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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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Queijo e vinho

Ou vice-versa. É fácil
combinar esses sabores

Fernanda Medeiros

Arnaldo Klajn


Existe vida saborosa além do romeu-e-julieta. Muito mais saborosa, aliás. O queijo é uma daquelas raridades capazes de agradar a quase todos os paladares, graças à imensa variedade de tipos. Uns são mais salgados, de personalidade forte. Outros, leves, quase doces. Há os cremosos, sensíveis, os de massa, suaves, os duros e os defumados, marcantes. No frio, especialmente, são boa escolta para qualquer mesa. Na França, o queijo é base de muitos pratos e sobremesa comum. Devagarinho, restaurantes brasileiros já começam a oferecer alguns para ser saboreados com bons vinhos depois da refeição.

O vinho, por seu lado, merece uma descrição não menos detalhada. Também pode ser espirituoso, delicado, instigante, até feroz. E achar que será sempre tinto na parceria com o queijo é outro daqueles enganos comuns. Especialistas garantem que a combinação dos queijos com os vinhos brancos pode ser perfeita – em muitos casos bem mais adequada, aliás. Como regra geral, use a seguinte equação: queijos fortes pedem vinhos encorpados, em proporções crescentes de ambos os lados. Aqueles de sabor suave, em contrapartida, merecem um acompanhamento que não destrua sua delicadeza.

O especialista Gustavo Andrade de Paulo, da Associação Brasileira de Sommeliers, diz que não existem regras imutáveis nesse assunto. Sabores e aromas intensos, gordura, sal, acidez e viscosidade variadas tornam difícil a definição de um tipo específico de vinho para cada variedade de queijo. O máximo que se pode fazer é uma aproximação. Para quem tem menos prática, vale levar em consideração as regiões de origem do queijo e do vinho, casando, por exemplo, roquefort com Sauternes, gorgonzola italiano com Barbera e munster da Alsácia com Gewürztraminer da mesma região. Quem disse que desfrutar prazeres não exige um pouco de geografia? Outra informação: evite diversidade de vinhos. Um só, casado com os queijos predominantes à mesa, dará conta do recado. O empresário Adilson Carvalhal Júnior, que há 32 anos trabalha com venda de queijos, aconselha compor a mesa com pelo menos cinco tipos. E não pôr nela nada que tenha sabor de alho ou lingüiça.

 

 

 
 


   
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