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Duas em uma
Courtney
Love volta a ser roqueira e lança ótimo CD
A cantora americana Courtney Love é um
raro caso de dupla personalidade no mundo do show biz.
Viúva de Kurt Cobain, criador do grupo Nirvana, que se
matou em 1994 com um tiro na cabeça, a desbocada,
drogada e bagaceira Courtney sempre foi a encarnação
feminina do estilo grunge. De uns tempos para cá, a
cantora mostrou que tinha outras habilidades. Provou ser
uma atriz competente no filme O Povo contra Larry
Flynt, de Milos Forman, e mostrou sua elegância como
modelo da griffe Versace. Chegou a aparecer na festa do
Oscar deste ano com um vestido comportado e impecável.
Quando se pensava que a rebelde havia virado patricinha,
eis que surge o CD Celebrity Skin, para
mostrar que ela não se esqueceu do passado de sexo,
drogas e rock'n'roll. O disco do grupo Hole (buraco),
conjunto do qual Courtney é vocalista, compositora e
principal letrista, é um dos melhores álbuns de rock do
ano. É adrenalina pura, aliada a uma ironia incomum no
mundo da música pop, em que predominam artistas que se
levam a sério demais. É só ver pelos versos da faixa Awful:
Eu fui punk!/ Agora sou apenas estúpida! Courtney
mostra que se dá bem nas duas personagens que encarna.
Consegue ser, a um só tempo, roqueira e dondoca.
Como roqueira, ela
faz sucesso graças a suas performances ensandecidas, em
que costuma tirar boa parte da roupa, fazer gestos
obscenos e se atirar sobre a platéia. Hoje, mais do que
no passado, vale a pena ir a um show da cantora e correr
o risco de que ela desabe sobre você. Desde o suicídio
de Cobain, Courtney Love emagreceu 20 quilos e torneou as
formas com ajuda de ginástica e lipoaspiração. Essa
guinada em direção ao estilo "saúde" se
reflete no novo CD da cantora. Ainda que continue fazendo
um som ruidoso e não tenha perdido o hábito grunge de
protestar contra a maneira pérfida como a mídia e as
gravadoras tratam os artistas e blablablá, ela agora se
mostra capaz de criar belas melodias. Courtney faz uma
espécie de "grunge ensolarado". Talvez porque
ela tenha trocado a chuvosa e fria Seattle pela tórrida
Califórnia. Isso não significa que tenha glamourizado o
Hole tanto quanto fez consigo própria. Uma das provas de
que sua música não mudou tanto assim aparece na letra
de Reasons to Be Beautiful (Razões para Ser
Bonita), em que ela faz uma proposta indecente: Eu te
darei meu corpo/ Apenas me venda sua alma. Alguém
topa?
C.M.

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