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Cartões de crédito Guerra do plásticoGoverno
dos Estados Unidos abre processo
As duas maiores administradoras de cartão de crédito do mundo estão na mira da Justiça dos Estados Unidos. Na quarta-feira passada, o Departamento de Justiça americano abriu um processo contra a Visa e a MasterCard, acusando-as de formação de cartel. O processo é resultado de uma investigação que durou dois anos. Examinando documentos das empresas, o governo americano descobriu que muitas instituições financeiras eram sócias de ambas e que a concorrência entre elas era apenas de fachada. O caso é grave porque, juntas, Visa e MasterCard emitiram três quartos dos cartões em circulação nos Estados Unidos e são responsáveis por transações de mais de 600 bilhões de dólares por ano. É uma montanha de dinheiro, equivalente a mais de dois terços do produto interno bruto do Brasil. Vem por aí uma batalha judicial e, se o governo vencer, muita coisa vai ter de mudar no mundo do dinheiro de plástico. A preocupação com a concentração de grandes setores nas mãos de poucas empresas é crescente na economia americana. Processos antitruste foram discutidos também no caso das megafusões de bancos, como a que criou o Citigroup. No final de 1997 e início deste ano, o alvo era a Microsoft, acusada de tentar monopolizar a Internet. As gigantes do cartão de crédito são apenas o mais recente alvo da secretária de Justiça dos Estados Unidos, Janet Reno. O governo diz que, nos últimos vinte anos, Visa e MasterCard têm impedido a concorrência entre as administradoras de cartões. Seus estatutos permitem que os bancos associados à Visa participem da MasterCard, e vice-versa. Com as outras bandeiras (American Express e Discover), o regulamento não é nem um pouco amigável. Proíbe terminantemente a emissão de cartões dos concorrentes. As outras administradoras e a Secretaria de Justiça vêem essa restrição como uma ameaça à livre escolha do consumidor. Um comunicado da Visa sobre o assunto nega e diz que os consumidores nunca tiveram tantas opções para escolher como pagar por bens e serviços. Além disso, as empresas dizem que 80% dos usuários de cartões nos Estados Unidos não os adquiriram por ser correntistas de algum banco, mas por meio de serviços de telemarketing. Embora a força do telemarketing seja real há estimativas de que sejam enviados por correio anualmente 3 bilhões de formulários oferecendo cartões de crédito nos Estados Unidos , as restrições trazem vantagens para as duas administradoras. Hoje em dia, para ganhar o consumidor é preciso oferecer comodidades tecnológicas. São investimentos altos, que acabam sendo pagos pelo usuário. Quanto mais clientes a empresa tem, menor a parcela que vai caber a cada um. Quem tem menos clientes não pode fazer grandes investimentos. Caso contrário, corre o risco de espantar o consumidor com taxas muito altas. Assim, cartões com menos usuários deixam de fazer investimentos e as duas grandes ganham espaço. "Iniciativas competitivas que poderiam beneficiar os consumidores foram abandonadas, retardadas ou suprimidas", afirma a secretária Janet. A maior interessada na queda-de-braço entre o governo e as empresas é a American Express. No dia em que foi anunciado o processo, as ações da empresa subiram 3,5% na Bolsa de Nova York. Animados, seus executivos não poupam críticas à Visa e à MasterCard. "Elas funcionavam como um cartel à moda antiga. Conspiravam contra o consumidor americano", diz o presidente da American, Harvey Golub. Outros possíveis interessados são os grandes bancos que surgiram da onda de fusões que agitou os Estados Unidos no início do ano. Eles têm dinheiro suficiente e clientes o bastante para iniciar sua própria bandeira de cartões, caso a Justiça ordene mudanças na estrutura das companhias suspeitas. Franco Iacomini
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