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Diogo
Mainardi Resumo da ópera 2
"Sou
o arqueólogo do mensalão. Tenho dedicado todo o meu tempo à
extenuante tarefa de escavar a necrópole petista, em busca de sarcófagos
que me permitam reconstruir a história daquele povo iletrado e
primitivo, felizmente extinto"
Eu sou o arqueólogo do "mensalão". O Indiana Jones do PT. O Heinrich
Schliemann do Palácio do Planalto. Tenho dedicado todo o meu tempo à
extenuante tarefa de escavar a necrópole petista, em busca de sarcófagos
que me permitam reconstruir a história daquele povo iletrado e primitivo,
felizmente extinto. Na coluna da semana
passada, afirmei que o dinheiro do mensalão foi extorquido de Daniel Dantas,
dono do banco Opportunity. Na última terça-feira, por intermédio
de sua assessora, Roberto Jefferson confirmou minha teoria.
Até 2002, Marcos Valério era um operador local de Dantas, encarregado
do abastecimento do bando mineiro de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações
de Fernando Henrique Cardoso. Quando Lula foi eleito, Marcos Valério se
aproximou de Delúbio Soares e passou a canalizar toda a propina que Dantas
era obrigado a pagar ao governo federal, representado pelo bando de José
Dirceu. Se Marcos Valério era
o operador de Dantas, não adianta procurar em suas contas o dinheiro da
Novadata, ou da GDK, ou da Leão&Leão, ou de Santo André,
ou das empresas de lixo, ou dos bicheiros, ou das empreiteiras, ou da Gtech, ou
dos sindicatos, ou dos fundos de pensão, ou das Farc, ou da Líbia.
A roubalheira petista é infinitamente maior do que aquilo que apareceu
até agora. Recomendo procurar o cofre em outro lugar. Recomendo também,
aos arqueólogos diletantes como eu, a releitura de tudo o que a imprensa
publicou nos últimos dois anos e meio. Os altos e baixos de Lula correspondem
perfeitamente aos altos e baixos de Dantas. A história do governo Lula
é um mero reflexo da disputa comercial entre as operadoras de telefone.
Como o policial que achaca o traficante,
garantindo-lhe proteção para tocar seus negócios, no começo
de 2003 o Palácio do Planalto achacou Dantas, exigindo dele o dinheiro
do mensalão. Formaram-se duas facções. Numa delas, ficaram
Dantas, Dirceu, Delúbio, Delfim, João Paulo, Ciro, Mentor, Kakay
e todos os mensaleiros do PP, do PL, do PTB. Na outra facção, ficaram
Gushiken, Telemar, Previ, Fundef, Banco do Brasil, Trevisan e um punhado de parlamentares
arregimentados aqui e ali. A repartição do território deixou
todo mundo feliz. Por um ano e meio, Lula aprovou o que bem entendeu no Parlamento,
ao mesmo tempo em que as operadoras de telefone tentaram formar um cartel para
manipular o reajuste de tarifas. A trégua só foi rompida depois
do caso Kroll, em meados de 2004. A Anatel, comandada por Gushiken, lançou
os fundos de pensão à conquista da Brasil Telecom. Dirceu não
deu proteção a Dantas, fugindo do campo de batalha. Quando Dantas
parou de pagar o mensalão, o governo acabou.
Lula? Lula imaginou que poderia ficar indefinidamente com um pé de cada
lado. Não deu certo. Tendo de optar, optou pelos amigos da Telemar, que
garantiram o futuro de dois de seus filhos, comprando a empresa do primeiro e
financiando a estada em Paris da segunda.
Essa é a história do governo Lula. Fim. |