia disso. A portaria da Casa Civil reúne um conjunto
de normas cujo objetivo é evitar contatos que possam mostrar-se
constrangedores. Além do fim da dupla jornada de trabalho, ficou
estabelecido que os servidores estão proibidos de aceitar convites
para almoços, jantares e festas patrocinadas por empresas ou associações
de classe. Um dos artigos chega a lembrar que é proibida a divulgação
de informações confidenciais do governo. Os ocupantes de
cargos de confiança também devem apresentar declaração
de renda e não podem aceitar presentes. É, sem dúvida,
um golpe na estratégia de grandes lobistas, que gostam de promover
reuniões chiques para atrair funcionários que possam ter
alguma utilidade para eles, oferecer pequenos serviços e distribuir
agrados tudo, é claro, sem nenhum interesse.
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