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| Foto: Bia Parreiras |
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| Oliveira
(à esq.) e
Viberti, do Cadê?: os internautas estão mudando sua rotina |
Três anos foram suficientes para fazer da Internet no Brasil um dos maiores fenômenos mercadológicos de todos os tempos. Nesse período, o número de pessoas que acessam a rede de suas casas e do trabalho cresceu mais de 4.000%. Hoje, são 3,4 milhões de brasileiros utilizando a rede interligada de informações, segundo aponta a terceira edição da pesquisa Cadê?/Ibope. Apenas para comparar: o número de assinantes de TVs pagas dobrou desde 1995, a emissão de passagens aéreas subiu 43%, e o número de usuários de cartões de crédito cresceu 44%. A Internet consolidou-se no Brasil mais rapidamente do que em muitos outros países. Cerca de 3.000 brasileiros aderem à novidade a cada dia. O sucesso estrondoso ainda está restrito às classes A e B da população, mas tem potencial para crescer na mesma velocidade nos próximos anos, atingindo outras camadas sociais. A maior oferta de telefones no mercado, por causa da privatização do setor, e o barateamento dos computadores devem acelerar o ritmo de crescimento da Internet no Brasil.
A terceira pesquisa do Cadê?, primeiro site brasileiro de busca na Internet, em colaboração com o Ibope, é o mais detalhado estudo já feito sobre a rede no país. Durante cinco semanas, cerca de 50.000 internautas preencheram o questionário divulgado em sites brasileiros. Os internautas que responderam à pesquisa foram os primeiros a receber os resultados. Se nos primeiros anos a rede estava restrita a um gueto de infomaníacos, ela começa a se popularizar. A proporção atual é de três mulheres para cada dez internautas. Mais próxima da realidade social brasileira, em que metade da população é feminina, e mais distante dos 17% de mulheres de 1996. Essa melhor distribuição pode ser explicada porque hoje os computadores conectados são encontrados mais facilmente nas escolas e no ambiente de trabalho. Entre os que responderam, quase metade acessa a Internet no ambiente de trabalho, e um quinto nas escolas.
Para o engenheiro Gustavo Viberti, que em 1995 fundou com seu colega de faculdade Fábio de Oliveira a empresa Cadê?, o sucesso da Internet brasileira já aguça o interesse estrangeiro. Os marketeiros da Amazon.com, do bilionário Jeff Bezos, procuraram Viberti e Oliveira no início do ano passado para que os ajudassem a divulgar o site da livraria virtual. Os brasileiros estão em quinto lugar entre os povos que mais compram livros da Amazon.com. A Digital, que possui o site de busca Altavista, foi outra empresa que procurou os empresários brasileiros de olho no mercado nacional. "Aqui, a Internet tornou-se conhecida muito rapidamente. Hoje, seguramente, o Brasil está entre os dez países que mais utilizam a rede", analisa Viberti. Dados da Associação Brasileira de Provedores de Internet, Abranet, indicam que cerca de 1,3 milhão de pessoas pagam por uma assinatura a um provedor no Brasil para acessar a rede em casa. Os demais internautas navegam em universidades, empresas privadas e órgãos do governo.
Mais informação A maioria dos internautas brasileiros apontou na pesquisa que estar conectado acarreta mudanças de hábito. Eles deixaram de assistir à televisão, dormem menos e até abandonaram outras atividades. Poucos, porém, deixaram de ler jornais, revistas e livros. Nenhuma surpresa, pois a própria pesquisa mostra que essas pessoas são ávidas por informação. Mais de 75% delas afirmam que navegam na rede para procurar notícias e sites relacionados à informática e Internet. Sexo? Menos da metade declaram passar parte do tempo de conexão procurando páginas de pornografia. Pelo menos de acordo com as respostas dadas aos pesquisadores, a maioria dos internautas prefere sites de notícias, ciência e música quando navega pela rede. Trocar mensagens eletrônicas, via e-mail, e copiar outros programas da rede vêm em segundo lugar. Menos de 10% das pessoas gastam suas horas com as salas de bate-papo, os chats.
Segundo a pesquisa Cadê?/Ibope, 70% dos internautas ficam conectados diariamente mais de uma hora. As empresas já perceberam o potencial da Internet e a mais nova tendência do sistema é o comércio eletrônico. Das 50.000 pessoas que responderam ao Cadê?, 12.000 já compraram algum produto pela rede e outras 24.500 afirmaram que têm interesse em fazer compras virtuais. Mais da metade delas são adultos, possuem cartões de crédito internacional ou nacional, têm escolaridade acima do 2º grau e vivem nas regiões Sudeste e Sul do país.
Microsoft lança eletrodoméstico
Inquieto com as reações contrárias ao monopólio do sistema operacional Windows que detém, Bill Gates ataca em outras direções. Na semana passada, a Microsoft lançou o Cordless Phone System, um telefone que usa a tecnologia de reconhecimento de voz para fazer chamadas e pode funcionar conectado a um computador. O novo produto não usa o Windows. Para fazer uma ligação, deve-se dizer, em inglês, "call" (chamar) e o nome da pessoa com quem se deseja falar. O aparelho armazena até quarenta nomes diferentes. Além disso, permite identificar chamadas, anunciando o nome de quem telefonou, e responde às ligações com mensagens personalizadas ou bloqueia o acesso de pessoas indesejáveis. O sistema deve chegar ao mercado americano no mês que vem por cerca de 200 dólares. Essa novidade segue uma tendência universal no mundo da informática. No Brasil, a Samsung lança em novembro o celular SCH-411, que também atende a comandos de voz. Basta dizer o nome da pessoa e o aparelho faz a ligação. O telefone reconhece até vinte nomes pré-programados. A maior rival da Microsoft, a Sun Microsystems, está desenvolvendo com o sistema Java programas capazes de fazer com que no futuro eletrodomésticos possam não apenas ser comandados por voz mas fornecer informações ao dono usando sons e imagens. Não se sabe ainda qual a utilidade de mandar o bule fazer café quando se está fora de casa, mas a Sun imagina um futuro em que os utensílios eletrônicos estarão conectados em rede e poderão ser comandados pelo dono, via Internet, de onde estiverem. |
![]() Fotos: Liane Neves/Arthur Cavalieri-Strana/Alberto Araujo/Frederico Ferrite |
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