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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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Muita verdura,
pouca vitamina

Pesquisas acadêmicas alertam
sobre os riscos da dieta
vegetariana para a saúde
das crianças

Natasha Madov

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Como prevenir problemas com a dieta vegetariana
Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 18/4/2001: "Os xiitas da dieta"
Reportagem de 12/6/2002: "Emagreça.
E continue magro"
Reportagem de 7/11/2001: "Dieta para remoçar"
Reportagem de 8/8/2001: "A nova pirâmide"
Reportagem do especial VEJA Sua Saúde, de 28/3/2001: "Coma de tudo um pouco"
Reportagem de 28/2/2001: "Comer e emagrecer"
Reportagem de 19/4/2000: "Guerra das dietas"

Uma mania ganhou impulso na última década, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa: tirar a carne do cardápio. Até mesmo entre os brasileiros há quem considere um bife suculento como politicamente incorreto. Estima-se que 10 milhões de americanos tenham aderido a alguma dieta vegetariana, com graus variados de exclusão de alimentos de origem animal. É uma atitude arriscada, de acordo com um estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA. Depois de avaliar os hábitos alimentares de cerca de 5.000 adolescentes, vegetarianos ou não, os pesquisadores concluíram que, longe de ser uma decisão filosófica, tirar a carne do cardápio pode ser um sintoma de distúrbios alimentares graves. São doenças como a anorexia, falta de apetite crônica que pode levar à morte, e a bulimia, na qual o vômito é induzido como forma de conservar a magreza desejada. "Em geral, pacientes com distúrbios alimentares procuram dietas excêntricas, e o vegetarianismo é preferido porque, sem carne, são ingeridas menos calorias e a pessoa não se sente inchada", diz a psiquiatra Angélica Claudino, coordenadora do Programa de Transtornos Alimentares da Universidade Federal de São Paulo.

A principal razão entre os jovens para aderir à dieta vegetariana é manter o peso ou emagrecer. Mas não é só isso. Um em cada quatro adolescentes americanos acha moderno não comer carne. "Muitos adolescentes se tornam vegetarianos por influência de seus ídolos", comenta Marly Winckler, secretária-geral para a América Latina da União Vegetariana Internacional, associação espalhada por 35 países. A complicação para quem está em idade de crescimento é que esse tipo de regime é carente de ferro, cálcio e proteínas, presentes em carnes, leite e ovos. Motivada pelo budismo, a paulistana Cristine Viecile Leone, de 18 anos, deixou de comer carne branca e vermelha aos 14. "Meu pai me mandou procurar uma nutricionista, mas não voltei a comer carne", diz. O resultado foram duas crises de anemia em quatro anos. Hoje, Cristine mantém uma dieta mais equilibrada, com ajuda de uma nutricionista.

Há outras más notícias envolvendo dietas sem carne. Pesquisadores da Universidade Agrícola de Wageningen, na Holanda, acompanharam um grupo de crianças e adolescentes que até os 6 anos foram alimentados de acordo com as regras dietéticas macrobióticas, à base de cereais integrais. Constataram que a falta de vitamina B-12, presente apenas em produtos de origem animal, tinha causado danos irreparáveis no desenvolvimento cerebral delas. Comparados com crianças com alimentação variada, os macrobióticos tiveram pior desempenho em habilidade espacial, memória, capacidade de pensamento abstrato e aprendizado. O interessante é que os pesquisadores não encontraram nenhuma vantagem na dieta sem carne que pudesse contrabalançar os prejuízos.


 

Montagem com fotos de Frederic Jean, Macelo Kura, Frederico Busch,
Marcio de Souza, Marcelo Zocchio, Thomas Kramer e André Fortes


   
 
   
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