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Louco por novela
Dono de
uma coleção de 2000 fitas, Mauro
Alencar é o "arquivo vivo" da Globo
Ricardo
Valladares
| Foto: Claudio Rossi |
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Mauro
Alencar: paixão por Clarice Piovesan e
Paulo Gracindo |
Estreou
na semana passada, na Globo, a nova versão de Pecado
Capital, sucesso na década de 70. Sempre que
a emissora carioca decide ressuscitar uma novela antiga
recorre aos préstimos do paulistano Mauro Alencar, de 36
anos. Maior especialista em novelas do Brasil, Mauro tem
um arquivo com mais de 6.000 horas gravadas de folhetins
da Globo e das extintas TVs Tupi e Excelsior, 600 LPs e
CDs com todas as trilhas sonoras já lançadas e milhares
de publicações especializadas no gênero. Sua memória
é prodigiosa ele é capaz de recitar de cor o
elenco de 2-5499 Ocupado, primeiro folhetim
televisivo brasileiro, exibido em 1963, como quem dá a
escalação de seu time de futebol preferido. Por causa
de todo esse arsenal de conhecimento, Mauro recebe um
salário mensal de 6.000 reais para dar cursos e
palestras na escola de atores da emissora, além de fazer
pesquisa para autores. "Mauro está para a Globo
assim como um pajé está para sua tribo. É ele quem
guarda os segredos do passado e os transmite para as
gerações mais jovens", diz Edwaldo Pacote,
assessor da vice-presidência da emissora.
Toda a vida de
Mauro gira em torno das telenovelas. Ele passa quatro
horas por dia em frente do vídeo, acompanhando os
folhetins. Os capítulos a que não consegue assistir
são registrados no videocassete. Mauro mora em São
Paulo com os pais, mas tem um apartamento no Rio de
Janeiro, sua base nos períodos em que é convocado a
ministrar cursos na Globo. Ele foi "descoberto"
pela emissora em 1990, quando foi exibida, no horário
vespertino, uma reprise de A Escrava Isaura. Mauro
notou que a abertura estava diferente e mandou uma carta
para a emissora reclamando. "Como tenho essa novela
gravada, percebi que não era a abertura original, e sim
uma outra, usada para as exibições fora do
Brasil", lembra. Diante de tamanha precisão, foi
convidado dois anos depois para trabalhar no Video
Show, tarefa pela qual recebia 500 reais mensais. Ele
junta material para seu arquivo pessoal desde os 5 anos
de idade, época em que a TV Excelsior transmitia a
novela Redenção. Em vez de pedir brinquedos no
Dia da Criança, chateava os pais para ganhar LPs com
trilhas sonoras. Em 1972, quanto tinha 10 anos, fez a
mãe levá-lo até um cortiço no bairro do Brás só
para conhecer o cenário da novela Uma Rosa com Amor. Quando
ainda não existia videocassete, recorria ao velho
gravador de rolo para registrar as falas de Cristiano
(Francisco Cuoco) e Simone (Regina Duarte) na primeira
versão de Selva de Pedra. Em suas horas de folga,
Mauro gosta de ir a sebos em busca de revistas com fotos
de atores de todas as épocas.
Bengala
Parece coisa de maluco, e Mauro realmente já temeu por
sua sanidade mental quando se viu fascinado pela
personagem Marilyn Méier, um clone de Marilyn Monroe
encarnado pela atriz Clarice Piovesan em Feijão
Maravilha. Assistia sem parar às reprises da novela.
"Foi a pior época de minha vida", admite.
"Estava perdido e então resolvi fazer
análise." Anteriormente, Mauro já demonstrara
fanatismo pelo bicheiro Tucão, vivido pelo ator Paulo
Gracindo em Bandeira 2. Em homenagem ao
personagem, ele tirou a foto de seu passaporte usando um
terno branco idêntico ao que Tucão usava na novela. A
partir daí, tornou-se tiete de carteirinha de Gracindo.
Chegou a comprar uma bengala igual à que o ator usava ao
interpretar o coronel Ramiro Bastos em Gabriela.
Em 1989, ano em que Gracindo representou o papel
principal na peça O Preço, de Arthur Miller,
assistiu oito vezes ao espetáculo. Viajou para Itabuna e
Ilhéus só para conhecer a terra de Gabriela. E
até hoje visita periodicamente a Confeitaria Colombo, no
Rio, porque lá foram gravadas as cenas finais da novela O
Casarão. Formado em televisão, apresentou tese de
mestrado na Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São Paulo sobre como os brasileiros
confundem ficção com realidade nas telenovelas. A
biografia de Mauro mostra que ele entende como ninguém
do assunto.
Você
sabia?
Curiosidades
dos tempos românticos da telenovela
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REDENÇÃO
(1966 A 1968)
A novela mais longa da história,
com 596 capítulos. Incluiu-se um
transplante de coração na trama,
na mesma época em que o doutor
Barnard desenvolvia a técnica.
Com um detalhe surrealista: o
transplante servia para ressuscitar
um personagem, a fofoqueira
Dona Maroca |
| Foto: Claudio Rossi |
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ANASTÁCIA,
A MULHER SEM DESTINO (1967)
A novela tinha um número
gigantesco de personagens
e não agradava ao público.
Por isso, o autor Emiliano
Queiroz foi demitido e
Janete Clair o substituiu.
Ela incluiu um furacão na
trama e matou metade dos
personagens. Depois disso,
a audiência subiu |
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BETO
ROCKFELLER (1968)
Inaugurou o merchandising na
televisão brasileira. Luiz Gustavo
vivia o personagem-título, um boêmio
incorrigível. Nas cenas de ressaca,
Beto Rockfeller sempre tomava um
Engov. O acordo era entre Luiz
Gustavo e o fabricante |
| Foto: Paulo Salomão |
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UMA ROSA
COM AMOR (1972)
Pela primeira vez, a atriz
Yoná Magalhães atuou com
uma peruca loira. A Globo
tomou esse cuidado para evitar
que ela ficasse estigmatizada
como chicana, de tanto fazer
novelas de Glória Magadan |
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ESCRAVA
ISAURA (1976)
Lucélia Santos era considerada
pequena e magra demais para fazer
o papel de uma escrava voluptuosa.
Por isso, atuava com saltos mais
altos que os das Spice Girls e
sutiãs com enchimento generoso |
| Foto: Irineu Barreto Filho |
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