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Tem
muito mais
além de Cancún
Com bons hotéis e atrações
de primeira, o México tornou-se
a meca dos descolados
Raul Juste Lores
Marcos Issa/Ag. Argos
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Divulgação
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| Jogo
de luzes nas ruínas de Chichen Itzá: vale tudo para impressionar o
turista e fazê-lo prolongar a estada |
No
sofisticado Las Ventanas, em Los Cabos, suítes com diárias de
4 000 dólares e lotação de 90% durante todo o ano |
Fazer
turismo no México com exceção das praias de
Cancún já foi considerado tão cafona quanto
o filme que Elvis Presley fez em Acapulco em 1963. Não é
mais assim. No universo dos ricos e descolados dos Estados Unidos e da
Europa, o México tornou-se trendy e cool. Ou seja,
é sofisticado e está na moda. A forma como os mexicanos
conseguiram reverter a decadência é uma boa lição
para qualquer país que queira levar o negócio do turismo
a sério, como o Brasil. O que fizeram foi oferecer serviços
e atrações melhores e mais caros. Dessa forma, puderam atrair
o empresário americano que vai jogar golfe nos luxuosos resorts
de Los Cabos e o europeu cujo desejo é ver a arquitetura barroca
e as ruínas pré-colombianas de Oaxaca. A renda do setor
turístico mexicano aumentou mais de 30%, apesar de receber os mesmos
20 milhões de turistas estrangeiros por ano desde 1997. Eles devem
deixar 9 bilhões de dólares no país neste ano. Junto
com o turismo doméstico, serão 60 bilhões de dólares,
quase 10% do PIB do país. No Brasil, são 21 bilhões
de dólares decorrentes da movimentação interna e
apenas 3 bilhões de dólares do turismo internacional. "Dá
para atrair o visitante com sol e praia", diz Leticia Navarro, ministra
do Turismo do México. "Mas temos de oferecer outros produtos, como
ecoturismo, cultura, entretenimento, esportes de aventura, opções
de compras, para ele ficar mais tempo e gastando mais."
O México tem algumas vantagens em relação ao Brasil.
Além de seus 11.000 quilômetros de praias 3.000 a
mais que o litoral brasileiro , espalhados por dois oceanos, dispõe
de monumentos históricos e ruínas seculares por todos os
lados. A grande sorte, contudo, é a fronteira com os Estados Unidos.
Até os anos 60, as estrelas de Hollywood passavam férias
em Acapulco. Mas acabaram fugindo do crescimento desordenado que encheu
o lugar de prédios horrendos, tirando-lhe a graça de pueblo
tropical. Do mesmo jeito que criou Cancún nos anos 70, o governo
mexicano seguiu a política de escolher um pontinho no mapa e transformá-lo
em destino turístico de primeira grandeza só que
agora com maior preocupação em relação ao
impacto ambiental e às opções de entretenimento para
forasteiros. Vale tudo para impressionar o turista: em Chichen Itzá,
onde estão as maiores ruínas maias do México, no
Estado de Yucatán, há shows noturnos com raios laser nas
pirâmides, com desenhos das civilizações pré-hispânicas.
Los Cabos nasceu com o espírito de luxo, conforto e entretenimento.
A mais de 1.000 quilômetros da capital mexicana, mas pertinho da
Califórnia, reúne resorts luxuosos, fauna marinha rica e
águas claras. O governo entrou com a infra-estrutura, de aeroporto
internacional a estradas modernas, e grupos empresariais convocaram arquitetos
badalados para construir hotéis mais bonitos e menores para um
turista mais exigente. O número de quartos de hotel triplicou nos
últimos dez anos. Ao gosto dos endinheirados, na pequena cidade
de Cabo de San Lucas, há nove campos de golfe e dezenas de hotéis
com diária média de 500 dólares. O resort mais exclusivo
é o Las Ventanas, com 61 suítes. Com hóspedes famosos
como Cindy Crawford e Mel Gibson, tem uma taxa de ocupação
de 90% o ano inteiro. Todos os 400 empregados falam inglês. Igualmente
chique é Oaxaca, no sudoeste do país. A cidade tinha um
centro histórico sujo e péssima infra-estrutura turística.
Nos últimos cinco anos, quase todo o patrimônio foi restaurado
e vários casarões de 300 anos viraram hotéis projetados
pelos melhores arquitetos. Com 250.000 habitantes, Oaxaca tem dezenas
de museus e galerias de arte. "É um dos lugares mais badalados
das Américas", disse a revista americana Condé Nast Traveller,
uma das bíblias do turismo.
Dali saem excursões para os oito grandes sítios arqueológicos
das civilizações zapoteca e maia, pré-astecas, que
ficam ao redor da cidade. Boa parte dos 80 milhões de dólares
que o governo mexicano gasta por ano em publicidade no exterior tenta
atrair os europeus para a mescla de ecoturismo com arqueologia e arquitetura
colonial. Nessa onda de profissionalismo a todo custo está a ministra
do Turismo do país. Ela, que nunca havia sido política,
foi recrutada pelo presidente Vicente Fox por intermédio de uma
empresa de headhunters. Ex-diretora da Colgate-Palmolive no México
e da Gillette nos Estados Unidos, a ministra Leticia Navarro encara o
turismo como algo caro ao México: um negócio lucrativo.
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