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Uma
vitória da ética
Na terça-feira passada, a Câmara dos Deputados aprovou um
projeto de emenda que varre da Constituição a imunidade
parlamentar para crimes comuns, um odioso privilégio criado há
177 anos e mantido intacto por gerações de políticos
brasileiros. Foi apenas o primeiro passo. Mas foi ao mesmo tempo um salto
institucional gigantesco rumo à modernização da prática
política no Brasil. Para que deputados e senadores passem a ser
julgados da mesma maneira que os demais cidadãos brasileiros, a
emenda constitucional precisa ainda ser votada em segundo turno pela própria
Câmara e outras duas vezes pelo Senado. É provável
que não haja tempo útil neste ano para que ela tramite e
se incorpore à Constituição. A notícia da
aprovação em primeiro turno foi tão bem recebida
pela opinião pública, porém, que, mesmo que demore
alguns meses, sua efetiva entrada em vigor parece irreversível.
Os louros por essa primeira vitória ética devem ser creditados
ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Câmara.
Desde 1999, o projeto para banir a imunidade irrestrita estava dormindo
na Casa. Aécio colocou-o como prioridade na pauta de votação.
Convenceu os colegas da necessidade de sua aprovação para
melhorar a imagem do Parlamento. Na terça-feira, quando percebeu
que havia uma articulação surda e anônima para barrar
a medida, Aécio antecipou a votação. Antes que a
manobra sombria pudesse desfigurá-la, a emenda foi votada e aprovada.
Quando tiver sua tramitação completada, ela vai garantir
que parlamentares só sejam protegidos por crimes de opinião,
como ocorre na imensa maioria das nações democráticas.
Com isso, o mandato deixa de ser uma proteção para parlamentares
que cometam delitos como estelionato, roubo ou assassinato. O efeito depurador
pode ser ainda mais profundo. Sem proteção especial, criminosos
não teriam vantagens em candidatar-se apenas para se livrar da
perseguição da Justiça. Veja
reportagem.
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